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Rogério Medeiros

Poloneses

Recorde: eleito de novo com 96%

Com sua administração também surgiram o prédio da prefeitura e as estradas para todas as localidades do interior. Ganhou o seu segundo mandato como prefeito numa eleição em que foi candidato único e recebeu 96% da votação. Um recorde eleitoral que Eduardo atribui ao resultado do seu primeiro mandato. Eduardo pertenceu ao Conselho Consultivo do IBC (Instituto Brasileiro do Café), pois havia se tornado uma das maiores autoridades em café do estado. Essa é sua atividade em nível nacional consagrou São Gabriel como a pátria do café conilon. Técnicos e cafeicultores visitavam constantemente as propriedades do município.

Ele vive hoje à frente de suas empresas e de suas propriedades rurais, que dirige com o auxílio de um filho, e continua ativo na vida do município que praticamente criou. É vice-presidente de uma fundação que dirige o hospital e de outras entidades locais. Acha que a maior realização sua está na contribuição para a permanência, em São Gabriel, do modelo de pequena propriedade adotado inicialmente em Águia Branca. "Fizemos uma perfeita reforma agrária, que foi responsável pela riqueza deste município", afirma com orgulho.


Uma Polônia feliz, só no Brasil

Eduardo foi um dos raros poloneses que voltaram a Polônia, e o fez por duas vezes. Na primeira encontrou em plena atividade o Sindicato Solidariedade, mas viu seus compatriotas vivendo miseravelmente, além de oprimidos por falta de liberdade. Diferente do país que havia deixado na infância, quando a maior preocupação eram as ameaças constantes de guerra.

Sentiu orgulho do Sindicato Solidariedade, o primeiro movimento de enfrentamento ao regime comunista, e voltou no tempo em conversa com seus parentes, desejoso de saber como transcorreu a Segunda Guerra Mundial na Polônia, que constitui-se num quadro de tristeza para todos os poloneses que vieram para o Brasil. Ouviu de seus parentes relatos dramáticos sobre a guerra. Famílias inteiras foram eliminadas, muitos parentes seus desapareceram. Voltou à Polônia em 88, depois da queda do Muro de Berlim. A situação estava pior ainda. Retornou ao Brasil certo de que a Polônia feliz está em Águia Branca e São Gabriel.


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