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| mídia na mira - Sílvia Chiabai |
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Cromáticas
Exuberante a foto de Gildo Loyola na matéria De Porto
Seguro à Barra em um caiaque (6/5), com o texto sempre preciso de Peter Falcão. A
cores e centralizada em quatro colunas, até o que deveria ser defeito de uma imagem
digital, embaçando um pouco na ampliação, acabou surgindo como esboço impressionista.
Ao abrir a página, tem-se a noção que o azul do mar está entrando pela janela dos
olhos. Evidência do ecletismo do estilo formal de A Gazeta, que comporta
experimentações deste tipo, (de Leonel Ximenes), no esporte e no Caderno 2. No Brasil, o
parque gráfico do Estadão é o que parece reproduzir fotos melhor que os concorrentes.
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Cromáticas II
Aliás, não se entende por que os jornais locais não usam a
cor nos quadrinhos. Na imprensa nacional, a página de lazer é quase sempre plenamente
colorida. |
Barriga
Ricardo Boechat, um dos melhores colunistas de sua
geração, acertou em não acolher a fofoca internauta sobre a separação de Ronaldinho.
A equipe do Terra errou ao não procurar ouvir os dois lados da história, e agora o
atleta quer indenização milionária por danos morais. Lembra a separação de Chico
Buarque, pré-anunciada pela imprensa e que acabou acontecendo mesmo, apesar de o casal
obter ganho de causa contra quem publicou a notícia como fato consumado. Numa época em
que a velocidade é o principal suporte da informação, a revista "Contigo"
apressou-se a divulgar a história sem ouvir lado algum.
Mistério
A mídia deveria descobrir um mister M para cada uma das
profissões, investigando os macetes, por exemplo, de políticos, médicos, engenheiros e
por que não? - jornalistas. O Congresso com suas CPIs acaba desvendando
escândalos como o do B.O. que corre entre os farmacêuticos: "bom pra otário".
Indigestão
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O lobby das indústrias do leite é tão poderoso que a
mídia claudica ao divulgar as pesquisas comprovando que o produto não é mais
necessário na vida adulta. No Globo Repórter sobre alimentação, foi necessário apenas
um minuto para a informação de que leite envelhece. A nutricionista Sônia Hirsch vai
mais longe: em seu livro Só para mulheres, adverte: "o consumo freqüente de
leite de vaca e seus derivados está cada vez mais associado a asma, urticária, rinite e
alergias em geral, artrite, inflamação intestinal, problemas renais, diabetes e câncer,
especialmente de pâncreas, pulmões e ovários. A questão é que a proteína do leite,
dificílima de ingerir, sobrecarrega o sistema imunológico e inflama amígdalas e
adenóides, dá sinusite, catarros, resfriados constantes, gases e prisão de ventre. Para
piorar, essa proteína destinada a construir chifres, pêlo e rabo num animal de
meia tonelada - chega à nossa mesa acompanhada de uma quantidade absurda de hormônios e
antibióticos que as pobres vacas tomam para dar mais leite e não ficarem doentes".
Antes apontado como alívio de gastrite, o leite hoje é considerado seu pior inimigo. Mas
a mídia emudece. Quem quer contrariar as poderosas multinacionais dos produtos lácteos?
Menos mal que aqui a indústria não consiga fazer a campanha que faz nos Estados Unidos,
contratando artistas de cinema para posar com o "bigodinho" branco que o leite
deixa ao ser ingerido.
Dublagem
Ainda está por ser escrita uma sociologia dos palavrões.
Talvez com isso os nossos tradutores traidores comecem a respeitar, nas dublagens, o
linguajar chulo e obsceno que faz um "shit" virar "droga", e um
"fuck you" por "dane-se". Os textos para televisão também evitam
agredir os ouvidos dos moralistas: mesmo os programas humorísticos não têm autoridade
para adotar o linguajar popular. Daí o prazer em ver programas como o Gordo a Go Go, com
João Gordo, na MTV, e das conversas de um técnico tentando corrigir um time. Censuram a
mídia, mas não podem censurar a vida.
Novidade
O programa Em movimento (sábado, 11h55) estreou na
TV Gazeta num estilo que mistura MTV e Globo Esporte. São 20 minutos de reportagens
destinada ao público adolescente, com muito ritmo e animação, além de um trabalho de
edição (Suely Lievori e Teresa Abaurre) que sacode os formatos tradicionais da emissora,
até agora restrito a linguagem tradicional jornalística. Resta saber se conseguirá se
impor na grade feroz que a Globo impõe às afiliadas. |