O que mais impressiona nesse pedaço de terra
plana, coberta com um céu sempre magnificamente belo em sua tranqüilidade e
também em seus momentos de tormenta? O fato de abrigar uma cidade moderna, ativa,
movimentada, sede de um município que sabe de sua importância para o Estado, para cujo
produto interno bruto contribui com mais de dez por cento? Ou suas planícies que abrigam
pastagens bem cuidadas e produtivas em mais de 150 mil hectares? O verde forte das
lavouras de café? Ou serão suas belíssimas paisagens, a Lagoa de Juparanã em
destaque, e as longas praias do litoral,
a perder de vista? Ou ainda as suas florestas preservadas, passeios
inesquecíveis à sombra da Mata Atlântica?
A repórter não sabe. Porque tudo o que viu foi sendo somado, foi sendo
multiplicado, até explodir em emoção.
Começamos a conhecer Linhares pela Lagoa de Juparanã. E, se não foi, ficou sendo.
Porque a imensidão de água prateada nos encheu tanto os olhos, que tudo o mais que vimos
antes transbordou. Imitamos (por terra) o imperador dom Pedro II, que em sua visita
histórica a Linhares, em 1860, navegou pela lagoa durante um dia inteiro. A cerca de 18
km da BR-101, depois de um lugar chamado Guaxe, pedimos entrada em propriedade particular
para ver a lagoa mas existe passagem aberta a todos na localidade de Pontal do
Ouro, pouco adiante, uma colônia de pescadores.
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O
arquivo público, patrimônio histórico com palmeiras
imperiais doadas por d. Pedro II |
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Esse lugar foi descrito por Pedro II no seu diário de viagem o
velho monarca era dado a essas coisas, escrevia e fazia desenhos meio toscos sobre tudo o
que via, o que, além de prova de interesse e curiosidade, rendeu excelente acervo para os
historiadores. "Canto do Guaxe (até aqui chama-se Onça). É fundo este canto e com
bela mataria. É muito bonito, com belas árvores... vejo bandos de periquitos, bandos de
maracanãs..." escreveu Pedro II, como destaca uma das crônicas do livro
Vultos, fatos e lendas linharenses, de Lastenio Calmon Júnior.
A propriedade em que estamos fica bem de frente para a Ilha do
Imperador, que ganhou este nome porque o monarca esteve lá. É realmente deslumbrante, a
ilha se confunde com a mata da margem esquerda (estamos à direita, quem vem de Linhares),
a lâmina dágua se estende a perder de vista, sempre ladeada pela mata, até Rio
Bananal um dos onze municípios banhados pela maior lagoa do Brasil em volume de
água.
Juparanã é um encanto, mas seu entorno já sofreu muito desmatamento.
A prefeitura está atenta, e fez parceria com a Universidade de Viçosa, MG, para
restaurar a mata ciliar. Uma Ong, o Instituto Juparanã, também vem tentando captar
recursos para um trabalho de recuperação de áreas degradadas, construindo esgotos tipo
fossa nas casas do entorno. São poucas as vilas e povoações que estão às margens da
lagoa, mas muitas ao longo do rio Juparanã, e também do rio São José, que forma a
bacia lacustre que alimenta e enche de beleza a região.
São mais de 69 lagoas, da qual a Juparanã é a que mais
potencialidades tem para o turismo. Uma atividade que, ao que parece, começa a atrair
investimentos de empresários para a construção de pousadas e restaurantes. Como o
recém-inaugurado Praia do Minotauro, do empresário Francisco Durão Costa, que é o hit
do momento em Linhares, freqüentado pelos executivos da cidade. Durão já iniciou os
trabalhos para a construção de pousadas, que no futuro irão formar com o restaurante um
complexo de lazer e turismo.
Um relatório da Secretaria de Desenvolvimento, Indústria e Comércio
que é responsável pelas atividades em prol do turismo , de janeiro deste
ano, dá conta de 21 pousadas, hotéis e motéis de Linhares. Nenhum está na Juparanã.
Uma realidade que precisa se modificar, mas que para isso depende pouco do poder público
a não ser no que este já vem se esforçando por fazer, que é estudar, analisar,
planejar e dar infra-estrutura.
