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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Pomeranos
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Dialeto é fator de coesão
As antenas de televisão pairam sobre os telhados de várias casas de Santa Maria de Jetibá, atualmente o principal núcleo de colonização pomerana no Espírito Santo, e em algumas propriedades rurais é possível distinguir, em meio à copa das árvores, um dos mais refinados símbolos do avanço tecnológico na área das comunicações, a antena parabólica, com seu prato de alumínio reluzente voltado para o infinito.
Contudo, nem a força da televisão (e, muito menos, dos jornais, das emissoras de rádio, dos aparelhos de som) conseguiu romper de vez as quase intransponíveis muralhas das tradições culturais pomeranas.
0 "pomerod" falado pela quase totalidade das comunidades que se espalham pelas serras capixabas e pelo Norte do estado, mantém a unidade
cultural desse povo com uma resistência testada em séculos de dominação
dos povos europeus sobre os pomeranos.
De origem obscura, o "pomerod" aparentemente surgiu da confluência de várias línguas e dialetos eslavos e germânicos. A força do dialeto fica evidente na tradução que se fez da Bíblia, pois os pomeranos não sabiam lê-la na versão em alemão.
Ao se instalarem no Espírito Santo, os pomeranos trouxeram a cultura de
resistência e seus filhos foram educados com base na língua falada na família, inclusive porque, confinados em áreas distantes dos centros urbanos, eles não tinham acesso fácil nas escolas. Além disso, a mão-de-obra familiar era fundamental na lavoura, que garantia a sobrevivência de todos.
Anos depois, em plena Segunda Guerra Mundial, os pomeranos, confundidos com alemães, foram perseguidos como inimigos pela ditadura de Getulio Vargas, apesar da enorme distância que as florestas capixabas os mantinham do mundo da política. Tudo que tinha marca ou escrita de origem alemã era destruído, segundo relatam testemunhos da época.
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