|
Receita
contra as dores do mundo (final)
Os livros também
são eternos
Texto: Jeanne Bilich
Fotos: Ricardo Medeiros
VIA E-MAIL
Para: Denise Zandonadi
Denise, cara mia :
Perdoe-me o silêncio. Sepulcral mesmo,
admito! Quase trinta dias... ou terá sido um mês? Sacros Numes! O tempo passa, sem que o
sinta a gente. Tal qual escreveu Dante - Vassene il tempo, e luom non se
navvede na Divina Comédia, no idioma que lhes é comum. Mi
scusi, amica mia! A delicada e sutil cobrança, tão a seu estilo, sobre o andamento
das minhas pesquisas - promessa feita no e-mail anterior - resgatou-me das
profundezas em que mergulhara. Absorta no trabalho, totalmente esquecida do calendário.
Não minto. Enfurnada nas livrarias oh! delícia! a folhear livros, adquirir
novos, consultar reportagens e artigos na biblioteca. E, finalmente, colhendo depoimentos
aqui e acolá. Tudo isso no afã de antever o futuro dos livros. E da leitura,
naturalmente! Que o mundo caminha célere quem ainda duvida? - para ser território
hegemônico das imagens. Aí... tragédia máxima!
Adeus, livros, bibliotecas, livrarias,
jornais impressos e revistas. Adeus, universo gráfico! Civilização de mídias visuais?
Estou fora! Vade retro, Satanás! Só ao imaginar, entro em pânico. Daqueles fóbicos. O
que farei, cara signorina, nesse mundo imagético? Que Descartes me perdoe a
ousadia, mas seu Cogito, ergo sum transmudo para Leio, logo existo. Minhas
referências existenciais repousam nos livros. Sem exceção! Quem são eles? Quem sou eu?
Os livros foram a magia da minha infância, libertaram-me do campo de
concentração católico na literalmente perdida adolescência e, mais tarde, na
aurora da juventude, conferiram-me a certeza de ser mentalmente sã. Não, não ria, carissima!
 |
O livreiro Antônio Carlos, na sua
livraria, a Dom Quixote |
|
Esse é um fato de fundamental
importância. Por quê? Porque sentia-me totalmente inadaptada aos rígidos valores da
década de 60. Que ainda engessavam a mulher no destino milenar de "rainha do
lar". Casamento & filhos. Tanque & fogão. Você pode conceber-me feliz e
plena nesse modelo? Nem eu! Na realidade, sentia-me um pária, um estranho no ninho.
Infeliz e desajustada! Aos 19 anos, deparo-me casualmente com o livro autêntica
varinha de condão que teve o dom de resgatar-me das minhas atribulações. Encontrei-o
na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. Retiro da prateleira, ao acaso, o volume
II de O Segundo Sexo . Abro-o no capítulo I e leio: Ninguém nasce mulher,
torna-se mulher. Como? Não compreendo. Leio de novo. Então... Shazam! Como
nas histórias em quadrinhos, raio rasgando o céu plúmbeo das minhas dores. Fiat Lux
- E a luz se fez.
A escritora Simone de Beauvoir elegi
por gratidão e justiça - minha mãe intelectual. Mestra e libertadora. Nesse encontro
memorável, em uma tarde de sábado de 1969, decifrei-me. Decifra-me ou te devoro.
Renasci. Adquiri confiança, ganhei certezas, revolucionei meu modus vivendi.
Redirecionei a vida. Encontrara finalmente! a estrada mestra. Bem disse
Michel Prévost, em Nouvelles lettres à françoise: o feliz achado de apenas um
bom livro pode mudar a sorte de um espírito.
Sabe, amica mia, talvez agora você
possa ter a noção da fundamental importância dos livros em minha vida. Aliados &
Mestres. Super-heróis prontos para "salvar a mocinha" em situações de perigo.
Fiéis e confiáveis. Sábios. Disponíveis a qualquer hora. Companheiros em todas as
fases vinhos & vinagres - da minha existência. Que já ultrapassa a marca de
meio século: 52 anos de leituras. Assim, contabilizo minha idade. Se talento tivesse
representar-me-ia plasticamente na forma de um livro. Talvez, essa a razão da estranheza
ao observar mulheres transmudando-se com plásticas, lipos, bótox e silicone. Perverso
hedonismo! Como poderia pergunto-me, perplexa cortar e/ou rasurar capítulos
inteiros do livro que sou eu?