Tudo isso está apenas começando, e precisa muito do interesse e da
garra do empresariado linharense (e também de investimentos vindos de empresários de
Vitória ou de outras regiões). Os pré-requisitos são: que sejam apaixonados por
turismo e que se deixem apaixonar pela Juparanã. Quem se habilita?
Pujante e hospitaleira
Quem passa pela ponte da BR-101, ao lado de outra, bem antiga
(construída no governo de Getúlio Vargas), sobre o rio Doce, a caminho do norte do
Estado, só de olhar já sabe que está penetrando em território de progresso e riqueza.
A cidade se espalha, ampla e hospitaleira, senhora de um povo orgulhoso de sua terra e de
sua história. E só não pára por ali mesmo quem está a serviço ou quem ainda
não sabe que aquele é também um território de beleza e paz. Porque da rodovia nem dá
para desconfiar dos atrativos naturais do maior município do Espírito Santo, que ocupa
dez por cento do território do Estado.
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No
Pontal do Ipiranga a pesca
é farta e atrai muita gente |
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Pujança é uma palavra meio antiga, meio em desuso... mas é essa a
palavra que vem à mente quando se conhece a cidade, percorrendo também as estradas do
interior e, mais que tudo, quando se passa a conhecer a história de sua formação e os
dados de sua economia.
Quase todas as Bandeiras movimento de penetração para o
interior do Brasil recém-descoberto, a partir de meados do século XVI tiveram
como roteiro inicial o rio Doce. Passaram por ali os bandeirantes Dias Arzão, Antônio
Dias Adorno, Martins Cão e outros, todos depois de Sebastião Fernandes Tourinho, o
pioneiro, que em 1573 subiu o rio desde a foz, em canoas que ele mesmo fez construir,
passando pela selvagem Lagoa de Juparanã e chegando a Minas Gerais, onde descobriu ouro e
pedras preciosas.
Mas a história de Linhares começa mesmo com a criação de um quartel
militar, o de Coutins, à margem do rio Doce, em 1800, para dar segurança e vigiar de
perto o tráfico do ouro, que era escoado através do rio. Em 1809, o lugar tomou o nome
de Linhares. Tanto o nome do quartel quanto o da povoação foram homenagem a d. Rodrigo
de Souza Coutinho, conde de Linhares, um dos maiores ministros de Portugal e ministro, no
Brasil, de d. João VI, até a morte. Ele foi o primeiro a perceber a importância do rio
Doce como escoadouro da produção da região montanhesa de Minas e também do ouro, e
inspirou a criação dos quartéis que pontilharam o caminho natural do rio, sendo a
origem de quase todas as cidades e vilas que até hoje existem em suas margens.
Toda a história dos primórdios da colonização desse pedaço do
Estado se deu com muita luta, muita refrega, pois os índios botocudos na maioria
não entregaram suas terras com a generosidade e complacência que se esperava. A
perseguição e matança dos botocudos constituem um capítulo cinzento dessa história.
Eram guerreiros tão temíveis, que o conde de Linhares oferecia recompensas pela captura
deles. Levou 100 anos para o homem branco se livrar dos botocudos. Um dos pioneiros em
Linhares, Alexandre Calmon, que havia feito tentativa bem sucedida de aproximação
amigável com os botocudos, teve com uma índia um filho mestiço, que mais tarde ficou
conhecido como Capitão Nazareth. Era um índio de olhos azuis, graças à mistura de
sangue, e comandou grupos de botocudos na defesa contra o homem branco. Mas este venceu.
Os botocudos foram escorraçados pelo menos aqueles que não se submetiam à
religião do conquistador , ou então mortos.
O pioneiro e o imperador
O pioneiro nessas terras foi João Felipe Calmon Du Pin e Almeida, que
veio com família e escravos, de Santo Amaro, na Bahia, para tomar posse da sesmaria que
recebera às margens do rio Doce, e que chamou de Fazenda Bom Jardim, em 1809. A sesmaria
ficava onde hoje está a Estação Experimental da Emcapa. O historiador francês Saint
Hilaire esteve por aqui em 1818, e, no litoral, encontrou já estabelecido em Regência o
fazendeiro Antônio José Martins, outro pioneiro. Em 22 de agosto de 1833 instalava-se a
primeira Câmara Municipal, iniciando-se a vida político-administrativa do município.
