 |
Século Diário
|
 |
|
 |
|
| Rogério Medeiros
|
|
Pomeranos
|
|
Na culinária, influência brasileira
A influência brasileira na culinária pomerana se deu com a
mistura de produtos como o cará, o inhame e a farinha de mandioca
A culinária não resistiu as influências. 0 "milhabrout" ainda hoje é um dos principais itens da alimentação pomerana, mas nele são misturados produtos brasileiros como o cará, o inhame e a farinha de mandioca (ou de trigo, quando se pode comprar). Essa composição, segundo as donas de casa pomeranas, dá um sabor especial ao "milhabrout", que no Espírito Santo substituiu o "vibrout" (pão de trigo), mais caro e, portanto, consumido apenas em ocasiões especiais, como casamentos, Natal, Páscoa e batizados.
A batata, produzida em grande escala pelos pomeranos na Europa e
parte essencial do seu cardápio, também foi substituída no Espírito Santo, principalmente no Norte do Estado, onde solo e clima tornam impróprio o seu cultivo. Em seu lugar entraram a batata-doce e a mandioca.
Como acontece com o pão de milho, a batata, para os pomeranos, é alimento para determinadas épocas. A cachaça também substituiu a vodka feita de beterraba, ao passo que o cafezinho ocupou o lugar do chá a base de cevada. Para se curar da ressaca os pomeranos usam o "bittacaffa", ou seja, cafezinho amargo e frio.
Nos fins de semana, há um cardápio especial. 0 frango, por exemplo, é essencial á sopa de macarrão. Não faltam a mesa também a carne frita de frango, batata inglesa, batata-doce, sopa de pêssego ou canjicão, tudo
isso acompanhado de "mélkris" (arroz-doce) ou outra sobremesa. Carne de porco ou de gado não fazem parte do cardápio de fim de semana. Nem feijão e arroz.
As antigas construções pomeranas tinham forte influência européia, especialmente dos alemães. Eram casas sob todos os aspectos diferentes da tradicional habitação rural brasileira, além de ter mobília e decoração de características muito próprias. Construídas no alto do chão para evitar umidade nos tempos de chuva, o assoalho apresentava grandes gretas para refrescar a casa. Embaixo do assoalho guardavam-se selas, ferramentas, bicicletas e, às vezes, automóveis.
Uma coisa comum à maioria das casas, que tinham geralmente de três a cinco cômodos, era uma grande varanda na frente, ou em todo o seu contorno. A cozinha no fundo ficava num plano inferior, ou separada por um corredor avarandado, uma medida de segurança da família para o caso de eventuais incêndios, pois assim o fogo ficaria impedido de atingir o resto da casa. Feito de tijolos, o fogão de lenha tinha uma chapa de ferro com cinco ou sete bocas.
Uma tradição era também a vara sobre o fogão para defumar lingüiça ou toucinho.
0 mobiliário simples era composto de pequena mesa, máquina de costura e baús (tuchkasta) para guardar roupas e servir de assento, além de um ou dois guarda-louças. Em alguns lugares, a sala tinha enfeites com bandeirolas coloridas.
0s tijolos e o telhado de tabuinhas de graúna, bicuíba ou ipê eram feitos pelo colono pomerano. Nos quartos com camas rústicas, os colchões eram feitos de palha de milho. 0 pátio da casa, com arvores frutíferas e um paiol para guardar café e outros produtos, também tinha um forno para assar "milhabrout" (pão de milho) e "bananabrout" (pão de banana).
Com o novo status econômico e social conquistado pelos pomeranos (hoje a renda per capita da região é uma das mais altas do Espírito Santo), as casas assumiram aspectos mais modernos nas vilas e cidades, mas na zona rural ainda são encontradas construções no antigo estilo arquitetônico.
|
|
|
|