 |
Século Diário
|
 |
|
 |
|
| Rogério Medeiros
|
|
Alemães
|
|
A mata de sua propriedade é uma
verdadeira reserva biológica
Um homem e sua floresta: Kautsky replantou em suas
terras as mudas tiradas das matas derrubadas,
para estudar cada espécie de planta
Esse terreno está me nome de sua família desde o século passado. Ele conseguiu segurá-lo declarando a mata como reserva biológica. Além de frequentá-la com muita assiduidade, mantém ainda uma relação de intimidade com as florestas vizinhas. E convicto de que os descendentes de alemães como ele são, de certa forma, preservacionistas, Kautsky observa: "Basta olhar as matas que circundam Domingos Martins para constar o que digo".
Sua propriedade tem apenas 25 hectares. Como ele faz suas pesquisas em outras matas, a tendência é achar que ele dispõe de um vasto campo de atuação. Embora faça muito segredo para não ser atrapalhado, Kautsky está na iminência de aproximar-se de um macaco que desconfia ser ainda uma espécie desconhecida. Já conseguiu inclusive fotografá-lo. Esse macaco é hoje o centro de suas atenções.
Mas ele tem um enorme ressentimento por não conseguir autorização do Ibama para coletar plantas. "Eu só as recolhi para que a ciência pudesse tomar conhecimento de sua existência. E quando a gente faz assim, colhe apenas uma unidade." Com essa proibição, o governo, certamente, está tolhendo um de seus maiores pesquisadores de campo de colaborador com a ciência. interessante é que a venezuelana que está em sua mata pesquisando chegou com autorização do Ibama para fazer coleta. E nada como registrar uma discriminação para condecorar um dos mais importantes pesquisadores da Mata Atlântica, que talvez viva essas dificuldades junto ao Ibama por lhe faltar formação acadêmica. Mas nem por isso Kautsky vai deixar de contribuir com a ciência. Se Ruschi, que era um cientista de renome mundial, foi discriminado, imagine um simples camponês que entrou nesse campo levado pelo seu amor à natureza e acabou tornando-se um pesquisador de renome internacional.
|
|
|
|