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Maio/2001 nº15


Capixabas de sucesso
Roberto Kautsky, capixaba de sucesso, descobridor de maravilhas
O massacre da praça
Em 1930, o Exército abriu fogo contra populares em um comício da Aliança Liberal, deixando marcas de sangue na história
O homem do marechal
Stenzel foi o escolhido da oposição para a dura missão de acabar com o jogo no ES. O jogo acabou, e com isso seu prestígio político cresceu
Perfil humano e profissional
Apesar de ter perdido a família e o dinheiro, Érico Hanschaild jamais se separa de sua querida Leica, a câmera fotográfica que carrega há 54 anos
As cidades e sua gente
Linhares: Uma explosão
de emoções
O primeiro genocídio indígena
Maciel de Aguiar conta como os sonhos de liberdade de sua juventude o levaram a montar O Guarani, com a participação de índios da comunidade
Novo horizonte
O Espírito Santo já teve o segundo maior prostíbulo do Brasil, em Carapebus, que hoje abriga gente humilde e religiosa
Esporte por esporte
As histórias de Tarzan e do Rio Branco se confundem.





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  crônica - Tavares Dias

Felizes pelas fraldas da montanhas

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Vivem felizes e desembestados pelas fraldas da montanha, aos magotes, com sua encantadora alegria, sua saudável peraltice e seus lindos olhinhos vigilantes de montanheses. Têm nomes de plantas, de fenômenos da Natureza, de cores e de muita outra imagem poética que a sensibilidade dos pais encarrega-se de fazer ecoar pelos vales a cada vez que um daqueles pequenos queridos meninos e meninas tem seu nome chamado.

São tantos trepados numa mesma árvore, às vezes, e assim tão pequenos, que parecem mesmo frutos daquele paraíso. São dos mais belos seres dessa região tão rica em sua biodiversidade e que atende pelo nome de Parque Nacional do Caparaó .

Seja na banda capixaba, inigualável em sua exuberância vegetal, seja na mineira, também belíssima e mais estruturada por ter iniciado primeiro a exploração turística do Parque, o que a região tresanda de essencial é um jeito esperto de sua gente que com toda certeza está ligado à escolha da região como habitat. Escolha, no caso, refere-se aos não-nativos, esteja claro. E eles são um considerável contingente de famílias, boa parte dona de pequenas propriedades rurais, pousadas e albergues hoje às voltas com processos de desapropriação, por conta da ampliação da área do Parque.

É uma gente que respira a plenos pulmões, a poder de tanto subir e descer e subir serra de novo, tantas vezes até o topo do Pico da Bandeira no meio de tantos odores bons, tanto verde, tantos aromas curativos, tantas essências tranquilizadoras. E às vezes em meio a muito frio, também.

É gente de pernas fortes, de coração robusto, sorriso fácil e atitudes solidárias. Em geral pessoas que optaram por retirar-se do automatismo da vida das grandes cidades e que, tendo obtido sucesso no processo de adaptação ao novo lar, continuam na maioria das vezes trabalhando duro, que assim está escrito, mas é uma gente que tem tempo pra contar casos, pra ouvir o vizinho, pra andar a pé, pra sorrir de orelha a orelha. E pra receber as pessoas de um jeito desarmado que convida o forasteiro a ficar.

E também, não se iluda o visitante, é uma gente profunda no sentir e no pensar. Que afinal este é o efeito de regiões montanhosas de onde o vivente pouco vislumbra do horizonte: a introspecção. Na montanha, o universo interior se adensa e se enriquece. Convida ao refletir, ao examinar-se.

Como no caso da gente das beiradas e fraldas de montanhas do Caparaó. São pessoas de variado perfil, alguns tão ciosos da necessidade da preservação ambiental que pode tornar-se difícil a um urbanóide abrir mão de toda a parafernália eletrônico-cibernética do nosso tempo e topar ser vizinho daquela boa gente que escolheu viver como na canção "Riacho do Navio", de Luiz Gonzaga e Zé Dantas: "Sem rádio e sem notícia das terras civilizadas".

Mas que dá uma invejazinha danada daquela corajosa gente que escolheu para si e para seus filhos respirar todos os dias aquele ar tão puro, dá sim. No caso do cronista, fica por enquanto só na fantasia. Quem sabe um dia a coragem chega?

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