Edição Atual | Edições Anteriores | Revista Século | Expediente | Fale Conosco ----------------------


Assassinato de Denadai motivou
a luta contra o crime organizado


Arte: Girley Vieira
José Maria Batista

O advogado Joaquim Marcelo Denadai foi liqüidado a tiros no dia 15 de abril de 2002, um dia antes de encaminhar à Justiça uma queixa crime em que, segundo o coordenador do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO), do Ministério Público Estadual (MPE), promotor Fábio Vello, citava o envolvimento de 12 empresas, algumas administradas por laranjas, em fraudes em licitações, concorrências e serviços públicos nas 78 prefeituras existentes no Espírito Santo e outras no Rio de Janeiro.

Entre os crimes que ainda estão sendo investigados após a morte de Denadai constam falsidade ideológica, falsidade material, lavagem de dinheiro, agiotagem, formação de quadrilha, fraude em licitações e fraude fiscal. Parte deste material fazia parte da notícia-crime que teria sido uma das causas do assassinato do advogado. Mas o grosso da história se referia a fraudes envolvendo a prefeitura de Vitória e as negociações com o ex-militar e empresário Sebastião Pagotto, que mantinha contratos com as prefeituras de Vitória e Cariacica, entre outras.

O advogado era irmão do vereador Antônio José Denadai, 45, natural de Resplendor/MG, filho do casal Antônio Denadai e Rosa Antônia Denadai e deixou mais três irmãs: Maria Aparecida Denadai, Maria Augusta Denadai e Silvia Aparecida Denadai. Após sua morte, a família fundou o Instituto Marcelo Denadai, que tem como eixos principais: combate à violência, ao crime organizado e à corrupção, valorização do funcionalismo público municipal, fortalecimento dos movimentos sociais, educação gratuita e de qualidade para a formação de cidadãos conscientes e o crescimento da cidade com distribuição justa do IPTU. São essas preocupações que expressam todas as ações do mandato do irmão Antônio Denadai, seja nos projetos apresentados, no trabalho junto as Comunidades e na sua postura em Plenário.

Após a morte do advogado Marcelo Denadai, a Anistia Internacional, o Forum Reage Espírito, a Assembléia Legislativa, a OAB-ES e diversas organizações não governamentais (ONG's) nacionais e estrangeira se mobilizaram para garantir uma ampla investigação sobre o crime organizado no Espírito Santo. Um pedido de intervenção federal no Estado foi aprovado, por unanimidade, pelas entidades capixabas, em 4 de julho, e enviado para o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que também havia votado favoravelmente ao pedido.

Entretanto, em menos de dez dias o procurador-geral da República mudou de idéia e pediu o arquivamento do caso, alegando inviabilidade política e jurídica para a tramitação do processo. A decisão causou uma crise em Brasília. O então ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, sentindo-se traído pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que endossou a decisão do procurador, pediu demissão no dia 8 de julho, levando consigo vários ocupantes de cargos de confiança.

O amplo destaque dado pela imprensa nacional ao caso fez com que o governo federal apresentasse uma alternativa: a criação de uma Missão Especial Federal, com a participação de procuradores, delegados e agentes da Polícia Federal e da Receita Federal para investigar o crime organizado no Espírito Santo. Na mira dos procuradores estava o presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos Gratz, que vinha sendo apontado como o braço político do crime organizado no Estado.

Isso porque antes da instalação da missão especial esteve no Estado um grupo representante da CPI Nacional de Combate ao Narcotráfico, criada pelo senador capixaba (então deputado) Magno Malta (PL) e que apontava para o ex-presidente da Assembléia como um dos principais chefes do crime organizado no Estado. Além de Gratz, a missão tinha denúncias contra 18 outros acusados, entre juízes, policiais e pessoas da alta sociedade capixaba envolvidas em esquemas de corrupção, fraudes em serviços públicos, formação de quadrilha, agiotagem, lavagem de dinheiro e até o assassinato de um juiz Alexandre Martins de Castro Filho, que investigava os casos.

Entre outras ações formam feitas diversas prisões, abertos 40 processos, instaurados 100 inquéritos, desmanteladas quadrilhas de crimes de mando de morte, de falsificação de documentos e de escuta telefônica. Entre os presos encontrava-se o ex-militar e empresário Sebastião Pagotto, indiciado em inquérito da PF como mandante da morte de Denadai. Hoje em liberdade, circula livremente pela cidade enquanto seis testemunhas de seu processo já morreram assassinadas a tiros e a última disse que pretende mudar o seu depoimento. Ele deverá ser levado a júri popular mas a data ainda não foi marcada.

