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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Italianos
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O integralismo como opção política
Primeiro movimento de massas do país, integralismo
foi escoadouro das forças de direita
Em cada núcleo de colonização italiana formaram-se
tropas fardadas contra o socialismo e o comunismo,
envolvendo até crianças no movimento
A Ação Integralista Brasileira foi o primeiro movimento de massas no país. Dois anos depois de ser fundado, promoveu uma demonstração de força no Rio de Janeiro, com a participação de quatro mil militantes. Em meio as escaramuças com os grupos de esquerda, especialmente a Aliança Libertadora Nacional, a Ação Integralista, nascida num meio católico e intelectual, tornou-se o escoadouro natural de forças autoritárias de direita.
Depois de se tornar partido político em 1936, o movimento integralista, no ano seguinte, lançou Plínio candidato a presidente da República. Com a instauração do Estado Novo por Getúlio, começou a repressão aos integralistas. Eles reagem realizando um atentado contra Getúlio, ocorreram prisões em massa e Plínio foi obrigado a exilar-se.
O que sobrou do movimento integralista foi acolhido numa agremiação política criada especialmente para esse fim, quando a derrocada do Estado possibilitou o aparecimento de novos partidos. No Espírito Santo, o PRP (Partido da Representação Popular) surgiu em 1945, sob o controle rígido de um grande orador religioso e empolgante agitador de massas, o padre Ponciano dos Santos, que se elegeu três vezes deputado federal.
Foi tal o rigor da disciplina imposta ao partido, que o padre transformou em deputado estadual, com apenas três meses de residência no Espírito Santo, um sobrinho que ele trouxe do Rio Grande do Sul, e nenhum militante o contestou. Essa disciplina era evidentemente uma herança da Ação Integralista, com uma diferença, porém: ninguém ousava mais usar a camisa verde que identificava os militantes de Plínio. Ponciano foi substituído no comando do PRP por Oswaldo Zanelo, também eleito deputado federal.
Tendo o PRP como única opção para sua militância, a comunidade italiana capixaba acabou confinada, na sua atuação política, a um projeto político extremamente modesto como era o partido herdeiro da ambiciosa Ação Integralista. Lutando com dificuldades, o PRP nunca passou de um partido de pequeno porte no Espírito Santo.
Nas décadas de 40 e 50, com o poderoso PSD, comandado por Carlos Lindenberg e Jones dos Santos Neves, dominando o cenário político capixaba, a única liderança política de origem italiana bem-sucedida foi a de Atílio Vivácqua, do PR (Partido Republicano), que na oposição elegeu-se duas vezes senador. Contudo, Vivácqua não era exatamente um italiano de origem camponesa como a maioria dos imigrantes. Muito pelo contrário. Sua família chegou ao Espírito Santo antes dos primeiros imigrantes italianos, dedicou-se ao comércio inicialmente em Muniz Freire e tornou-se uma das mais ricas do estado.
Só no final dos anos 50 é que Raul Giuberti, filho de imigrantes com base eleitoral em Colatina, se tornaria uma expressão política de maior peso, mas atuando de maneira isolada da comunidade e sem o menor vínculo com remanescentes da Ação Integralista. Graças à sua atuação como médico, Giuberti, filiado ao PSP de Ademar de Barros, conquistou a prefeitura de Colatina, tornou-se depois vice-governador e por duas vezes elegeu-se senador. Com o advento do regime militar, destacou-se politicamente Henrique Pretti, vice-governador de Arthur Carlos.
O nascimento de um novo partido
Da Ação Integralista foram para o PRP os seguintes dirigentes: em Castelo, Antenor Hermínio Bassini, Luiz Machado, Lino Ceotto, Ângelo Perim e Geraldo Bassini; em Santa Teresa; Sebastião da Silva Marreco, Henrique Ruschi (irmão do falecido cientista Augusto Ruschi), Luiz Gasparini e Ântelo Frechiani; em lbiriçu, José Fávaro, Silvino Possato, Lastênio Calmon, Silvério Del Caro, Antônio Barroso Gomes; em Colatina, Pergentino Vasconcelos, Henrique Santana, Josaphá dos Santos Gomes, Alberto Celim, Guerino Camata, Hilário German, Alberto Romanha, Pedro Ceolim (pai do atual presidente do PFL, Pedro Ceolim), Izaldino Ceolim e Moacir Soeiro.
Pelas suas origens, o PRP herdou o apoio de setores influentes da Igreja católica que antes davam sustentação ao integralismo, como também das áreas colonizadas por italianos e seus descendentes. Com o prestígio de que desfrutavam em suas paróquias, vários padres deram uma contribuição decisiva para a eleição de candidatos do partido. O mais conhecido deles é frei Jacinto, da paróquia de Santa Teresa, forte reduto da antiga Ação Integralista. Entidades católicas também apoiavam o PRP, especialmente a Federação das Congregações Marianas, cujo presidente, Jorge Bueri Sobrinho, foi durante muito tempo secretário do partido.
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