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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Pomeranos
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Implantação gradual da agricultura mecanizada
foi fator de progresso econômico
Pomeranos enfrentaram muitos desafios para transformar
áreas conquistadas à floresta em terras férteis quanto as
que haviam deixado em seu país de origem
Fritz Klems, o primeiro pomerano que chegou a Santa Maria do Jetibá,
por volta de 1860, não poderia imaginar que, 140 anos depois, aquela seria uma das mais ricas regiões do Espírito Santo por causa da ação desenvolvimentista de seus conterrâneos. 0s pomeranos fizeram de Santa Maria do Jetibá o maior produtor hortifrurigranjeiro do Estado. Campeões na produção de ovos e de alho, desenvolveram uma das melhores lavouras de café estando introduzindo no momento uma pecuária moderna baseada
no confinamento do gado.
Uma região de terrenos acidentados e de difícil acesso, mas que foi conquistada pelo destemor de um povo que deixou a Europa enxovalhado pelas suas elites. 0 historiador Francisco Schwarz não tem qualquer dúvida de que o sucesso do pomerano está numa união favorecida pelo isolamento provocado pela força de seu dialeto.
"Aqui foi o seu sucesso. Esquecidos pelo governo, foram obrigados a construir suas escolas, suas estradas, seu sistema alternativo de saúde. 0 dialeto permanece como um traço de união entre eles. 0 jovem vai para a universidade, mas quando volta para casa fala mesmo é o pomerano", lembra o historiador. Com a emancipação de Santa Maria de Jetibá, ocorrida em 1988, pode-se dizer, com certeza, que este é um município verdadeiramente pomerano. Dos seus 24 mil habitantes, 20 mil são pomeranos. Um detalhe que se observa em qualquer parte do município é a ausência de miséria.
0 prefeito também é pomerano: chama-se Edson Berger, é filho de Eitel Berger e descende de um dos pioneiros da região, Lourenço Berger. 0
vice-prefeito, Hilário Roepke, também. De nove vereadores, sete também
são descendentes de pomeranos. 0 que eqüivale dizer: a atual classe dirigente também é de origem pomerana.
Diversificação produziu fartura
Ao se constatar a capacidade que o pomerano teve de constituir-se, em
solo brasileiro, num povo progressista e altamente capacitado, verifica-se que essa ascensão social e econômica relaciona-se particularmente com elevados índices de produtividade da lavoura, provocados por sua mecanização.
Nos últimos dez anos, isso foi especialmente notado em Santa Maria de Jetibá. Mas esse cenário de fartura foi precedido de um trabalho
meticuloso e persistente realizado pela Igreja de Confissão Luterana no
Brasil e pela Estação de Fruticultura de Santa Maria. Nas décadas de 20 e 30, o pastor Hermann Roelke, tendo em vista a dedicação quase que exclusiva dos pomeranos a cafeicultura, mandou vir da Alemanha, pelo correio, sementes de repolho, couve-flor, alface e tomate, criando assim novas alternativas para a lavoura pomerana.
A Estação de Fruticultura foi criada em 1935 com o objetivo de mudar a estrutura agrária da região. Pela implantação da fruticultura, ensino de novos métodos de trabalhar a terra e adoção de uma horticultura intensiva, viabilizou-se uma agricultura eficiente e lucrativa.
A decisão dos lavradores pomeranos, em 1964, de criar uma cooperativa agrícola em Santa Maria de Jetibá, foi o passo inicial para a implantação de uma indústria avícola no município. Mais de 30 anos depois, conta com um plantel de um milhão de aves poedeiras cuja produção abastece a Grande Vitória.
A cooperativa teve importância fundamental na expansão da avicultura e mantém uma fábrica de rações para atender aos associados. 0 esterco, como subproduto da cooperativa, e utilizado pela horticultura e a lavoura de café. Atualmente, os cooperativados implantam uma usina de
laticínios.
Enquanto isso, as comunidades pomeranas situadas no Norte do Estado, especialmente as de Vila Pavão e Laranja da Terra, dedicavam-se
ao café - numa região não muito favorável ao sou cultivo devido a temperatura - e a cultura mais ampla de cereais.
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