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MEIO AMBIENTE
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12/3/2010
Empresários são responsáveis por
clube de caça na região serrana
Flavia Bernardes
Às 4h desta sexta-feira (12), 150 homens das polícias Federal, Militar e Civil buscaram, no município de Santa Tereza, os homens responsáveis por caçar animais silvestres através de uma espécie de clube de caça. Nove pessoas foram presas, entre elas empresários da região com alto poder econômico, o que reforçou deu aos crimes o caráter de simples prazer de matar animais.
A megaoperação contou com o apoio da Promotoria de Justiça de Santa Teresa e do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos (Ibama) e as 31 equipes cumpriram mandados de busca e apreensão. Além de diversas armas de fogo usadas pelos investigados, bem como cães treinados para auxiliar na caça ilegal foram encontrados animais silvestres presos em cativeiro.
A informação é de que os investigados se reuniam em um clube de caça para matar animais silvestres. Os acusados chegavam a fazer viagens para outros estados visando à prática ilegal. Entre um dos destinos visitados pelos caçadores está a Bahia.
Para conseguir flagrar os crimes, a polícia vinha investigando o caso há três meses. O grupo de caçadores se reunia à noite para marcar a caça, e o que mais chamou a atenção dos investigadores foi a cultura de matar animais, passada de pai para filho na região, em detrimento a qualquer desrespeito à legislação ambiental e à natureza.
Os detidos foram transferidos para a sede da Polícia Federal, em Vila Velha. Apenas um dos sete criminosos foi mantido preso no município por porte ilegal de arma e está recolhido à carceragem da Polícia Civil.
Apesar de atestada a realização dos crimes pelos policiais, as prisões, com exceção do homem flagrado por porte ilegal de arma, são temporárias.
“A Operação Clube da Caça tem como principal objetivo intimidar aqueles que ainda insistem em realizar a caça com o único prazer de matar”, apontou o promotor de Justiça Marcelo Volpato, que mostrou surpresa diante da condição financeira dos indivíduos. Segundo ele, alguns possuem até autorização do Ibama para manter criadouros.
Além de realizar a caça ilegal em Santa Teresa, o grupo também tem registros de atividades ilícitas na Bahia. Não foi informado sobre quais animais foram apreendidos pelos agentes. A informação é de que os animais serão levados para a sede do Ibama, em Vitória.
BOX
ES é rota do tráfico de animais e plantas
O Espírito Santo é uma das principais rotas do tráfico internacional de animais no País. A Rede de Combate ao Trafico de Animais Silvestres (Renctas) aponta a BR-101 como a principal rota do trafico no Estado. Pelo menos 7 mil silvestres são traficados no Espírito Santo por ano, mas o número é considerado subestimado.
Os animais, capturados no norte, nordeste, inclusive no sul da Bahia, e no próprio Espírito Santo, são transportados nas rodovias capixabas e são levados para Rio de Janeiro e São Paulo. Destes estados são enviados ao exterior, principalmente por via aérea.
Animais como pássaros, papagaios, sagüis e cobras estão entre os que mais chamam a atenção dos turistas. Somente no Brasil 38 milhões de animais silvestres são comercializados ilegalmente por ano. Trata-se de uma atividade muito rentável, embora extremamente arriscada: US$ 20 milhões no Brasil. A atividade rende tanto que está absorvendo parte dos traficantes de drogas. Muitos vendem drogas e animais.
O Espírito Santo é também rota internacional do tráfico de plantas da mata atlântica. Comprar ou vender animais e plantas silvestres é crime previsto na Lei 9605/98, de crimes ambientais. No artigo 29, a lei define que quem "matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória", está sujeito à pena de "detenção de seis meses a um ano, e multa".
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