Denadai foi morto porque, com base em documentos do Tribunal de Contas do Estado e outros, anexados a um processo judicial, descobriu que o empresário Pagotto era um dos mais importantes elementos do crime organizado no Estado, falsificando documentos e fraudando concorrências e contratos em prefeituras e órgãos estaduais. Descobriu toda a fraude envolvendo a prefeitura de Vitória e um contrato superior a R$ 10 milhões. E forneceu ao irmão, vereador Antônio Denadai, os elementos para que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), conhecida como CPI da Lama, descobrisse toda a trama envolvendo Pagotto e a prefeitura de Vitória.



Retrospectiva - Corrupção e crime



15/02/2007

'Cumpadre' de Pagotto é autor de ameaças de morte a Deputada


14/02/2007

Pagotto continua ameaçando testemunhas e levando medo à familia Denadai

01/11/2006

Júri vai encerrar o ano sem julgar crimes da Ilha e assassinato de Denadai

20/02/2006
Polícia Federal volta a fazer proteção pessoal de Aparecida Denadai

07/02/2006
OEA dá 15 dias para que Ministério da Justiça garanta proteção à Aparecida Denadai

03/02/2006
Direitos Humanos quer notificação da OEA ao Ministério da Justiça

05/01/2006
Antônio Denadai espera que o mandante da morte de seu irmão seja preso

04/01/2006
Supremo nega hábeas-corpus ao acusado de matar Denadai

17/03/2005
Denadai denuncia manobra de Pagotto para continuar na PMV

07/03/2005
Denadai formaliza pedido à Câmara para reabrir CPI da Lama

03/03/2005
Subprocuradora não teve acesso ao inquérito civil sobre a Hidrobrasil

06/01/2005
Denadai discute a reabertura da CPI da Lama com Alexandre

30/12/2004
Casos Marval e Pagotto são ligados: fraudes e assassinatos em Vitória e VV podem ser apurados

08/12/2004
Aparecida fica sem segurança da Polícia Federal e silencia para não ser morta

04/11/2004
Transparência tenta mas não consegue justificar desinteresse por negócios de Pagotto com governo
Editorial: Transparência caolha

03/11/2004
Aparecida cobra investigações sobre os bens de Pagotto
CPI da Lama aguarda liberação judicial e deve voltar em janeiro
Editorial: Transparência míope

15/10/2004
Polícia tenta descaracterizar queima de arquivo para livrar Pagotto de mais um assassinato

13/10/2004
Aparecida pede ao ministro da Justiça um novo delegado

11/10/2004
Sebastião Pagotto só deverá ir a julgamento no próximo ano

05/10/2004
Denadai, vereador reeleito, exige reabertura
da CPI da Lama e a punição de Pagotto

Editorial: Bizarro!

28/09/2004
Cesan beneficia empresa do mandante da morte de Denadai com contratos de R$ 2,9 milhões

23/09/2004
STF manda reabrir CPIs da Câmara de Vitória mas o acórdão não sai

27/08/2004
Supremo derruba decisão do TJ que parou três CPIs em Vitória

19/08/2004
Aparecida Denadai cobra da polícia resposta para caso Léo

13/08/2004
Polícia procura mandante do assassinato de Léo

12/08/2004
Família de Léo acha que ele confiou em pessoas erradas

04/08/2004
Polícia nega, mas está à procura de suspeitos

28/07/2004
Morte de Léo faz um mês e delegado vai pedir mais prazo

20/07/2004
Direitos Humanos: Conselho cobra ação da polícia e mais apoio federal

19/07/2004
Conexão entre mortes de Pejota e Léo não está descartada

15/07/2004
Tudo na estaca zero: 16 dias de silêncio total na polícia

14/07/2004
Em segredo, polícia continua caçada aos assassinos de Léo

13/07/2004
Polícia Civil nega, mas já tem três suspeitos do assassinato de Léo

12/07/2004
Preso suspeito do assassinato de Leo, 4ª vítima da queima de arquivo

09/07/2004
Aparecida Denadai critica silêncio da polícia e cobra resultados

08/07/2004
Criminalista garante ter documentos sobre mortes
Editorial: Investigações emperradas

07/07/2004
Rastreamento telefônico é o caminho para elucidar os crimes

06/07/2004
Inquérito da morte de Pejota está paralisado na DHPP
Editorial: Na linha de tiro

