Despistou
Renata Oliveira
A farra dos tratores
EDITORIAL
EDUCAÇÃO
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5/12/2009
Xadrez e escola combinam
Kleber Galvêas
Foto capa: Joao Pio/www.piaui.pi.gov.br
Crianças, com informações superficiais sobre jogos de salão, param na frente de vitrine que expõe vários desses jogos e, conhecendo todos eles, escolhem e compram o xadrez. Lidas as instruções, compreendendo como movimentar as peças no tabuleiro e o objetivo do jogo, praticam essa aprendizagem jogando de forma mecânica ou aleatória.
Disputadas algumas partidas com jogadores mais experientes, percebem que no xadrez não há espaço para sorte ou azar, e que conhecimento do jogo, a compreensão dos movimentos das peças e aplicação correta desses fundamentos numa partida, não garantem o sucesso. Aprendem que é preciso observar e analisar as ações do adversário em relação às suas posições, prever e até criar estratégias que induzam jogadas futuras do oponente, articulando o próximo ataque, ou consolidando a própria defesa. Só após avaliação desse conjunto de possibilidades quase infinitas num tabuleiro de xadrez, podem eleger e realizar uma jogada consciente.
Aplicando um xeque-mate, objetivo final do jogo, os novos enxadristas percorreram níveis cada vez mais elevados da sua relação com o xadrez. Partindo do elementar conhecimento, que permitiu distingui-lo entre outros jogos expostos na vitrine, passaram a compreender, aplicar, analisar, sintetizar, avaliar lances e a partida. Adquiriram intimidade com formas diferentes de pensar.
A escola, como simples reprodutora de conhecimentos, é uma herança de pouca utilidade para a complexidade do mundo atual. Os órgãos de comunicação, que compõem diferentes mídias à disposição do homem, realizam a difusão da informação com mais qualidade e amplitude do que o professor na sala de aula tradicional. Para recuperar o prestígio, como relevante instituição social, as escolas devem mudar o enfoque dos seus currículos: da informação para formação; de difusão para produção de conhecimentos. Essa transformação requer o desenvolvimento das habilidades intelectuais dos educandos; levá-los a evoluir do nível mais primitivo de relação com coisas e fenômenos (conhecimento), para habilitá-los a avaliar.
O cidadão capaz de avaliar é aquele que experimenta maior liberdade de escolher. Partindo do conhecimento, compreende, aplica sua aprendizagem, realiza análises e sínteses, propõe hipóteses, faz experiências, anotações eficientes, formula teorias, testa resultados e critica a própria atuação.
Dentre todas as prerrogativas adquiridas com a capacidade de avaliação, a que encontra imediata ressonância social, e que faz do individuo um cidadão político relevante é - na eleição do grêmio, associação, sindicato, legislativo, executivo - a escolha do candidato. Pessoas esclarecidas que julgam com independência, não aceitam cabresto nem formarão rebanho a ser tangido pelo cajado, latidos de cães, suborno, ou propaganda.
Para ilustrar a progressiva aquisição de habilidades intelectuais pelo indivíduo em sua preparação para a vida, a aprendizagem do jogo de xadrez é uma analogia interessante.
No mundo atual, onde as fontes de informações se multiplicam, precisamos encontrar novos objetivos educacionais para que a escola seja edificante: interessante, para o aluno e gratificante, para o professor.
Educar alunos para desenvolverem suas potencialidades cognitivas, afetivas e psicomotoras é prepará-los para o xadrez da vida. Jogado com identidade, liberdade e espírito crítico, nem sempre levará à vitória, mas nos dará segurança e prazer em todas as partidas.
Kleber Galvêas é pintor (e-mail: atelie@galveas.com)
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