Com a eleição de Gerson Camata para o governo do Espírito Santo em 1982, a comunidade de imigrantes e seus descendentes, já amplamente influente na vida política e econômica do Estado, tornou-se pela primeira vez efetivamente presente no poder. Neto de imigrantes que se dedicaram à lavoura inicialmente em Venda Nova e depois em Marilândia, Camata, antes de tornar-se o político bem-sucedido que é, ajudou o pai Higino Camata na lavoura de café. Formou-se economista pela UFES e tornou-se muito popular graças a um programa de rádio com notícias policiais, o que lhe garantiu votos suficientes para se tornar vereador em Vitória.
Daí em diante, construiu uma carreira que o transformou num dos maiores fenômenos eleitorais da história do Espírito Santo, graças à habilidade para perceber a direção em que sopravam os ventos favoráveis da política. De político identificado com o autoritarismo vigente no país (foi eleito sucessivamente vereador, deputado estadual e deputado federal pela Arena, partido que dava sustentação política ao regime militar), Camata converteu-se, em 1982, em líder de oposição ao disputar e vencer as primeiras eleições diretas para governador pelo PMDB, com o apoio de grupos de esquerda.
A vitória de Camata abriu as portas para o sucesso na política de outros representantes da comunidade italiana, inaugurando um período extremamente favorável às suas aspirações políticas que a primeira e a segunda gerações de imigrantes não souberam concretizar, pela incompatibilidade do integralismo de origem fascista com a democracia. Dois anos após a eleição de Camata, vários sobrenomes de italianos estavam na lista de prefeitos eleitos, entre eles Tadeu Giuberti, em Colatina; Nicolau Falcheto, em Conceição do Castelo; Adelson Salvador, em Nova Venécia; Anastácio Cassaro, em São Gabriel da Palha; Primo Bitti, em Aracruz; Etevaldo Dalmásio, em Santa Teresa; Darci Marchiori, em Iconha, e Dejair Caversan, em Marilândia. Em 92, de 71 prefeitos eleitos, 29 tinham origem italiana. Na Assembléia Legislativa, os descendentes de italianos espalham-se por partidos muito diferentes ideologicamente, desde os de esquerda, como o PT, onde estão José Carlos Coser e Brice Bragatto, aos de direita, como o PFL, em que atua José Carlos Gratz, passando pelo PTB de Ricardo Ferraço e pelo PMDB de Jauber Pignaton.
Para a Câmara dos Deputados, o Espírito Santo enviou, em 90, uma campeã de votos, Rita Camata, filha de modesta família de Venda Nova, a família Paste, e considerada uma das mais sérias e competentes parlamentares do país. O ex-vice-governador do Estado, Adelson Salvador, foi um dos fundadores e primeiro presidente da Federação Italo-Capixaba de Entidades Culturais, que congrega 30 associações. Entre os objetivos da associação figuram a adoção da dupla cidadania, criação de um consulado de carreira no estado e bolsas de estudo na Itália, não só para mestrado como para cursos de capacitação profissional.