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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Italianos
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O integralismo como opção política
Convencidos pelos membros da Ação Integralista Brasileira e
pela Igreja Católica de que suas propriedades e suas famílias
corriam sérios riscos, os colonos italianos e seus descendentes
mergulharam com grande espirito de luta na aventura do
integralismo, criado por Plínio Salgado, na década de 30
A atividade política mais intensa dos imigrantes italianos no Espírito Santo deu-se na época do integralismo, um movimento criado por Plínio Salgado, na década de 30, com base na experiência italiana do fascismo e no apoio de parte do clero da Igreja Católica. A Ação Integralista Brasileira fazia contraponto ao Partido Comunista Brasileiro, fundado em 1922, e tinha o nacionalismo, o catolicismo e o ideal mussolinista de um Estado forte e centralizador como força arregimentadora. Tudo isso se resumia, de maneira bastante eficiente, no slogan integralista "Deus, Pátria e Família", que empolgou a população de alguns dos principais Estados, como Rio de laneiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia e Ceará.
A primeira reunião dos integralistas realizou-se em março de 1933, em São Paulo, e o seu primeiro congresso, destinado a dar uma estrutura ao movimento, ocorreu 11 meses depois em Vitória. A forte presença dos italianos facilitou a disseminação da doutrina integralista no Espírito Santo, onde seus dirigentes foram recrutados sobretudo entre profissionais mais representativos das classes médias urbanas. Destacaram-se aqui como principais chefes do integralismo Arnaldo Magalhães, João Linhares, Afonso Del Claro, Alberto Silvares, Américo Gasparini, Antônio Pagani, Archilau Vivácqua, Etiene Dessaune, Enrico Aurélio Hidelbrando Ruschi, Gastão Roubach, José Cola, Lastênio Calmon Júnior, Ponciano Stenzel e Dalton Penedo.
Numa sociedade em transição inserida no contexto internacional das lutas ideológicas entre comunismo e fascismo, a Ação Integralista significou, para os colonos italianos e seus descendentes, uma opção pelo anticomunismo. Mas também teve marcante influência na adesão em massa a afinidade do integralismo com as idéias do ditador italiano Benito Mussoliní. O carismático Plínio Salgado, chefe nacional da Ação Integralista, também colecionava admiradores extremados na colônia italiana, graças a seus discursos inflamados pelo rádio. Ex-militantes integralistas se lembram de que na época eles costumavam se reunir num grupo numeroso para ouvir Plínio "e tinha até uns que choravam". Plínio esteve uma vez em Castelo, falou para um grande público dentro de uma igreja e causou a mesma comoção.
Doutrina explorava o terror de perder a propriedade
De acordo com o historiador Agostino Lázaro, autor de "Lembranças Camponesas" juntamente com Glecy Coutinho e Cilmar Franceschetto, os colonos "viram na ameaça comunista propalada pelo integralismo a possibilidade da perda da propriedade que a duras penas conseguiram aqui no Brasil, a ponto de ter que abandonar a pátria de origem, e isso os remetia à questão que os havia trazido para o Brasil: a luta pela posse da terra"
No interior do Espírito Santo, um dos livros de doutrinação mais populares entre os simpatizantes do movimento, intitulado "O integralismo ao alcance de todos", definia, de maneira bastante simplória, o comunismo como "uma porção de homens que querem tomar conta do governo do Brasil para acabar com a família". Contudo, pela influência das lutas políticas municipais, o comunismo muitas vezes era confundido com o PSD (Partido Social Democrata, de orientação conservadora), chamado pelos integralistas de Venda Nova, Castelo e Conceição de Castelo de Partido Sem Deus.
Um dos núcleos integralistas mais atuantes era o de Venda Nova, uma vilazinha pertencente ao município de Conceição de Castelo. Muniz Freíre, João Neiva e Santa Teresa foram municípios que também se destacaram pela adesão ao movimento. Usando camisas verdes com o símbolo do integralismo costurado nas mangas, os militantes desfilavam pelas ruas, impressionando pela organização quase militar com que se apresentavam ao público. Às vezes os desfiles terminavam em conflitos e mortes.
Em Conceição do Castelo, houve um forte movimento antiintegralista por iniciativa dos portugueses que faziam parte da elite do local, o que freqüentemente resultava em conflitos com a comunidade de Venda Nova, onde predominavam os italianos. Muitos colonos, no entanto, que se tornaram integralistas, não foram atraídos pelo conteúdo ideológico ou político, mas pela oportunidade de se diferenciarem, pelo uniforme e pelo ritual do movimento, aos olhos de suas comunidades.
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