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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Pomeranos
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Casamento, secular tradição pomerana
Graças a influência do "pomerod", costumes seculares mantêm-se intactos entre as comunidades. Um deles é o casamento, uma das suas tradições mais bonitas.
De acordo com o historiador Jorge Kuster Jacob, um bom casamento pomerano começa meses ou até anos antes da grande festa, período em que os pais dos noivos se preocupam com a engorda de animais como galinhas, porcos e gado, ou com o cultivo e aquisição de legumes como mandioca, batata-doce, cará e gengibre para fazer suco.
A festa sempre acontece na casa dos pais da noiva e o convite é feito da forma mais tradicional e romântica possível: através de poemas declamados em "pomerod" por um dos irmãos da noiva, que sai a cavalo ou de bicicleta pela comunidade, com enfeites de fitas e flores coloridas, levando uma garrafa contendo rabo-de-galo (mistura de todas as bebidas alcóolicas da região), também enfeitada.
Chama-se "hochditsbira" ao encarregado do convite. Quando se aproxima da casa da família a ser convidada ele se expressa através do tradicional grito de alerta.
A família se dirige para a sala, onde ele caminhando em círculo, declara o convite. Despede-se tomando e oferecendo o rabo-de-galo. Antes de sair, porém, um dos membros da família apanha no "tuchkasta" (baú de roupas) uma fita ou lenço para prender com alfinetes nas costas ou nos ombros do "hochditsbira" e oferece dinheiro pelo trabalho. Conforme as proporções do casamento e o número de famílias envolvidas, esse trabalho leva quase três semanas.
Amigos dos noivos e certas pessoas que na comunidade têm talentos culinários são também importantes dentro da organização da festa. Elas começam a trabalhar uma semana antes do casamento, na casa da noiva,
preparando o cenário da festa.
Enquanto uns limpam o terreiro, outros constroem a grande mesa onde serão servidas as comidas e as bebidas. Na sua cabeceira, onde ficam os noivos, é armado um arco de flores. Um mastro bem alto é em seguida levantado para indicar aos convidados o local da festa. Nele se prende uma bandeira com as iniciais dos noivos, além de algumas garrafas com algum dinheiro.
As garrafas servirão de alvo numa disputa de tiro depois do baile do casamento e o dinheiro vai premiar o melhor atirador. 0 primeiro tiro é do noivo.
A véspera do casamento, que geralmente acontece às sextas-feiras, é importante sob vários aspectos. Primeiro, é abatido e carneado o boi, faz-se a tradicional lingüiça e prepara-se a carne em geral, conforme as regras da cozinha pomerana.
São igualmente confeccionadas lembranças nas cores azul e rosa para serem dadas aos convidados (azul para casados e rosa para solteiros). As lembranças também têm a finalidade de arrecadar dinheiro para pagar aos músicos contratados para a festa.
A sala do baile é enfeitada com bandeirolas. A essa altura, os melhores talentos da culinária pomerana já terão preparado alguns alimentos requintados pelo sabor e tradição: o "biscoit" (bolacha), a "róska" (roscas), o "kuchan" (bolo), o "brout" (pão), o "mélkris" (arroz doce com canela), o "hina flaisch" (carne com galinha), o "nudal" (macarrão). No mesmo dia se prepara uma bebida a base de gengibre, o "schincha bia". Cerveja também faz parte da festa, além de cachaça.
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