|
Esporte por esporte
Álvaro José Silva conta histórias dos 79 anos de vida de Nilo Etienne Duarte, dos
quais 60 foram dedicados ao esporte e principalmente à sua maior paixão, o futsal
A praça é nossa
Um pequeno beco e um barzinho em Cachoeiro acabaram ficando conhecidos como Praça
Vermelha, reduto histórico de liberdade para debates políticos
As cidades e sua gente
Há vários motivos para justificar o nome de Alegre. A beleza da
região,
a vida universitária, o maior festival de música do Estado, e agora o título de campeã
no futebol são alguns deles
Negros de Ibiraçu
Há um século, um grupo de negros enfrentou os desafios da mata densa e subiu a
montanha para fundar, em Ibiraçu, uma comunidade onde, isolados e vivendo da terra,
encontram no congo sua mais importante expressão cultural
Capixabas de sucesso
Rommel Rubin Dias investe toda a sua jovialidade na produção do maior carnaval fora
de época do país, o Vital, que traz para a cidade 500 mil turistas todos os anos
De
história e folclore - Renato Pacheco
Palavra de mulher - Jeanne
Bilich
Fatos e lendas do sertão - Adilson
Vilaça
Mídia na mira - Silvia
Chiabai
Livre pensar - Jace
Theodoro
Crônica - Tavares Dias
Milagres:
causa e efeito
ilagre é um efeito sem causa dizia
aquele famoso economista ligado ao sistema vigente à época do chamado milagre econômico
brasileiro, lá pelos idos de 70. O que ele pretendia com a frase, de inegável efeito,
era desmentir o fato, muito divulgado naquela ocasião, de que a economia do país estava
crescendo a taxas altíssimas à custa de muito sacrifício da população, submetida a um
inexorável processo de empobrecimento. Primeiro, acentuava o mago da nossa economia, era
preciso fazer o bolo crescer, para só então distribuí-lo. Não havia milagre, portanto;
tudo era fruto de planejamento.
Que dizer, então, do milagre que estamos
testemunhando em nossa agricultura? Não há planejamento, no sentido estrito e mais
abrangente do termo, pois faltam recursos e pessoal capacitado e em número razoável para
executar a tarefa a contento. E os investimentos são de pouca monta, se comparados às
necessidades do setor. Entretanto, somos os maiores exportadores de mamão, estamos em
segundo lugar como produtores de café arábica, em primeiro de café conilon, figuramos
como pioneiros em pesquisas sobre agricultura orgânica, ostentamos os títulos de maiores
produtores de coco anão verde e ocupamos a quarta colocação em pesquisa agropecuária.
São títulos que podem ser chamados de
milagrosos, como os classifica a repórter Fernanda Couzemenco, de SÉCULO, em mais um
daqueles exaustivos e profundos trabalhos de campo que ela vem realizando para a revista
no setor agrícola. Mas a quem se deve atribuir tal milagre? Certamente, não a nenhuma
força divina. É do empenho de pesquisadores (poucos), com nível técnico, graduados
(alguns com doutorado) e, especialmente, produtores rurais (também pesquisadores, a seu
modo) que surgem esses resultados, revolucionando a agricultura, a economia e, de certa
forma, a vida de todos nós responde a jornalista.
Com a permissão do economista lá de cima
(hoje um tanto por baixo, por não ter implementado a distribuição de renda prometida),
podemos assegurar que o milagre da agricultura capixaba tem causa, sim. Está localizada
na cabeça e nas mãos desses homens e dessas mulheres que não desanimam diante da
adversidade. Gente que, apenas com esforço e tenacidade, coloca a agricultura como a
terceira atividade econômica do Estado, responsável por 15% da receita e pela geração
de 800 mil empregos diretos.
O esforço capixaba pelo desenvolvimento da
agricultura orgânica está prometendo um novo milagre para breve. Se não propriamente um
milagre, pelo menos uma autêntica revolução, como prefere a nossa repórter. Isso vai
acontecer quando o Espírito Santo anunciar ao mundo o surgimento em sua lavoura do
primeiro grão de café orgânico.
Será, esperamos, o passo inicial de um
tempo em que não teremos mais de consumir alimentos impregnados do veneno dos
agrotóxicos.
Um novo milagre da vida. |