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Maio/2001 nº15


Capixabas de sucesso
Roberto Kautsky, capixaba de sucesso, descobridor de maravilhas
O massacre da praça
Em 1930, o Exército abriu fogo contra populares em um comício da Aliança Liberal, deixando marcas de sangue na história
O homem do marechal
Stenzel foi o escolhido da oposição para a dura missão de acabar com o jogo no ES. O jogo acabou, e com isso seu prestígio político cresceu
Perfil humano e profissional
Apesar de ter perdido a família e o dinheiro, Érico Hanschaild jamais se separa de sua querida Leica, a câmera fotográfica que carrega há 54 anos
As cidades e sua gente
Linhares: Uma explosão
de emoções
O primeiro genocídio indígena
Maciel de Aguiar conta como os sonhos de liberdade de sua juventude o levaram a montar O Guarani, com a participação de índios da comunidade
Novo horizonte
O Espírito Santo já teve o segundo maior prostíbulo do Brasil, em Carapebus, que hoje abriga gente humilde e religiosa
Esporte por esporte
As histórias de Tarzan e do Rio Branco se confundem.





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  de história e folclore - Renato Pacheco

Homens folk e folcloristas

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Aceitando-se folclore como palavra polissêmica, devemos encará-la tanto como o tato folclórico como quanto registro do mesmo. É parte do grande campo da "cultura residual", como ensina R. William em Marxismo e literatura, Rio, Zahar, 1979.

Esta cultura é formada no passado, mas ainda está ativa no momento presente. Entanto, existe também uma cultura emergente, o chamado folclore nascente, que se reporta a novos significados e valores, novas práticas, novas relações e tipos de relações, continuamente criados.

Dentro deste último campo estão o rock-congo, que tanto sucesso anda fazendo, e o uso alternativo de material industrializado (latas, pneus) para o artesanato contemporâneo.

Temos, no Brasil, e tivemos alguns grandes folcloristas, dedicados ao registro dos fatos folclóricos. Entre os falecidos, destaco Guilherme Santos Neves, Luiz da Câmara Cascudo, Veríssimo de Mello, Rossini Tavares de Lima, Alceu Maynard Araujo, Dante de Laytano e tantos mais. Dos vivos, não cito nenhum, porque não quero confusão no meu pedaço, e qualquer não citado ficará zangado por séculos e séculos. Hermógenes Fonseca foi a um tempo homem folk e folclorista, caso raro e notável.

Entre os homens de folk, destaco Mestre Vitalino de Caruaru, Antônio da Rosa de Conceição da Barra, e Mestre Pedro Lino do Morro do Alagoano de Vitória, onde alguém, o Raimundo talvez, poderia fomentar de novo a representação da marujada. Entre os vivos, repito a nota supra, que de todos sou amigo.

Agora quererem os folcloristas ser cientistas sociais, isto é que não. Como ensinou Florestan Fernandes, o folclore é um estudo humanístico que pode até auxiliar a construção de uma futura ciência social. Porque dentro da lógica dos três valores (certo, errado, indeterminado) ainda é cedo para a gente falar em "ciência" social. Aguardemos seu desenvolvimento matemático, no estudo dos diversos fatos humanos, e esta coisa misteriosa que é o comportamento da gente poderá ser objeto de uma vera ciência. Creio que lá chegaremos.

Enquanto isto, que vivam os homens de folk e os folcloristas.

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