02/06/2004
GRCO já sabia que Leo estava envolvido no Caso Denadai e corria perigo
Pacto de silêncio policial ameaça vida de envolvidos e testemunhas

01/06/2004
Há muito dinheiro público por trás dos assassinatos, diz repórter
Morte de Leo: polícia ouve testemunhas
Editorial: Assassinos à solta

15/04/2004
Dois anos depois, caso Denadai continua sem conclusão

30/06/2004
Pistoleiros mataram mais uma testemunha do assassinato

15/03/2004
Polícia se surpreende com anúncio da prisão de suspeito de matar Pejota

13/02/2004
Inquérito sobre morte do matador de Denadai está parado na Justiça

10/02/2004
Polícia troca delegado que apurava morte do executor de Denadai

13/01/2004
Polícia pede mais prazo para apurar morte de executor de Denadai

31/12/2003
Júri popular de matadores de Denadai será definido em fevereiro

23/12/2003
Aparecida Denadai quer a Federal na apuração da morte de 'Pêjota'

13/08/2003
Irmã de Denadai diz que libertação de Pagotto é 'absurdo judicial'

01/07/2003
Mecânico é morto no lugar de testemunha do caso Denadai

09/04/2003
Caso Denadai: Pagotto é mandante, diz envolvido

Promotor quer rescisão do contrato entre PMV e empresa de Pagotto

02/04/2003
Tribunal de Justiça decide manter Pagotto preso

26/03/2003
Sebastião Pagotto continua preso

19/03/2003
Sebastião Pagotto vai continuar na cadeia

18/03/2003
Procurador afirma que integrantes da Le Cocq tentou intimidar testemunhas e juíza do Caso Denadai

17/03/2003
Caso Denadai: delegado aponta contradições em depoimentos

13/03/2003
Contradição marca depoimento de Pagotto
Testemunha do caso Denadai é assassinada
Depoimento de Pagotto deve esclarecer morte de advogado

07/03/2003
Família de Denadai acusa: Pagotto não agiu sozinho

26/12/2002
Decretada a prisão preventiva de Sebastião Pagotto

19/12/2002
Caso Denadai encaminhado à Justiça

17/12/2002
Caso Denadai: PF estoura ferro-velho

06/12/2002
Caso Denadai: empresário confirma ligação para executor do crime

05/12/2002
Empresário é indiciado por morte de Marcelo Denadai

11/11/2002
Caso Denadai volta ao zero: missão admite que seguiu pistas erradas

02/09/2002
Missão especial já tem dois mandados de prisão na mão

21/08/2002
Sumário do Caso Denadai em Cachoeiro

15/08/2002
Polícia já tem provas contra os mandantes da morte de Denadai

29/07/2002
Polícia Federal ouve testemunhas do assassinato de Denadai

23/07/2002
Caso Denadai nas mãos da Missão Especial

22/07/2002
Novo inquérito foi solicitação pessoal do ministro da Justiça

18/07/2002
Missão Especial atrás dos mandantes do assassinato de Denadai

15/07/2002
Investigação da morte de Denadai parada após 3 meses

08/07/2002
Ministério Público apura envolvimento de major na morte de Denadai

Suspeito de envolvimento em morte de advogado tem mais dez processos na Justiça

01/07/2002
Mulher de PM suspeita de ajudar a matar Denadai

21/06/2002
Delegado violou computador
Irmão de Denadai quer investigação sobre os mandantes do assassinato

17/06/2002
Mandantes de assassinato de Denadai ficam livres

14/06/2002
Assassinos foram ao escritório de Denadai horas antes do crime

12/06/2002
Polícia vai ouvir funcionário que esteve com Denadai antes do crime

11/06/2002
Caso Denadai: comerciante é convocado

10/06/2002
Polícia Civil ouve Aparecida Denadai

05/06/2002
"O crime organizado está infiltrado na polícia", diz irmã de advogado
Agesandro quer PF nas investigações do Caso Denadai

13/05/2002
Arma usada na morte de advogado pertence a PM

10/05/2002
Força-tarefa discute rumos do caso Marcelo Denadai

09/05/2002
Assassinos de Denadai tinham firma para lavar dinheiro

19/04/2002
Apreendido mais um carro usado na morte de Marcelo Denadai
MP e polícia perto do mandante do assassinato de advogado

18/04/2002
Policial é suspeito de assassinar Denadai

17/04/2002
Gravações telefônicas são nova pista de assassinato de advogado


»» Clique aqui e acompanhe tudo que saiu sobre Crime Organizado em Século Diário