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Século Diário
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Tambor de São Benedito
Tambor de São Benedito Conceição da Barra |
Dois, três, quatro, cinco, tomam benção ao Santo e saem pelo mundo a fora, descalços, palmilhando estradas e estreitos caminhos por dias e dias, vencendo léguas e léguas que a fé e promessas os levam a esmolar para a festa do seu santo de devoção - São Benedito. Dois meses percorrem os caminhos solitários batendo seus tambores para-bam-bam! para-bam-bam! para-bam-bam!
Seus cantos anunciam pelos grotões e ermas Campinas, o Santo conduzido em uma caixinha, entre as flores que são renovadas quando murcham, e o povo vem beijar a pequenina imagem do santo protetor que abençoa o seu trabalho, as colheitas do ano, de suas roças. De longe se ouve e corre a acolher a abençoada visita.
Todos já sabem que é São Benedito morador da Vila de Pau Grande, na Igrejinha, lá no distante extremo sul da Bahia que vem até Itaúnas e Conceição da Barra e mostra os "Dicumentos": o alvará do delegado de polícia, se alguém duvida.
Vencem distâncias em busca de donativos. Quem não tem dinheiro dá uma dúzia de ovos, uma galinha, um pato, um porquinho que para a promessa foi criado e reservado desde pequenininho. "Cuidado, esse franguinho é de São Benedito".
Dormem, às vezes, pelo mato, mas têm casas que os receberão com festa à noite e um baile de sanfona. O povo da redondeza comparece e amanhece o domingo dançando e sai almoçado.
É a fé de nosso povo esquecido nos longínquos, junto à natureza que dá o sustento tirado da terra, do rio e dos córregos. Nas doenças São Benedito cura, como fazia aos seus irmãos camponeses da Itália, do outro lado do mundo.
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