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Século Diário
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Revista Século
de maio nas bancas
O capixaba de sucesso desta edição é também a capa da revista: Roberto Anselmo Kautsky. Talvez ele seja o capixaba de maior sucesso internacional no momento, pelas pesquisas que vem realizando na mata que cerca o complexo industrial do Guaraná Coroa, por ele fundado. Hoje distante dos negócios - entregue a seu filho -, Kautsky vem se dedicando integralmente ao trabalho científico, reconhecido por grandes pesquisadores de todo o mundo.
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| Rogério Medeiros
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Italianos
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Fugindo do desemprego e da fome
Centenas de trabalhadores espremem-se num dos navios em que viajaram para o Brasil
Mas para obter êxito na pretensão de levar o jacarandá para a Europa havia necessidade de braços humanos para derrubar matas. Nesse ponto, seus interesses se conciliavam com os do governo imperial, que cogitava essa mesma mão-de-obra para abrir novas fronteiras agrícolas. Segundo o mais notável abatedor de árvores do mundo, também descendente de italianos, Rainor Grecco, a região de Aracruz não possuía a mesma quantidade de jacarandá por hectare que havia no Norte do estado, principalmente em terrenos acima do Rio Doce. Para extraí-los nas matas de Aracruz era quase que necessário derrubar núcleos inteiros de florestas.
O historiador Luiz Serafim Derenzi atribui a Tabacchi a iniciativa de buscar na Europa - "na região que conhecia e dominava bem, que é o Trento" - a mão-de-obra que precisava para viabilizar seu empreendimento comercial. "A Itália passava pela sua mais grave crise social e econômica", escreve Derenzi, "resultado do novo mapa europeu traçado pelo Congresso de Viena, em 1815, após as guerras napoleônicas, que culminaram, em 1870, com o surgimento do Império da Alemanha, da Monarquia dual da Austria-Hungria, do Reino da Itália e da independência dos Países Baixos".
De acordo ainda com Derenzi, "a integração resultante destes novos estados gerou conflitos internos, alterações estruturais, empobrecimento público e, como conseqüência lógica, a falta de teto, o desemprego e a fome".
Na verdade, Derenzi se referia às novas limitações impostas pelo nascente capitalismo na Europa como fator preponderante do fenômeno migratório de italianos para o Brasil.
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