Praticamente o primeiro prédio construído em Linhares, a antiga Casa
da Câmara, que também já abrigou a prefeitura, hoje é o Arquivo Público Municipal
em frente à praça 22 de Agosto, hoje ocupada pelo Fórum. A restauração da Casa
da Câmara é recente, e a prefeitura se comprometeu a restaurar também a praça, com a
retirada dos órgãos do Judiciário que lá estão o mais breve possível. É preciso
mesmo, pois a praça, além de seu papel histórico, é um lindo local de lazer.
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Na
Lagoa Juparanã, visão da Ilha do Imperador, nome dado em homenagem a d. Pedro II
quando sua visita à região |
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As palmeiras reais, presente de dom Pedro II em sua visita, plantadas
junto à casa, e hoje com mais de cem metros de altura, foram tombadas pelo Patrimônio
Histórico juntamente com a Casa da Câmara. Aliás, formam um dos mais belos cartões
postais da cidade. É lá que a funcionária Cecília Bonaparte (isso mesmo, e o que é
mais curioso, filha de Napoleão Bonaparte, agricultor linharense, sem outro sobrenome)
faz o cadastramento e cuida dos objetos e livros antigos, a serviço da Serlihges
(Seccional Regional de Linhares do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo,
que funciona no prédio). É ela quem nos fornece vasto material histórico, fotos
antigas, e a sua maneira simples de contar os fatos. "A cidade começou aqui, no
encontro dos rios Doce e Pequeno, este também chamado de Juparanã, pois nasce na lagoa,
ou melhor, é a continuação do rio que a forma, e dom Pedro II parou aqui para apreciar
a vista", explica, justificando: "Nada na História foi mais importante para o
povo de Linhares do que a visita do imperador".
A visita tornou-se marco histórico para a cidade. O anfitrião do
imperador foi Anselmo Calmon, filho do pioneiro João Felipe. Em seu passeio pela Lagoa
Juparanã, ele passou o dia a bordo da canoa Nova Emília, navegando por toda a lagoa, e
parou na ilha da Pedreira (ou de Santana), que dali para a frente, e até hoje, ficou
conhecida como Ilha do Imperador. Prepararam uma farta mesa para o monarca, mas este
preferiu comer sentado em uma pedra, à beira dágua. A simplicidade de Pedro II
encantou a todos. Culto, informado, o imperador anotou todos os acontecimentos da viagem.
Ele navegou, caçou, riu muito e muito fez rir. E com a sua visita tornou Linhares mais
conhecida e respeitada, além de dar novo ânimo aos produtores e comerciantes locais.
Golpes contra Linhares
O primeiro golpe contra Linhares veio em 1841, quando foi votada
resolução, no Congresso, que lhe tirava a posição de Vila. Mas a valente Câmara
Municipal apelou em peso para o governo imperial. O imperador d. Pedro II, por meio de
Aviso, em 1º de julho de 1842, recomendou ao presidente da Província, José Manuel de
Lima, que não fosse extinto o município.
Preservação
em destaque
Outros bons motivos para visitar esta região o primeiríssimo,
já se viu, é Juparanã são as áreas de proteção ambiental e o litoral, a
cerca de 58 km. Três áreas de preservação da Mata Atlântica dividem as atenções dos
turistas: Comboios, mais perto do litoral, Sooretama, que apesar de pertencer ao
município vizinho tem cerca de 80% de sua área em terras linharenses, e a Reserva
Natural de Linhares, da Vale do Rio Doce. Esta, mais estruturada para receber visitantes,
já que foi criada de modo planejado, exatamente para ser ponto de referência mundial em
estudos ecológicos da flora e fauna brasileira. A reserva tem um centro permanente de
exposições, com painéis de fotos e muita informação sobre a natureza local.
