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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Poloneses
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Heróis anônimos na Mata Atlântica
A colheita da acerola
A floresta inóspita e quase indevassável era assustadora; os animais, desconhecidos e muitas vezes perigosos; as doenças tropicais, uma ameaça quase permanente à vida. Ainda assim, os poloneses que começaram a chegar ao Espírito Santo a partir de 1928 enfrentaram todos os desafios que esse novo mundo lhes oferecia. Homens, mulheres e crianças de pele branca e delicada, olhos azuis e cabeças louras, atormentados pela devastação do seu país de origem pela Primeira Guerra Mundial, foram os heróis anônimos de uma singular epopéia que teve como palco a região de Águia Branca, com sua natureza exuberante e pontilhada de montanhas de granito.
Hoje, 84 anos depois do início da colonização polonesa, a cidade, que inicialmente foi uma pequena e paupérrima vila pertencente ao município de Colatina e depois ao de São Gabriel da Palha, apresenta invejável performance dentro do cenário econômico do estado. Com 8,5 mil hectares de área plantada, a cafeicultura produz anualmente cinco mil toneladas e é a principal fonte de renda, vindo em segundo lugar a pecuária, com um rebanho formado por 11.500 cabeças de gado, responsável pela produção anual de dois milhões de litros de leite e 21 mil arrobas de carne.
Além da acerola, uma cultura recentemente introduzida com sucesso, Águia Branca também produz anualmente mais de três mil toneladas de banana, 1,2 tonelada de arroz, 850 toneladas de milho e outras 480 de feijão. A estrutura fundiária evoluiu de tal modo que facilitou a posse da terra pelo agricultor de menor poder aquisitivo. Das 787 propriedades rurais existentes no município, pelo menos 500 têm no máximo 50 hectares, segundo o Departamento Estadual de Estatística. A população urbana é de 1.300 habitantes e a rural, de 8.446.
Para quem vinha de um país devastado pela guerra com a promessa de terra própria, num lugar verde, fértil e virgem, a vontade de vencer foi fundamental para a fixação dos novos colonos. Quando iniciou-se a Segunda guerra mundial, foram sepultados de vez os sonhos de retorno à Europa para aqueles que resistiam ao novo estilo de vida num país que, apesar de costumes totalmente diferentes, pelo menos oferecia uma coisa muito importante: paz no meio da floresta tropical.
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