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1/10/2009

Entre a arca de Noé e a torre de Babel


Geraldo Hasse


Há quem acredite que a arca de Noé e a torre de Babel foram realmente construídas em algum momento da História, como diz a Bíblia. Outros preferem crer que ambas – a arca e a torre – são metáforas fortíssimas criadas pelo espírito humano para sintetizar momentos de transição, colapso e ruptura. 

Eis que chegou a hora de vos dizer, caríssimos irmãos: depois de um sono de milênios, vivemos agora um daqueles transes supremos da civilização. Um dos sinais foi a destruição das torres gêmeas de Nova York por dois aviões carregados de passageiros em 11 de setembro de 2001.
Dois símbolos da velocidade lançados sobre o duplo símbolo da arquitetura e da engenharia civil na cidade mais poderosa do planeta. Duas arcas voadoras contra duas torres de concreto. Dois X dois = zero.
 
Que importa se, em vez de metáfora literária, o episódio de NY agora foi real e transmitido ao vivo para todo mundo pela televisão via satélite? Esse mundo velho sem porteira, tudo se transforma em símbolo.

A mensagem não poderia ser mais nua e crua: estamos numa encruzilhada que, por incrível que pareça, já dura 200 anos, mais ou menos. O ponto de partida desse transe civilizatório pode ser a Revolução Francesa (1789) ou a Revolução Industrial iniciada na Inglaterra no começo do século XIX. 

De lá para cá, só para completar o raciocínio, tivemos alguns lances capitais. Por exemplo, a descoberta do petróleo em 1857 na Pensilvânia. Por volta de 1900 surgiram o Cinema, o Automóvel e o Avião. Se fosse necessário resumir o século XX, poderíamos dizer simplesmente que ele começou com a Revolução Soviética (1917) e terminou com a Queda do Muro de Berlim (1989), sendo entremeado pelo invento da TV (1936) e a explosão da bomba A (1945).  

Mais alguma coisa? Sim, algo deve ter ficado para trás, mas não há mais tempo a perder.
Agora temos aí o aquecimento global, o efeito-estufa, as mudanças climáticas e toda essa merda sintetizada pelo Protocolo de Quioto – em vias de ser substituído em dezembro pelo Protocolo de Copenhague, se os poderosos do mundo se entenderem sobre o que fazer para reverter os sinais de colapso. 

Os sinais são claros, mas todo mundo finge não estar nem aí. Um ano depois do início da crise financeira global, já tem gente comemorando a retomada do crescimento econômico, como se não estivesse justamente aí o germe da insustentabilidade do planeta.
Nesse grande faz-de-conta, a pergunta que se impõe é: Lula, Obama, Chávez e outros governantes pesam realmente nesse transe global ou são meros peões no jogo de xadrez entre Deus e o Diabo? 

LEMBRETE DE OCASIÃO

“A degradação dos solos, causada por efeitos climáticos e também pela atividade humana, afeta mais de dois bilhões de pessoas em diferentes partes do mundo. Na América Latina e no Caribe, 25% das terras estão degradadas, e estes processos acentuam a pobreza, a fome e as migrações”.

Informação contida em mensagem do secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, divulgada esta semana na Conferência Mundial sobre Desertificação, em Buenos Aires
 

 


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