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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Italianos
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A dura vida dos escravos brancos
A história dos imigrantes italianos não se deu única e exclusivamente nas regiões de florestas desabitadas que conquistaram e onde criaram suas propriedades, mas também em outros lugares do Estado dominados por fazendas escravocratas. Foi o caso principalmente de Castelo, onde serviram como meeiros de proprietários rurais, na maioria das vezes donos de extensas terras. Substituíram, segundo o historiador Agostino Lázaro, a mão-de-obra escrava por outra que veio da Europa: a dos "escravos brancos".
Realmente, foi dura a vida desses imigrantes que foram para o Sul do Estado substituir a mão-de-obra escrava. Além de terem que destinar dias de trabalho gratuito aos patrões, exigência principal para ocuparem a meia (forma de parceria na colheita), eles ainda eram obrigados a adquirir mercadorias nos armazéns dos fazendeiros.
Eles viveram nessas condições anos a fio, até que seus patrões foram atingidos pela crise do café. Muitos deles, para superar a crise, foram obrigados a desdobrar suas propriedades em pequenas partes, vendendo-as aos seus próprios meeiros. Deu-se início, com esse processo, à introdução, também no Sul do Estado, da pequena propriedade rural, que já havia se fixado no estado com os imigrantes que se dirigiram às suas regiões centrais.
Até conquistar suas terras, esses imigrantes italianos que serviram nas fazendas escravocratas viveram, de certa forma, massacrados na relação imposta por seus patrões. E a história dessa relação registra muita violência praticada pelos fazendeiros, principalmente na sua vinculação ao armazém, quando da venda da sua parte na colheita de café. É célebre na região Sul do estado a história da resistência do italiano Carlino Menditti na Fazenda do Castelo.
Primeiros italianos chegaram em 1854
É necessário distinguir das demais correntes migratórias o fenômeno das imigrações em massa surgidas a partir da expedição Tabacchi. Isso porque já existiam italianos no Espírito Santo bem antes de Tabacchi.. Eles se encontravam nas Colônias Imperiais do Rio Novo e de Santa Leopoldina, fundadas respectivamente em 1854 e 1856. Eram colônias relativamente modestas, que abrigavam também imigrantes de outras partes da Europa. Depois, outras colônias também foram criadas, com o objetivo, no entanto, de melhor disciplinar as torrenciais correntes imigratórias italianas que se dirigiram para cá.
Fora dos núcleos coloniais, a primeira localidade que efetivamente aglomerou italianos para formar uma vila foi Santa Teresa, criada na região alta do Estado em 1875. Sua ocupação iniciou-se com a chegada de alguns revoltosos da Colônia Nova Trento, de Tabacchi. Segundo o historiador Luiz Carlos Biasutti, no seu livro "No Coração Capixaba ", seus fundadores foram Paulo Camper; Giuseppe Palli, Francesco Basseti, Bernardo Camper, Lazero Toniní, Anibale Lazero, Daniele Palauro e Abramo Zurlo.
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