Aplicar bótox nas linhas da face que
narram as lutas grafadas no texto do rosto? Enxertar páginas siliconizadas no corpo,
violando a autenticidade do livro? Não, caríssima! Melhor destino teria sido
arder, por inteiro, nas fogueiras medievais ou nas acesas pelos regimes totalitários que
varreram e ainda varrem! - o planeta carbonizando milhares de livros. A História
registra. Come dice? Ah...sim! Voltar à placidez e relatar-lhe as pesquisas? Con
piacere! Mi scusi, carissima! É que appassionata por livros sempre me inflamo
quando trato do assunto. Pois bem... adianto-lhe que amealhei farto material. Não sei
precisar, entretanto, se conclusivo. É que o universo gráfico passa por mutações
violentas. Metamorfose profunda sob o impacto das novas tecnologias. Grau de
efervescência máxima!
Ah... sim. Acabei, inclusive, tragada pelo
vórtice de ferrenha contenda. De um lado, os defensores ardorosos do livro tradicional
de papel, na forma que se apresenta nos últimos cinco séculos - e do outro, os
ansiosos pelo advento definitivo do e-book, o livro eletrônico. Mas não é esse,
parece-me, o âmago da questão. O fundamental é descobrir se os livros - melhor dizendo,
a literatura - sobreviverá em um mundo que não lê. Será que os escritores terão
motivação para escrever para si mesmos? E os filósofos e pensadores irão grafar suas
reflexões? Para quem ler?! Oh! Numes! O futuro projeta-se visual. E oral. Como nas
culturas primitivas.
 |
Denise Zandonadi em sua leitura diária |
|
Garimpando informações, aqui e acolá,
esbarrei com gente bastante preocupada com a questão: a esguia nesga de pensantes Sapiens,
sapiens como gosto de chamá-los composta por escritores, filósofos,
historiadores, sociólogos, antropólogos, professores e educadores. Intelectuais de um
modo geral. Numericamente acanhados, é bem verdade, se pensarmos nos 7 bilhões que
povoam a Terra. Mas... indiscutivelmente presentes, a iluminarem - com o brilho da
inteligência - todas as civilizações que afloraram no planeta. Das antigas à
contemporânea.
Que tal agora um caleidoscópio de
opiniões? Gire-o bem devagar, para analisar acuradamente cada uma:
Alberto Manguel, escritor, autor de Uma
história da leitura: "A atual cultura de imagens é superficialíssima. Pense
nas imagens veiculadas pela publicidade. Elas captam a nossa atenção por apenas poucos
segundos, sem nos dar chance de pensar. Essa é a tendência geral em todos os meios
visivos. Assim, a palavra escrita é, mais do que nunca, a nossa principal ferramenta para
compreender o mundo. A grandeza do texto consiste em nos dar a possibilidade de refletir e
interpretar".
Harold Bloom, professor e crítico
literário, autor de Como e por que ler: "Nos dias de hoje, a informação é
facilmente encontrada, mas onde está a sabedoria? Esse é o tipo mais precioso de
conhecimento e só pode ser achado nos grandes autores da literatura. O segundo motivo
para ler é que todo pensamento, como já diziam os filósofos e os psicólogos, depende
da memória. Não é possível pensar sem lembrar e são os livros que ainda
preservam a maior parte de nossa herança cultural. Por último, eu diria que uma
democracia depende de pessoas capazes de pensar por si próprias. E ninguém faz isso sem
ler".
Roger Chartier, historiador, autor
de A aventura do livro : "Em toda parte do mundo, e creio que o Brasil não é
exceção, tem sido observada uma redução na compra de livros. Essa gradativa
diminuição é verificada com mais ênfase no meio intelectual, que tradicionalmente
adquiria muitos. Está ocorrendo uma transferência dos gastos dessa parcela da sociedade
para outras atividades culturais como a música, o cinema, o teatro, o turismo e a
internet. A única forma de reverter esse quadro é uma política efetiva de incentivo à
leitura".
