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Maio/2001 nº15


Capixabas de sucesso
Roberto Kautsky, capixaba de sucesso, descobridor de maravilhas
O massacre da praça
Em 1930, o Exército abriu fogo contra populares em um comício da Aliança Liberal, deixando marcas de sangue na história
O homem do marechal
Stenzel foi o escolhido da oposição para a dura missão de acabar com o jogo no ES. O jogo acabou, e com isso seu prestígio político cresceu
Perfil humano e profissional
Apesar de ter perdido a família e o dinheiro, Érico Hanschaild jamais se separa de sua querida Leica, a câmera fotográfica que carrega há 54 anos
As cidades e sua gente
Linhares: Uma explosão
de emoções
O primeiro genocídio indígena
Maciel de Aguiar conta como os sonhos de liberdade de sua juventude o levaram a montar O Guarani, com a participação de índios da comunidade
Novo horizonte
O Espírito Santo já teve o segundo maior prostíbulo do Brasil, em Carapebus, que hoje abriga gente humilde e religiosa
Esporte por esporte
As histórias de Tarzan e do Rio Branco se confundem.





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  mídia na mira - Sílvia Chiabai

Amém

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As colunas religiosas prosperam, mas em contrapartida os jornais não poupam denúncias sobre as mazelas de seitas diversas. No mesmo dia (17/03), "A Tribuna" e "A Gazeta" estamparam, respectivamente, as manchetes Polícia prende falso pastor e Religiosos aliciam menores para prostituição. Como Marcio Castilho e Mônica Luz (AG) não arrolaram nomes, a matéria ficou devendo uma denúncia mais consistente. Já AT se ocupou nesse mesmo dia do suposto seqüestro de uma estudante na mesma região onde desapareceu Isabela Negri Cassani. Em seus furos contumazes no campo policial, "A Tribuna" encarregou a repórter Yasmine Hofmann de checar os últimos passos e ouviu o pai da adolescente. "A Gazeta" entrou três dias depois, e com a versão de que a menina havia fugido de casa, o que refreou um pouco o sensacionalismo de AT.

Trocadilhos infames

Pura picardia. À época em que Nana Caymmi namorava o músico Claudio Nutti, apelidaram o casal de "Mama caída e Claudio inútil". Ainda na trilha dos trocadilhos a ordem no governo e parte da opinião pública sinaliza que o próximo presidente possa ser o Malan sem Alca.

Infantilismo

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É pena que o futebol da TV resvale às vezes do engraçado ao pueril. Na comemoração de um gol na seleção brasileira, Bebeto inaugurou a comemoração com mensagens, imitando um berço em homenagem ao nascimento do filho. Do soquinho no ar de Pelé ao passaredo de Ronaldinho, nada poderia ser mais ridículo que a encenação de Bebeto. Insuportável ainda era Zagalo obrigando o time de 98 a entrar em campo de mãozinhas dadas tal qual pré-escola.

Cuba livre

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Depois do vexame de negar apoio ao português que ganhou o Nobel da Paz (sobre o conflito no Timor Leste), o presidente Fernando Henrique Cardoso finalmente mostrou fibra ao discurso de abertura da III Cúpula das Américas, em Quebec: exortou as lideranças das Américas a incluir Cuba nas reuniões da entidade. O episódio só foi notado pela Globo, que deu chamada e destaque ao discurso corajoso de FHC, que no entanto passou batido na imprensa escrita e outras emissoras, as quais preferiram dar destaque às manifestações dos canadenses e suas bandeiras internas. Em resumo, a mídia emudeceu, e foi só no Jornal Nacional que se viu o apelo para acabar com o bloqueio à ilha de Fidel. Uma das raras vezes em que FH demonstra que não esqueceu totalmente o que escreveu um dia.

Decadência

A propósito do Observatório: o debate do dia 3 de março versou sobre os 110 anos do "Jornal do Brasil". Um telespectador aborrecido protestou contra o excesso de elogios ao (outrora) jornalão. Já a telepesquisa indagou: "O JB pode recuperar a importância e voltar a ter o prestígio que usufruiu há algumas décadas?" Tudo isso faz lembrar a transitoriedade da fama: estar na moda é o caminho para estar fora dela, diz alguém. O jornal, contam os comentadores do programa, foi o que é hoje a "Folha de S. Paulo". Não é possível estar todo o tempo no topo. O que lembra também um haicai de Borges: Es un imperio/esa luz que se apaga?/O una lucienergia?" À qual proponho uma paráfrase: Era um vagalume/ aquela luz que se apaga? /Ou será um império?

Recuo

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O Tribuna Notícias muda o horário (de l9h para 12hl5), abandona a concorrência direta com os telejornais das demais emissoras e compete com a programação local dos vários canais de TV. Renovou também o cenário, agora sóbrio e de bom gosto, com linhas horizontais e a apresentação de Ingrid Shwatz e o experiente Luis Adriano Vasconcellos. O risco é ter pautas "frias", porque o horário matinal é ainda meio sonolento em relação ao noturno. Diante disso, torce-se para que as vaciladas da estréia (2/4) não se repitam. O teor é basicamente de entrevistas e serviços (Sine, Ceasa etc.).

Descontração

Sendo um dos territórios mais livres das convenções jornalísticas, a cobertura esportiva via televisão é por isso capaz de introduzir inovações que narrativas mais "sérias" (como o telejornal oficial) não ousam testar. É assim com o Globo Esporte, que está introduzindo legendas divertidas para caracterizar os assuntos. Ao invés do previsível crédito do entrevistado, uma pitada de humor nas legendas: o jogador Henrique Dias foi designado "aniversariante", e o flamenguista Gamarra, insatisfeito, recebeu do gerador de caracteres um "quero meu dinheiro".

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Moderação

Há pelo menos dois programas na mídia nacional ocupados em fazer autocrítica do jornalismo: Observatório da Imprensa, apresentado por Alberto Dines (toda terça, às 22h30, na TV Educativa) e N de Notícia (aos domingos, 23h, na Globonews). Este último apresentado por Renato Machado, tem contra si o fato de convidar, basicamente, a "prata da casa" (funcionários das Organização Roberto Marinho), o que confere um "olhar moderado" sobre as atuação da imprensa ante os acontecimentos da semana. Havia também o Manhattan Conection, com Paulo Francis, que morrendo levou junto a verve do polemista e deixou o programa com aquela definição de Mário de Andrade acerca da escola: "Imbecilidade de muitos para vaidade de um só".

Revelação

A TV Vitória segue revelando talento e beleza na apresentação de seus telejornais. Com Vanessa Endringer e sua elegância egípcia, a locutora mostra que entre os quesitos de uma boa apresentadora está a serenidade.

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