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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Poloneses
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Ele fez uma verdadeira reforma agrária
e trouxe desenvolvimento a São Gabriel
A família Glazar ao chegar ao Brasil em São Gabriel da Palha,
mais tarde lançada no caminho do progresso pelo político
Eduardo Glazar, que fez uma verdadeira
reforma agrária na região
Em 48, Eduardo deixou a Sociedade de Colonização e montou seu próprio negocio. A princípio, era um velho caminhão para fazer o transporte de mercadorias entre São Gabriel e Colatina. Instalou também o primeiro posto de gasolina da localidade, depois abriu uma casa comercial e acabou virando o banco dos poloneses. Guardava dinheiro para eles, emprestava também. Naquela época não havia inflação. Houve uma época em que o veterinário Ruszczyeki mudou-se para Vitória e na sua ausência Eduardo acabou virando médico e dentista. Naturalizou-se para poder tirar carteira de motorista. Criado o distrito de São Gabriel, entrou na vida pública, candidatando-se à Câmara de Vereadores de Colatina.
Mas sua candidatura sofreu impugnação por causa da sua origem polonesa. Foi registrada assim mesmo, por decisão judicial, e acabou eleito com a maior votação do município. Teve mais dois mandatos como vereador e conseguiu levar energia elétrica para São Gabriel. Sempre pertenceu a partidos conservadores. Foi de sua iniciativa a transformação do distrito de São Gabriel em município.
Em 1966 tornou-se o primeiro prefeito eleito de São Gabriel. O desenvolvimento do município passou a ser ordenado a partir do período administrativo de Eduardo. Ele acha que seu êxito deve-se à divisão da terra, pois, como Águia Branca, São Gabriel também contava com grande quantidade de pequenas propriedades. O café conilon foi introduzido no Estado por agricultores de São Gabriel, numa iniciativa da sua administração.
Via-crúcis na floresta
A viagem dos imigrantes poloneses entre a Europa e o Rio de Janeiro demorava em média 18 meses. Transportados para Vitória, iam até Colatina e, dali em diante, seguiam a pé com ajuda de guias e de animais que transportavam os utensílios dos imigrantes. Só crianças com menos de seis anos podiam ser carregadas pelos animais. Uma verdadeira via-crúcis, através de picadas abertas no meio da mata em direção ao aldeamento de Pancas, onde pernoitavam para continuar a viagem no dia seguinte rumo a Montes Claros, a segunda parada. Só no terceiro dia de viagem alcançavam a região loteada pela Sociedade de Colonização de Varsóvia.
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