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1/12/2009

Caindo de podre


Editorial


Agora não é apenas a má gestão – origem e raiz da péssima situação da segurança pública no Estado – que inviabiliza a permanência de Rodney Miranda no governo. Problemas de gestão o secretário tem driblado desde que assumiu, sem jamais ter sido ameaçado de perder o cargo.

Mas a convivência dele com um grupo de maus elementos que um dia vestiram a farda da PM e a desonraram, entrando na senda do crime, não tem como ser perdoada. Curioso é que foi o próprio secretário quem trouxe o problema à tona, ao negar ataques à PM sob a alegação de que suas críticas eram dirigidas apenas à banda podre da corporação.

Achou que ninguém se lembraria do grupo de bandidos que foi buscar no serviço médico da PM – onde os militares envolvidos em crimes se encontravam, para tratamento – e, como resposta, sofreu ontem talvez o mais contundente ataque dos membros saudáveis da corporação que o rejeitam.

Com documentos comprobatórios de que os homens da PM usados por Rodney constituíam aquilo que ele próprio denominara de banda podre, a oficialidade e as categorias subalternas da corporação, por suas associações, convocaram a imprensa e mostraram que Rodney não tinha autoridade para falar de banda podre.

A banda podre – a autêntica, a verdadeira banda podre – era, como Século Diário já antecipara, a parceira das aventuras policialescas de Rodney Miranda.

Foi com o apoio desses maus elementos – todos identificados pelos militares de ficha limpa, na entrevista coletiva que deram nessa segunda-feira (30) – que Rodney forjou a farsa do crime de mando no caso Alexandre, pressionando testemunhas, forjando provas, inventando indícios e até torturando presos.

Rodney atiçou esses indivíduos – que têm nas costas dezenas de processos criminais, inclusive assassinatos – contra oficiais, suboificiais, sargentos, cabos e soldados dignos da Polícia Militar que auxiliaram nas investigações do caso. Esses militares, para Rodney, eram inimigos, porque não compactuavam com suas práticas ilegais.

Já os cabos e soldados sujos na corporação eram os heróis. Essa inversão de valores permeia todas as narrativas do livro “Espírito Santo”, que o secretário assinou juntamente com o juiz Carlos Eduardo Lemos e o antropólogo Luiz Eduardo Soares.

Naqueles relatos, a grande vítima dos ataques à honra desfechados pelos autores foi o coronel Marcos Aurélio Capita da Silva, atual corregedor da PM, figura humana íntegra e profissional de carreira exemplar na corporação. A próprio instituição também foi duramente ofendida no livro.

Marcos Aurélio era tenente-coronel na época das investigações e dos processos judiciais do caso Alexandre, e foi ofendido gravemente pelos três literatos. À época dos fatos, o oficial era diretor-adjunto da Divisão de Inteligência (Dint) da PM.

Cumpriu as missões que lhe couberam com isenção e inquestionável senso profissional. Por isso, foi execrado no livro. Hoje, é autor de ações judiciais contra Rodney e companhia.

Com tanto peso moral nos ombros, dificilmente o governador terá como manter Rodney no posto de secretário de Segurança. Mas, se conseguir superar mais uma vez as imensas dificuldades políticas nesse esforço, terá operado um verdadeiro milagre.

De qualquer modo, vai pagar a conta por ter a seu lado um secretário de Segurança em adiantado estado de putrefação.


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