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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Poloneses
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Determinação, herança paterna
Eduardo conta a história de seu pai como a lenda de um predestinado à sobrevivência. Não há outra maneira de entendê-la, pois ele escapou do trem da morte, que levou dois meses para chegar ao seu destino, e do frio arrasador da Sibéria, ao qual poucos conseguiam resistir. Nessa região da Rússia, os prisioneiros de guerra enfrentavam diariamente pesados trabalhos sobre o gelo. A sobrevivência de Vincenty esteve sempre muito ligada à circunstância de ser mecânico, pois freqüentemente era solicitado a prestar serviços em sua especialidade.
A Sibéria serviu para o pai de Eduardo abominar o frio, tais os padecimentos sofridos no clima da região. Quando saiu de lá, tomou a decisão de viver em clima quente. Mas sua liberdade foi conquistada com muito sacrifício. Fugiu do campo de concentração por ocasião da Revolução Comunista que convulsionou a Rússia. Atravessou todo o país e foi exilar-se na China, onde permaneceu um ano e meio, seguindo depois para o Japão e finalmente para a Polônia.
O seu reencontro com a família ocorreu quase seis anos depois de sua saída da Polônia. Nesse período, não houve qualquer comunicação entre eles. A volta não foi das melhores, pois foi obrigado a empregar-se como foguista em um navio. Foram dois meses de mar num navio cargueiro.
Uma capela para a padroeira
Encarregada de preservar os pontos históricos de Águia Branca, a Associação Cultural Polonesa deu prioridade aos cuidados com a capelinha e o cemitério dos imigrantes, já que o centro da cidade, ao longo dos anos, sofreu um radical processo de descaracterização em sua arquitetura urbana. A capela original construída pelos primeiros imigrantes desapareceu há muito tempo e, em seu lugar, foi construída uma outra, onde conserva um quadro de Nossa Senhora dos Montes Claros, coroada padroeira dos poloneses em 1656 pelo rei João Casimiro, depois que ele reconquistou a Polônia, que havia sido invadida pela Suécia. A imagem original da santa, esculpida em madeira que se acredita ser da mesa da Santa Ceia, tem uma cor amarronzada, e as reproduções a fizeram mais escuras. Ela foi encontrada por Santa Helena em Jerusalém, chegando alguns séculos depois à Polônia.
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