Ali ficam o maior viveiro de mudas da América Latina e a maior reserva
genética de jacarandá. A atração maior são as trilhas, por onde grupos de até vinte
pessoas são ciceroneados por técnicos a serviço da Vale, penetrando na mata com
segurança. A entrada custa R$ 3 para crianças e R$ 5 para adultos.
O litoral é deslumbrante. A começar por Regência, onde além da
paisagem ainda se pode fazer contato com o elogiadíssimo Projeto Tamar, de preservação
das tartarugas marinhas gigantes. O projeto é conhecido e respeitado mundialmente, e isso
atrai para Regência grupos de turistas estrangeiros, que acabam visitando também outros
locais de interesse ambiental. É o ecoturismo, para o qual a prefeitura já está se
preparando fez obras de urbanização na Lagoa do Meio, preserva as estradas de
terra e tem projetos para asfaltá-las, dá apoio a eventos culturais voltados para o meio
ambiente.
Em Pontal do Ipiranga, além da praia excelente, de águas límpidas e
ondas mansinhas, há o eterno magnetismo dos forrós. Qualquer coisa é motivo para
forró, e no verão a povoação de pescadores vira um carnaval só desde dezembro até
abril, com uma população flutuante de mais de dez mil pessoas, na maioria jovens.
Na Barra Seca, encontro do riacho Seco com o mar, a atração é o
Centro de Naturismo, já conhecido
internacionalmente. |
Na cidade há um bairro, Aviso, que teve seus primórdios exatamente
nessa época. Diz um ditado que passava de boca em boca entre os freqüentadores da zona
de meretrício que ali existia (e que, como tudo nesta terra abençoada, foi também
pujante nas décadas de 1940 e 50), que "atrás do aviso vem o canivete".
Canivete é outro bairro, também próximo à região de divertimentos sensuais. Uma
região, ou zona, extensa, que recebia marinheiros, caminhoneiros e trabalhadores das
lavouras. De vez em quando saía briga, como era comum nesses lugares, daí o temor do
canivete e o ditado popular. Ali havia um movimento que só arrefeceu depois que o
progresso entrou em ponto morto, quando todo o Estado sofreu com poucas verbas e pouco
caso da parte do governo federal. É o que se conta por aqui...
O segundo golpe mais sério veio quando o Estado,
enfrentando uma grave crise financeira, decidiu suprimir algumas comarcas (órgãos do
Judiciário da época), inclusive a de Linhares, em 1900. A comarca foi restabelecida em
1907. Mas o esvaziamento de Linhares foi quase irreversível, além do mais porque
chegavam a Colatina, em 1906, os trilhos da Estrada de Ferro Diamantina, hoje
Vitória-Minas, incorporada à Companhia Vale do Rio Doce. Colatina prosperou, Linhares
ficou esquecida até a comarca foi transferida para Colatina.
"Linhares mergulha numa noite imensa de sofrimento", conta em
seu livro o historiador e poeta Lastenio. As fazendas entraram em declínio, faltou
dinheiro para tudo, as famílias tinham dificuldades até de enviar os seus filhos para
estudar em Minas ou no Rio de Janeiro, como era tradição".
Não há mal que sempre dure... e muita gente em Linhares até hoje
rende homenagens ao Dr. Carlos, o governador Carlos Lindenberg, que trouxe de volta a
Comarca, em 1949. A própria figura do Dr. Carlos, por si só, trouxe ao Estado o respeito
do governo federal. E atrás do respeito vieram as verbas, os projetos, e atrás destes os
resultados, o desenvolvimento... e Linhares caminhou de novo para a frente.
Uma economia invejável
Firmou-se aqui a cultura do café, hoje uma das maiores do Estado
(representa cerca de 8% de todo o café que se produz no ES), com área plantada de 14 mil
hectares e valor de produção em torno dos R$ 35 milhões anuais. Depois, em ordem de
importância, vêm cana-de-açúcar, que alcança R$ 8 milhões/ano, e cacau, com R$ 5
milhões/ano. O mamão papaya também oferece excelentes resultados na região, com
produção de cerca de 82 mil toneladas no valor de cerca de R$ 9 milhões/ano, sendo a
maior produtora a Caliman Agrícola S.A., que exporta para Europa e Estados Unidos.
