Aceitando-se folclore como palavra polissêmica, devemos
encará-la tanto como o tato folclórico como quanto registro do mesmo. É parte do grande
campo da "cultura residual", como ensina R. William em Marxismo e literatura,
Rio, Zahar, 1979.
Esta cultura é formada no passado, mas ainda está ativa no momento
presente. Entanto, existe também uma cultura emergente, o chamado folclore nascente, que
se reporta a novos significados e valores, novas práticas, novas relações e tipos de
relações, continuamente criados.
Dentro deste último campo estão o rock-congo, que tanto sucesso anda
fazendo, e o uso alternativo de material industrializado (latas, pneus) para o artesanato
contemporâneo.
Temos, no Brasil, e tivemos alguns grandes folcloristas, dedicados ao
registro dos fatos folclóricos. Entre os falecidos, destaco Guilherme Santos Neves, Luiz
da Câmara Cascudo, Veríssimo de Mello, Rossini Tavares de Lima, Alceu Maynard Araujo,
Dante de Laytano e tantos mais. Dos vivos, não cito nenhum, porque não quero confusão
no meu pedaço, e qualquer não citado ficará zangado por séculos e séculos.
Hermógenes Fonseca foi a um tempo homem folk e folclorista, caso raro e notável.
Entre os homens de folk, destaco Mestre Vitalino de Caruaru, Antônio
da Rosa de Conceição da Barra, e Mestre Pedro Lino do Morro do Alagoano de Vitória,
onde alguém, o Raimundo talvez, poderia fomentar de novo a representação da marujada.
Entre os vivos, repito a nota supra, que de todos sou amigo.
Agora quererem os folcloristas ser cientistas sociais, isto é que
não. Como ensinou Florestan Fernandes, o folclore é um estudo humanístico que pode até
auxiliar a construção de uma futura ciência social. Porque dentro da lógica dos três
valores (certo, errado, indeterminado) ainda é cedo para a gente falar em
"ciência" social. Aguardemos seu desenvolvimento matemático, no estudo dos
diversos fatos humanos, e esta coisa misteriosa que é o comportamento da gente poderá
ser objeto de uma vera ciência. Creio que lá chegaremos.
Enquanto isto, que vivam os homens de folk e os folcloristas.