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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Poloneses
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Enganados e abandonados
pelo governo brasileiro
Desde o início da colonização, o calor, as doenças como malária e o total desconhecimento da região e do idioma levaram os imigrantes a passar por privações agudas. Acostumado a uma dieta em que a batata era um dos principais ingredientes, os poloneses tiveram que aprender a plantar milho, mandioca e banana, até então desconhecidos por eles. Os nativos da região é que se encarregam de orientá-los sobre as novas culturas agrícolas, porque não havia qualquer assistência do governo. Porém, nem sempre tiveram êxito. Não havia plantação que resistisse ao ataque de centenas de papagaios que povoavam a região, até que um dia alguém explicou que a colheita tinha que coincidir com a época em que amadureciam nas matas as frutas preferidas dos papagaios.
As lavouras eram também atacadas por capivaras, tatus, cotias, pacas, coatis, tamanduás, macacos, veados mateiros, jacotingas e mutuns. Era um exército de predadores sobre o qual os imigrantes nada leram no folheto distribuído na Polônia, no final dos anos 20, pela Sociedade de Colonização de Varsóvia (Towarzystwo Kolonizacyjne), chamando atenção para um país de terras férteis, com destaque para a região do Vale do Rio São José, ao Norte do Rio Doce. Através de um contrato datado de 6 de outubro de 1928, a Sociedade de Colonização de Varsóvia havia recebido concessão gratuita do governo do Espírito Santo de 50 mil hectares de terra em Colatina e São Mateus, para dividi-la em dois mil lotes de 20 a 30 hectares.
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