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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Poloneses
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Finalmente, encontraram tranqüilidade
numa terra fértil e quente
Quando o pai de Eduardo regressou à Polônia, já haviam ocorrido mudanças substanciais. O país havia se livrado de seus invasores e recuperado a sua autonomia. Como ex-combatente, foi contemplado pelo governo com um pedaço de terra para lavrar. Trabalhou como agricultor até 1931, quando resolveu vir para o Brasil. Eduardo diz que o frio foi o que realmente motivou a viagem do pai. Ele não mais suportava o inverno polonês, que assinala temperaturas de 40 graus abaixo de zero. Desejava viver em áreas tropicais, especialmente depois que experimentou o clima quente na sua passagem pela China.
Outro motivo que ele alegava para a família era que em breve haveria mais guerra na Europa, prevendo naturalmente a Segunda Guerra Mundial. "Ele dizia para minha mãe que queria criar os filhos longe dos campos de batalha, para não sofrerem como ele", afirma Eduardo. Quando surgiu a notícia na Polônia, especialmente na região da Cracóvia, onde morava a família Glazar, de que estava vindo gente para o Brasil, o pai de Eduardo dirigiu-se à Sociedade Colonização de Varsóvia. Vendeu sua propriedade na Polônia, mas recebeu somente a metade do dinheiro, que mal deu para pagar as passagens de navio da família.
Muitos poloneses voltaram logo depois da chegada. Não só por causa dos índios, mas também pela primeira impressão extremamente desfavorável que tiveram da floresta, na primeira etapa de uma caminhada até o aldeamento dos botocudos, onde foram alojados inicialmente. A mãe de Eduardo também quis voltar do aldeamento, mas o pai não deixou.
A chegada a Águia Branca não mudou o cenário. Era tudo floresta ainda e os poloneses que chegavam ficavam no acampamento da Sociedade de Colonização, onde hoje estão localizados a igreja e o cemitério. Além dessa situação, que causava apreensão à mãe de Eduardo, o pai ainda escolheu um lote numa área muito isolada, com cachoeira e muita água. Era sua intenção montar ali um moinho de fubá, à semelhança do que tinha na Polônia para o trigo, só que movido a vento.
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