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Rogério Medeiros

Poloneses

Grupos de dança folclórica preservam as tradições dos seus antepassados


As famílias mandavam fazer fotografias antes do embarque,
memória preservada pelos descendentes, que acima posam
com o presidente da Companhia de Varsóvia, Walery,
depois da II Guerra , em Águia Branca


O grupo folclórico polonês de Águia Branca está com apenas cinco anos de existência, mas já se constitui num dos mais importantes do Estado. Em Santa Maria de Jetibá, arrancou aplausos calorosos por ocasião da sua apresentação no festival de Danças Folclóricas Européias, em junho de 94. As danças, bem como as músicas de seu repertório, datam dos primórdios da Polônia e foram trazidas pelos colonizadores da região de Águia Branca. O aperfeiçoamento do grupo folclórico, no entanto, veio através do intercâmbio com poloneses radicados no Paraná, que estiveram em Águia Branca incentivando a sua criação. O objetivo não é apenas apresentar danças, mas ser um instrumento para a preservação da cultura e tradições polonesas, que estavam gradativamente se extinguindo na região, segundo o professor Luiz Carlos Fredeszen, que fundou e dirige o grupo.

De acordo com Luiz Carlos, a consciência da preservação, combinada com o empenho dos figurantes do grupo, é que vai criar as condições de o próprio polonês imigrante voltar a ter orgulho da sua história. O mais interessante é que se trata de um movimento de filhos de poloneses, como é o caso de Luiz Carlos e de Pedro Wrublewski, presidente da associação cultural Polonesa de Águia Branca.

"Queremos", diz Pedro, "fazer com que as futuras gerações não tenham as dificuldades que a minha teve para descobrir a beleza da cultura de nossos antepassados". O mesmo sentimento contagia Luiz Carlos. Os integrantes do grupo folclórico são, em sua maioria, descendentes de poloneses. Eles querem atrair o interesse de imigrantes de outras origens e de brasileiros para sua cultura.

Luiz Carlos se lembra das histórias da Polônia que ouvia de sua avó. Ficava fascinado com a descrição que ela fazia dos grupos folclóricos de lá, o que despertou nele uma grande curiosidade sobre país. Seus avós fazem parte do primeiro grupo de poloneses que chegou a Águia Branca, em 1928. O avô era alfaiate e o pai de Luiz Carlos , ferreiro.

Situando-se propriamente no grupo de dança, Luiz Carlos comenta as danças que eles habitualmente apresentam: a "polka", a "mazur" e o "kuyawyak". A primeira é uma dança caracterizada por movimentos rapidíssimos. Os dançarinos devem mostrar muita agilidade. A "polka" é praticamente uma dança apresentada por todos os grupos europeus, com exceção do italiano. Isso ocorre principalmente no Espírito Santo, onde já existem grupos de origem alemã e pomerana. É uma dança mais lenta, característica da elite polonesa. Já o "kuyawyak", intercalando movimentos lentos e rápidos, serve para que os dançarinos expressem seus sentimentos.

Os mais antigos imigrantes sempre expressaram muita tristeza ao se lembrarem das festas polonesas, segundo Pedro, e esse sentimento constitui-se, de certo modo, numa grande barreira para a preservação das tradições culturais dos poloneses em Águia Branca. Assim, todo o esforço atual da Associação Cultural Polonesa é no sentido de romper essa resistência, fazendo com que eles, como já está ocorrendo com os filhos, assumam sua identidade ética. Apesar de se adaptarem bem ao uso de plantas tropicais como a mandioca, eles mantiveram intocada sua culinária tradicional, onde os principais pratos são o pastel doce, um ensopado com carne de porco, lingüiça, tomate e chucrute, e o "bapka", uma espécie de panetone.


Proibidos de falar a própria língua

Quase todos os poloneses que vieram com mais de 20 anos de idade tinham instrução primária. Os mais novos, que formavam a mão-de-obra exigida pela empresa de colonização, estudaram no Brasil, mas continuaram, por influência dos pais, a falar a sua língua, dominando assim dois idiomas. Porém, chegar à escola nem sempre foi fácil. Nos primeiros tempos da colonização, não havia professores brasileiros, todos estudavam sob orientação de imigrantes que só falam polonês. Com a Segunda Guerra Mundial, em decorrência de uma proibição governamental que atingiu tanto alemães como poloneses, seus idiomas foram banidos das escolas. Desde então, o aprendizado do português tornou-se obrigatório entre os descendentes dos poloneses, mas os mais velhos continuaram falando com um sotaque carregado de erres.


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