A pecuária ocupa área de 160 mil hectares, com 200 mil cabeças,
produzindo cinco mil toneladas/mês de carne e 289 mil litros/mês de leite. A indústria
moveleira é o grande destaque industrial de Linhares, considerado o maior pólo moveleiro
do país, com 55 fábricas, com destaque para a maior, a Movelar, que distribui seu
produto em todo o território nacional e também exporta.
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A
estação coletora da Petrobrás |
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A reboque do sucesso dos móveis de Linhares, houve o crescimento da
indústria madeireira, que hoje tem 39 plantéis. Vestuário, calçados e artefatos de
tecidos estão representados por 16 empresas. Há também uma usina de álcool, a Linhares
Agro-Industrial (LASA), que produz 36.500m3/ano e uma fábrica de bicicletas, a IMEC, que
destina aos mercados do Estado, e também do Rio de Janeiro e Bahia, a produção de 600
unidades/mês. A Petrobras tem várias estações coletoras de petróleo, explorado em
propriedades particulares, e uma plataforma em mar alto, que se vê das praias. A estatal
tem uma produção de óleo e LGN de 247 mil metros cúbicos/ano, e produção de gás
natural de 700 milhões de metros cúbicos.
Naturismo, uma nova atração
louca idéia de alguns abnegados curtidores da vida natural de
criar um lugar especialmente para a prática do nudismo fez tanto sucesso, que
alguns jovens empresários já estão apostando no local como ponto de atração
turística. Entre eles o casal Marcos e Eneid, que deixaram tudo em Vitória para
construir sua Pousada Lua Nua, uma gracinha de construção, arejada e confortável.
No último verão, eles sentiram que sua decisão foi correta: aliaram
a tranqüilidade da vida junto à natureza à possibilidade de ter boa fonte de renda, e
estão começando a ter sucesso. O mesmo aconteceu com alguns ex-pescadores e donos de
biroscas no lugar, que viram sua renda se multiplicar com a chegada dos turistas. Já há
um restaurante e mais uma pousada, a Urussuquara, no local.
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"Tudo por causa dos pelados". A idéia foi surgindo meio
insidiosa, cada vez mais presente nas mentes de pessoas que descobriram e passaram a ir
sempre a Barra Seca. À frente, Márcio Braga (foto), professor universitário e auditor
contábil, de Vitória, que com sua maneira alegre e descontraída foi cativando cada vez
mais gente para a idéia: a criação de um campo de naturismo. Hoje ele é o presidente
da Federação Brasileira de Naturismo, e os adeptos trazidos por ele contam-se às
dezenas. O campo de Barra Seca já tem pequenas benfeitorias, como o indispensável
chuveiro para tirar o sal do corpo. Grupos cada vez maiores de adeptos do naturismo
alguns estrangeiros chegam cada vez com mais freqüência. A regra ali é:
desacompanhados para um lado, casais para o outro. E não há idade para ficar pelado numa
boa: muitos casais trazem seus pais e filhos pequenos. Os idosos e as crianças só tiram
a roupa se quiserem. Mas maiores de 15 anos não podem ficar vestidos. Márcio mostra a
imensidão da praia agora vazia, pois já passou a alta temporada de verão:
"Vão me perdoar, mas esta é a minha praia", e rapidamente tira o calção,
única peça que vestia. A praia é linda, a sensação de liberdade é extasiante, o mar
é calmo, a água é quentinha... por que não?
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Leia mais sobre a cidade
Vultos, fatos e lendas linharenses, de Lastenio Calmon
Júnior, Ed. Littera Maciel (Belo Horizonte, MG), 1975
Panorama histórico de Linhares, de Maria Lúcia Grossi
Zunti, na 2ª edição, publicado pela Prefeitura Municipal de Linhares, 1982
Rio Doce, Juparanã, Linhares, crônicas de Atahualpa Duarte
Calmon Costa, publicado pelo Diretório Acadêmico da Faciasc
Guia histórico e geográfico das ruas de Linhares, publicado
por iniciativa da Serlihges, pelo Instituto Histórico Geográfico do Espírito Santo,
1995