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Índios, Negros e Portugueses
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Aventureiro inglês fundou Piúma, levou à cidade o progresso e trouxe colonos da Inglaterra
Thomas Dutton, ao centro, idealizou grandes projetos e e tentou
implantar uma colonização inglesa em Piúma
O fundador de Piúma, Thomaz Dutton Júnior, nasceu em Londres em 1822, e fez parte de uma legião de europeus aventureiros que enriqueceram, ou empobreceram, na América. Não se conhece com exatidão a data de sua chegada ao Brasil, mas sabe-se que morou muitos anos no Rio de Janeiro. Depois, por volta de 1865, fixou residência numa pequena vila de pescadores do Sul do Espírito Santo, que veio a ser Piúma. Uma vila que ele engrandeceu e modernizou, podendo ser considerado seu fundador.
Lá construiu trapiche, iluminou a vila a gás (aliás, a primeira a contar com tal melhoramento no Estado), exportou muita madeira e sonhou edificar uma colônia inglesa na sesmaria que havia adquirido na região. Para isso viajou a Londres, onde aliciou colonos das famílias Taylor, Thompson, Wacks, Pacca, Oenes, Ombre, Johne Burck.
Além de tirar da floresta, com o auxílio dos índios, a madeira que descia pelo rio Iconha até Piúma, procurou iniciar, com pouco êxito, outros investimentos que entendia rentáveis, como a exploração de ferro magnético e a construção da estrada de ferro Piúma-Cachoeiro de Itapemirim. Desejava através dela transportar turfa, mármore, pedras calcárias e madeiras. Fora de Piúma, Thomaz construiu, com o barão de Lagoa Dourada, a ponte sobre o Rio Paraíba do Sul, na cidade de Campos, no Rio de Janeiro.
Em abril de 1866 encontrou-o, em Piúma, o bispo do Rio de Janeiro, D. Pedro Maria de Lacerda, em visita pastoral, e assim o descreveu: "Nesta sala apareceu-me o velho inglês Thomaz Dutton, aspecto sisudo, mas simpático e muito cortês. Disse ser conhecido e amigo do ótimo católico finado Diogo Andrew, meu amigo, que ele mesmo classificou como um santo, É amigo também do finado sr. Norris, católico fervoroso de Niterói, antigo relojoeiro da corte. Entretanto, pelo que ouvi dizer, é protestante. É dono do trapiche onde desembarcamos, diz ele ter algumas sesmarias que comprou por aí e onde tem colonos ingleses, que, infelizmente, são também protestantes. Fala bem o português, embora com acentuação inglesa".
No ano seguinte, Dutton, baseado na Lei 3.140/882, se naturalizou brasileiro, declarando-se viúvo, católico, agricultor e proprietário em Piúma, com os filhos Alfredo, José e José Simeão. Provavelmente houve erro no registro de sua idade, dada como 50 anos, pois ele já contava, no mínimo, com 65 anos, como se infere no texto do bispo. Tinha também filhos com outra mulher, que eram Teclina, Cecília e Alice.
O "velho Dutra" e seu fracassado esforço colonizador
De 1890 a 1894, já na República, Dutton, já velho e sem forças para desenvolver suas empresas, começou a hipotecar seus bens e negociar suas terras, totalizando 73 vendas. Consta que a última coisa que vendeu foi um relógio de ouro. Seu contemporâneo Eliseu Nunes Xavier disse que Dutton morreu louco (provavelmente esclerosado e abatido pelo fracasso) em 4 de dezembro de 1906.
Ainda hoje há no Espírito Santo, principalmente em Iconha, descendentes desses imigrantes ingleses, os quais perderam quase que totalmente a consciência de sua origem. Não mantiveram a cultura inglesa, e só os nomes que ostentam ainda lembram a aventura colonial de Thomaz Dutton Júnior, o velho Dutra, como era conhecido na região. A vida de Dutton e seu fracassado esforço colonizador no Espírito Santo contestam velha tese de que se o Brasil tivesse sido colonizado por europeus mais ao Norte, em lugar dos portugueses, seria hoje outra nação. A regra, no entanto, mostra que, muito embora pudessem realizar conquistas nos trópicos, os europeus não europeizaram os trópicos, nem mesmo em regiões de temperaturas européias.
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