Hélio Jaguaribe, cientista
político, no ensaio que consta do livro A cultura do papel: "A grande
literatura certamente não é substituível pela novela da televisão. O que ocorre é que
os que acompanham, sistematicamente, novelas de televisão, não eram leitores da grande
literatura, mas sim da novela de almanaque e seus equivalentes. O livro, por diversas de
suas características, continua sendo um veículo insubstituível para o estudo sério, e
o texto impresso continua imbatível para mensagens de caráter mais permanente. A cultura
da imagem eletrônica conduz a proposta de vida fundadas na mistificação e na
alienação".
Por fim, cara mia, não poderia
omitir a opinião de Ray Bradbury, autor do genial Fahrenheit 45l. Que, ao
lado de Admirável mundo novo e 1984, anteciparam - em mais de meio século
- a realidade que estamos a viver. Bradbury, Aldous Huxley e George Orwell provaram ser
verazes pítias.... profecias realizadas! Como nem Nostradamus logrou ter. Dessa trilogia
de "iluminados", apenas Bradbury, nascido em 1920, está vivo. Medite sobre a
gravidade do que diz: "Quando você começa a ler, começa a ficar curioso e passa a
pensar em muitas coisas. Tudo isso está faltando. Temos um monte de gente crescendo
incapaz de ler ou de escrever. Estamos criando uma geração de estúpidos. Espero que se
dê importância ao livro, pois se temos milhões de pessoas que não lêem, corremos o
risco de criar uma elite que nos controle".
 |
Flávio em sua banca, mais conhecida como Banca do
Japonês |
|
Uau! Nefastos prognósticos! Com a cabeça
obliterada por tais oráculos, obedeço ao impulso que me impele à livraria Dom Quixote.
A luz do sol, nessa manhã de sábado, não se revela suficiente para espantar os maus
presságios. Antônio Carlos Braga, com carinho e simpatia, saúda-me efusivamente. É meu
livreiro, sacerdote-mór da religião livresca. A Dom Quixote claro! - um templo.
As nuvens de apreensão volatizam-se. Inefável sensação de bem-aventurança começa a
invadir-me, enquanto observo a presença de outros "fiéis": o professor do
Cefet José Inácio Serafim, o amigo e mestre em literatura Francisco Grijó e, por
último, o empresário José Roberto Gobbi. Freqüentadores habituais. Os ditos
"ratos" de bibliotecas e livrarias. Revelo, então, a Antônio Carlos, o
objetivo da visita: saber a quantas anda o mundo dos livros e, claro, o dos leitores. De
quebra, um pouco da sua biografia. Conta-me ser um carioca "acapixabado" que
descobriu, ainda na infância, passada na década de 50, o prazer da leitura. "A
Monteiro Lobato devo minha carreira de livreiro, ali descobri Dom Quixote",
segreda-me. Aos 12, acompanhando a família, parte para a Europa - precisamente Genebra,
na Suíça onde permanece até os 18 anos. Adolescente, aprende, com facilidade, o
francês, o inglês e o espanhol, enquanto vai consolidando o hábito da leitura. "Na
Europa, ler é costume, exigência mesmo. Lêem jornais e revistas, em todas as casas há
estantes com livros".
O projeto de ser livreiro desabrocha em
Vitória, em maio de 1983, quando da inauguração da Dom Quixote. Concilia, assim, o
prazer da leitura saboreando os livros da sua própria livraria - com o de
relacionar-se com outros "viciados" do gênero. Clientes. Com eles bate papo,
troca idéias sobre livros & autores, orienta na escolha de obras, sugere títulos
para presentear, informa os últimos lançamentos editoriais, garimpa
"preciosidades" literárias, descobre edições esgotadas e - ufa! emite
opiniões. Seguras e francas... portanto, confiáveis! Como só um autêntico livreiro,
por inequívoca vocação, pode dar. Quantas vezes, na contramão da crítica! Tem lá
também suas peculiaridades: não vende e, menos ainda, recomenda livros que não leu.
Outros, leva para casa para não serem vendidos.
- Como? - pergunto surpresa.
- Isso mesmo! Não posso deixá-los aqui na livraria correndo
o risco de alguém comprar, sabendo que há determinadas pessoas que vão gostar muito
mais de tê-los.
