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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Poloneses
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Ex-combatente luta contra solidão
Poucos são os que o visitam. Sua vida se resume a ir à lavoura de café da sua propriedade e tratar das suas criações. O resto do dia ele passa numa modesta casa de um cômodo só, onde tem sua cama, armário, fogão. Mozol lava sua roupa e cozinha sua comida. Quando a solidão aperta, como vem ocorrendo nos últimos tempos, ele anda dois quilômetros a pé para ir dormir na casa da mãe, uma senhora de 90 anos, que vive com a filha.
O velho ex-combatente do Exército de Libertação Polonês vive uma vida que às vezes beira a pobreza, principalmente quando a safra do café é pouca. Resta-lhe o rendimento de uma modesta aposentadoria rural. Como ex-soldado, de vez em quando, recebia algum dinheiro de uma entidade de ex-combatentes poloneses de São Paulo, mas isso não acontece mais há muitos anos. Interessante é que ele, quando foi para guerra, acalentava o desejo de voltar à Polônia. Todo o tempo em que esteve na frente de combate desejou reencontrar seus familiares que ficaram lá. Chegou perto da fronteira, mas não pôde entrar. Para ingressar na Polônia, teria que deixar a condição de soldado. Desistiu da idéia. Com o tempo, recebeu a comunicação de que sua família havia desaparecido na guerra. Agora, os Mozol só existem no Brasil e no Canadá, para onde havia seguido outro ramo da família.
Mozol vive a solidão do herói e a dor do ex-combatente de guerra. Entre as poucas peças de roupa que ele guarda no seu armário, encontra-se sua jaqueta de soldado, que guarda com extremo carinho. De vez em quando, ele a usa, especialmente quando aparece alguém de fora em busca de histórias de guerra, que ele se esforça para apagar da sua memória. Aos 68 anos de idade, percebe-se que ele maldiz a hora em que tomou a iniciativa de se apresentar como voluntário. "A guerra não presta, não devia existir", diz Mozol.
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