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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Pomeranos
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A saga de um povo oprimido na origem
Famílias inteiras deixaram a Pomerânia a partir de meados
do século passado, quando a fertilidade de suas terras
começou a se declinar e a discriminação que sofriam
por parte dos povos vizinhos tornou-se insustentável.
Em meados do século XIX, o governo imperial brasileiro necessitou substituir a mão-de-obra dos escravos libertados para impulsionar as lavouras. Contatos com populações de vários países da Europa, através de representantes oficiais, obtiveram como resultado a vinda de hordas de imigrantes para o trabalho agrícola em vários estados.
0 Brasil necessitava de mão-de-obra, enquanto na Europa, atingida por guerras entre impérios, as oportunidades de trabalho escasseavam e as terras eram poucas ou já estavam ocupadas. 0 Estado do Espírito Santo foi um dos que receberam mais imigrantes de várias nacionalidades, começando pelos pomeranos, oriundos de uma região em eterno litígio entre a Alemanha e a Polônia e oprimidos pelo conflituoso processo de expansão do capitalismo.
0s primeiros pomeranos a chegar no Espírito Santo, em 1847, não eram mais do que sete e acompanhavam um grupo de imigrantes alemães. De 1858 a 1859, chegaram mais algumas dezenas. Eles vieram numa época em que o país se preocupava com o alargamento de suas fronteiras agrícolas, substituindo a mão-de-obra escrava. Mas a maior parte mesmo veio no período de 1872 a 1873, a bordo dos navios "Gutemberg", "Anne Helene", "Maria Heyden", "Adolph", "Doctor Barth" e "Hainan", que atracaram em Vitória. Ao todo, segundo documentos oficiais, eram 2.142 pessoas, mas suspeita-se que o número tenha sido maior.
Aos pomeranos foram destinadas terras anteriormente ocupadas pelos índios botocudos, que haviam sido, ao longo dos anos, dizimados pelos brancos com a distribuição entre eles de roupas contaminadas por uma doença a qual seus corpos eram incapazes de oferecer qualquer resistência. A doença fatal era a varíola.
Inicialmente, os imigrantes localizaram-se nas montanhas de Santa Isabel e Santa Leopoldina. Mais tarde, enfrentando o desafio da floresta instalaram-se em Pancas, São Gabriel da Palha e Vila Pavão. Tanto numa região como na outra, o objetivo da presença pomerana, dentro de uma estratégia montada pelo governo, era tão somente valorizar a terra desocupada.
0s primeiros anos foram extremamente difíceis, segundo relatos da época. Desconhecendo o idioma do novo país, sem ferramentas adequadas, sem assistência médica do governo e mantidos em isolamento em áreas distantes dos centros urbanos, os imigrantes não sabiam o que fazer primeiro: se preparavam a lavoura para dar alimento, ou se construíam a casa da família. Quem fazia a opção pela lavoura dormia com a mulher e os filhos debaixo de árvores.
Somente três anos depois eles tinham propriedades mais ou menos organizadas. Para isso foi determinante a adoção do "Juntamentz", ou juntamento, uma espécie de mutirão muito comum entre eles na Pomerânia.
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