| O último texto de Solon
Borges No dia 22 de
março último, a apenas duas horas de seu falecimento e depois de ler em SÉCULO de
dezembro reportagem de Rogério Medeiros sobre sua trajetória política e profissional, o
ex-deputado e radialista Solon Borges animou-se novamente a escrever e dirigiu à
Redação a carta que abaixo vai publicada na íntegra. Em seguida, Solon Borges iniciava
o que ele próprio chamara na carta de "caminhada final".
Ao final da entrevista que concedeu a
Rogério Medeiros, Solon Borges falou de sua intenção de publicar, em breve, um livro
contando a sua experiência com Cristo, "mas muito descrente com seu coração,
achando que ele anda na hora de lhe pregar uma grande peça".
E foi o que aconteceu realmente. Cercado de
honras e homenagens por parte de familiares, amigos, admiradores e gente simples do povo,
Solon foi sepultado em meio a discursos que enalteciam suas qualidades de homem público e
religioso. Perdeu o Espírito Santo um político que soube exercer mandatos eletivos com
dignidade e ética; perdeu o povo simples e humilde um guia espiritual; perdemos nós,
seus amigos, um companheiro leal e sincero.
Eis a emocionada carta que Solon Borges
escreveu de próprio punho ao diretor de SÉCULO, seu amigo Rogério Medeiros:
"Meu filho, Solon Júnior, trouxe-me,
semana passada, alguns exemplares da bonita e bem elaborada revista SÉCULO (Ano I, nº
10, dezembro de 2000). Moderna, artisticamente ilustrada, impressionante, leve, agradável
e convincente.
Li-a toda, inclusive as promoções, da
primeira à última página. Parabéns.
Seu trabalho é digno do Espírito Santo.
É prezeroso contactá-lo, lê-lo, reanimá-lo.
Quanto ao Orador das multidões,
tocou fundo minha sensibilidade, aumentando a minha convicção de que os verdadeiros
jornalistas, apesar de raros, ainda existem. Fotografam com mestria e fidelidade os fatos
que transmitem aos seus leitores.
Nas minhas campanhas, analisava a
situação e oferecia ao povo as verdades nuas e cruas, nunca em menos de uma hora de
oratória, sem citações de nomes nem insinuações deprimentes.
Você publicou a verdade aliás, uma
constante sua.
Sim, minhas campanhas foram paupérrimas,
mas ricamente ornamentadas de ardor patriótico, cristão e democrático. Olhava nos olhos
dos presentes e me dirigia diretamente aos seus corações e suas consciências, certo das
acolhidas carinhosas, porque, logicamente, nem adversários ou inimigos gratuitos se
atreveriam, publicamente, a desmentir-me.
A Igreja não oficializou o meu nome.
Raríssimos foram os sacerdotes que me apoiaram. Aqueles que o fizeram agiram a moto
próprio, por convencimento pessoal. Como pregava o Cristo bíblico, muitos evangélicos
me ajudaram, espontaneamente. A classe média e os trabalhadores foram o meu forte. A
oratória foi minha única arma. A sinceridade que extravasava, minha força magnética.
Lutei por princípios, não abri exceções em nenhum momento e por nenhuma razão
subalterna. Autenticamente humilde, fui, sou e serei "isso" de corpo, alma e
fala.
A sua honrosa visita, Rogério, lá no alto
da montanha, onde me recolho, reavivou lembranças dos meus planos pelo Estado, pelo país
e pelo mundo que a perda vocal feneceu. Quero, no entanto, antes da caminhada final,
minimizar os grandes males sofridos e frustração operacional com a publicação de
algumas mensagens que julgo agradáveis ao Pai Eterno e benéficas aos seres humanos e a
toda a criação.
Do seu irmão menor,
Solon Borges
Emoção e alegria
Utilizo-me da presente, primeiramente, para
dizer da minha emoção e alegria, ao ver minha carta publicada nesta importante revista.
Muito obrigado pela atenção.
Seguidamente, quero dizer que desejo fazer
minha assinatura da revista SÉCULO, para continuar recebendo esta maravilhosa
publicação, que divulga as coisas boas do meu Estado. Aproveito a oportunidade para
sugerir uma reportagem na cidade de Alegre, contando como foi sua origem, até os dias de
hoje. Seria possível?
Adorei a reportagem com o dr. Dirceu
Cardoso. Ele é um exemplo de vida. Os políticos do nosso país devem seguir-lhe os
passos de homem honesto e digno.
Também quero parabenizá-los pela
excelente revista. É completa e envolve vários temas, todos muito bons. Ler a revista
SÉCULO tornou-se um vício para mim, um delicioso vício. Eu adoro, foi um presente
maravilhoso que ganhei. Desejo sucesso para todos. Recebam um abraço fraterno deste
capixaba ausente.
Um dia voltarei a morar no Espírito Santo,
se Deus quiser.
Milton Batista Pôrto
Prezado Milton: como você mesmo pode
constatar, sua sugestão foi aprovada e a cidade de Alegre é destaque nesta edição de
SÉCULO. Continuamos
abertos a sugestões e críticas também, é claro.
SéculODiário
Sr. editor: estou escrevendo para dizer que
adorei a reportagem PTB, um partido que nasceu conservador, não simplesmente por
ser neto de Argilano Dario, que por sinal está tão esquecido nos dias atuais, seja na
memória dos capixabas que tanto amava, ou pelos meios de comunicação, que teriam de
fazer dos exemplos passados uma prerrogativa, para que nas crenças remotas ao meio
político da atualidade se resgate a credibilidade.
Precisamos ainda fazer com que se
diferencie a esquerda (que como sabemos é um mecanismo de grande importância para
qualquer processo democrático) dos agrupamentos políticos da atualidade, que fazem da
incondicionalidade do poder uma ferramenta de descrédito onde vale tudo, para alcançar o
objeto Estado que é de responsabilidade da sociedade, mas para alguns é
somente poder. Sendo assim, afirmo que é das boas lembranças que tiramos referências
positivas, tão esquecidas e que precisam ser lembradas, seja nas informações
históricas, como essa, ou nas realizações concretas e de boa fé dos poucos homens
públicos que ainda permanecem, como exemplo o nosso governador José Ignácio.
Aproveito para parabenizá-los pelas
matérias veiculadas em SéculODiário. E dizer ainda que gosto muito da postura
dessa editora, já que as verdades são práticas tão evidentes, preservando assim a
ética do meio de informação. E falo como estudante de Comunicação Social. Tenho que
tirar dos preceitos da justiça e da bondade a definição conceitual da imparcialidade e
da verdade, esquecidas muitas vezes por alguns, por terem tendências políticas ou
comprometimento com o sustento de seu capital privado.
Fico feliz, pois se hoje participo da
política, como ele o fez, mesmo sendo do PSDB e neto de um peemedebista autêntico,
acredito na política e sei que é na conscientização dos jovens de hoje que
construiremos uma nação forte e preparada para administrar, legislar e julgar com
responsabilidade o nosso amanhã.
Alesandro C. Potiguara |