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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Poloneses
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De colono imigrante a líder político
A tradicional foto dos imigrantes antes do embarque no navio que trouxe a família Glazar.
A história de Eduardo Glazar é a saga de um imigrante europeu em terras tropicais, transpondo obstáculos da floresta e ciladas inevitáveis para quem mudou radicalmente de clima e costumes. Só que os resultados obtidos superaram em muito a maioria dos imigrantes, sobretudo seus patrícios: tornou-se um próspero homem de negócios e também realizado do ponto de vista político. Foi prefeito duas vezes do município que ajudou a colonizar, emancipar e desenvolver: São Gabriel da Palha, no Norte do Espírito Santo, é o cenário das realizações desse polonês que, aos 74 anos, continua ligado ao seu crescimento. À frente dos negócios, ele age como se estivesse em plena fase de seu assentamento na região, disposto a levar a bom termo a tarefa de promover o desenvolvimento da terra tropical que escolheu, junto com seus patrícios poloneses, para viver.
O êxito de Eduardo resultou da luta de seu pai, Vincenty Glazar, feita de sofrimentos e aventuras, algumas cinematográficas. Como milhares de sua geração, Vincenty viveu os horrores da Primeira Guerra Mundial no seu principal palco de batalhas, que foi a Europa. Vincenty serviu no exército austríaco. Naquela época, a Polônia tinha deixado de existir: ficou dividida sob o domínio de austríacos, alemães e russos.
Na condição de soldado austríaco, o pai de Eduardo participou de vários combates, principalmente contra os russos. Foi ferido, depois aprisionado e levado para um campo de concentração na Sibéria, onde ficou por quase quatro anos. Não morreu, segundo o filho, por uma questão de sorte, pois na viagem para a Sibéria sucumbiram 70% dos que foram engaiolados em vagões de trens destinados ao transporte de animais e mercadorias. Vincenty contava que quase todo dia, ao amanhecer, ele e seus companheiros de viagem eram obrigados a jogar fora os cadáveres dos que morriam à noite.
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