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Rogério Medeiros

Poloneses

Brasil, um lugar para viver em paz


Adam Emil, cônsul polonês no Espírito Santo

O cônsul polonês no Espírito Santo, jornalista Adam Emil Czartoryski, faz um relato da saga dos poloneses no Espírito Santo e revela as condições pelas quais eles escolheram este estado para se instalar. Para ele, a Polônia, por ter sido sempre o país europeu mais avançado no enfrentamento das questões sociais, atraía agressões de seus vizinhos. Para melhor explicar a opção dos poloneses, o cônsul incursiona na Polônia da época da emigração e encontra, também, outras razoes, na própria história da formação daquele país, além de se reportar às necessidades de mão-de-obra e às condições de vida no Brasil, especialmente no Espírito Santo daquela época.

Qual a situação do Espírito Santo por ocasião da vinda dos poloneses?
Primeiro, é necessário dizer que a região que localizou os poloneses no Espírito Santo foi inadequada. Terra quente, mata encorpada, lugar na época inacessível, pouca terra, muita pedra. Sendo de origem européia, o mais indicado é que eles fossem instalados em regiões frias, de modo que encontrassem condições compatíveis com a agricultura que estavam acostumados a praticar no seu país de origem.

Quais os outros obstáculos ao assentamento deles no Espírito Santo?
Muitas coisas que foram prometidas aos poloneses não foram concretizadas. O médico, que seria uma coisa importantíssima, por exemplo. Foi preciso vir um da Polônia. Mas ele não conhecia as doenças tropicais e por causa disso morreram poloneses até por bicho de pé.

Por que razoes os poloneses deixaram seu país? O que ocorria na Polônia nessa época?
O problema não era a situação da Polônia, mas do mundo, principalmente depois da guerra de 14. Não era a Polônia que estava mal, mas toda a Europa. O mundo, enfim. Foram cinco anos de guerra. Além disso, a Polônia permaneceu numa guerra particular com a Rússia, após o final da Primeira Guerra Mundial, e esse conflito durou até 1922, provocando o segundo período migratório na Polônia . Eles não vieram somente para o Brasil. Foram também para também para os Estados Unidos, o Canadá e outros países, coincidindo com as grandes migrações européias. Italianos, alemães, russos, suíços, franceses e outros povos também deixaram seus países, nessa época.

Por que essa preferência pelo Brasil?
O Brasil era um país novo e de paz. Os poloneses desejavam sair da Europa atingida pelas guerras. Vir para o Brasil era ganhar a oportunidade de trabalhar numa terra nova e eles sentiam na Europa que sua terra já estava cansada, deixara de produzir bem. Havia também esse aspecto de procurar terra nova, como acontece hoje, só para citar um exemplo, com as migrações internas brasileiras em direção à Amazônia.

Por que o senhor fala do segundo período das imigrações? E o primeiro?
O primeiro para o Brasil foi ainda no tempo do Império, depois da Lei Áurea, que libertou os escravos. O Imperador procurou na mão-de-obra européia a substituição para a mão-de-obra escrava. Com a vantagem sobre os africanos de ser uma mão-de-obra familiarizada com agricultura. Essa primeira migração ocorreu por volta de 1870.

De que país da Europa vieram esses primeiros imigrantes? Nessa época vieram poloneses também?
Está em Santa Teresa a mais antiga colônia polonesa do Espírito Santo. Os imigrantes ficaram na região que hoje é Timbuí, e depois se transferiram para um lugar mais central, que logo ficou conhecido como Patrimônio dos Polacos. Hoje é Patrimônio de Santo Antônio. Depois deles é que chegaram os italianos para Santa Teresa. Pode-se dizer também que foi um contingente expressivo. Eram 800 famílias de poloneses.

Essa presença não foi consignada como polonesa na história. Porque?
A polônia nessa época estava ocupada pelo Império Austro-húngaro-russo. Ela havia sido dividida em três partes e isso determinou a primeira saída de poloneses do seu país. Parte deles veio para o Brasil. Foram distribuídos pelo Sul do País e para o Espírito Santo.


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