Esse é Antônio Carlos Braga, o livreiro. Diferença
anos-luz de um atendente de livraria. Ou de um mercador de livros na busca de sucesso
financeiro. Com a franqueza que o caracteriza, fala dos momentos difíceis que a livraria
enfrentou: "A abertura do Shopping Vitória carregou entre 70% e 80 % da clientela,
aquela que só quer o livro e não o atendimento. O segundo fato grave foi o advento da
Internet, com as livrarias on-line vendendo livros quase a preço de custo. Defendi-me
reduzindo funcionários e limitando as editoras com que trabalhava. Sobrevivi".
Na sua opinião, o número de livrarias existente em
Vitória é equilibrado. E jura que o livro é mesmo caro no Brasil! A essa altura, os
professores José Inácio Serafim e Francisco Grijó, além de José Roberto Gobbi, já
estão participando da entrevista. Opinam, lembram detalhes, fazem sugestões. Aproveito
para dirigir uma pergunta a todos:
- Como estimular o hábito da leitura?
- A formação familiar é o mais importante - destaca o
professor de literatura Francisco Grijó. A leitura de revistas em quadrinhos é um bom
começo. E, a seguir, um professor que saiba despertar no aluno o desejo de ler. Até
mesmo o cinema é um veículo muito bom para se chegar à literatura.
- Quem não lê fica com o cérebro embotado, parado,
complementa José Roberto Gobbi. Mas é muito importante não fazer pressão sobre os
filhos para que eles não criem resistência à leitura. Pode ser também quem
sabe? - uma inclinação natural, uma espécie de "mola interior"...
A conversa escorrega para o livro
eletrônico, o e-book. Será o livro do futuro? O professor do Cefet José Luiz
Serafim, um expert em informática, afirma que sim. Mas vai logo adiantando:
"O livro eletrônico não eliminará o livro tradicional, de papel. Vai haver uma
acomodação entre eles". O e-book vem se revelando ideal para alguns tipos de
livros: os didáticos, as enciclopédias e os dicionários. Pode ser atualizado a cada
seis meses ou quando se julgar necessário. É só recarregá-lo e... aí está um novo
livro! Também promete firmar-se como ótimo instrumento para a leitura de jornais e
revistas. Por quê? - pergunto, curiosa. "O leitor poderá selecionar livremente os
assuntos que o interessam. Cadernos, colunas e artigos", explica o professor.
Um jornal segmentado, com perfil individual
e personalístico? Uau! Idealizo logo o meu, cara mia. Sem caderno de esportes,
automóveis, classificados e polícia. Va bene...
Minha próxima parada é a banca de
revistas do seu Flávio. A "minha banca". Cuja razão social é Banca
do Japonês. Por razões explícitas, você verá! Simpático e eficiente, Flávio
Shogo Ishii vai conversando comigo, enquanto atende solícito a um e outro cliente. Que
parecem em número infinito... movimento intenso! Relata-me que chegou ao Brasil em 1959,
fugindo da crise econômica do seu país. Radicou-se inicialmente no interior de São
Paulo, onde arranjou emprego em uma gráfica. Dezenove anos mais tarde, atraído pela
implantação dos grandes projetos industriais - Tubarão e CST - resolveu tentar a sorte
no Espírito Santo. A expectativa frustou-se. Constatou que havia uma enorme diferença
salarial entre os candidatos selecionados no Rio e São Paulo e os que aqui estavam sendo
escolhidos. Assim, idealizou a banca de revistas. Que, ainda, apresentava uma vantagem
adicional: a esposa, Lurdes Kioko Yyama Ishii, poderia com ele trabalhar.
A primeira não diferiu das demais. Mas,
pouco depois, seu Flávio resolveu inovar. Transferiu-se para uma loja, localizada
à rua Aleixo Neto, 1054. Precisamente a de número 7. Onde permanece até hoje. À
época, uma lojinha vendendo jornais, revistas e livros era novidade em Vitória.
Despertou a curiosidade e acabou alvo de chacota. "O japonês vai quebrar",
profetizavam os concorrentes. Quatro anos mais tarde, a Banca do Japonês ocupava o
1º lugar em vendas na Grande Vitória. O segredo do sucesso, seu Flávio não
esconde. Atribui à clientela fiel que só aumenta ao longo dos anos. O primeiro
mandamento é: "Aprimorar o atendimento ao cliente". Norma criada por ele, que a
segue com extremo rigor e fidelidade. No estilo nipônico! É o primeiro a abrir e o
último a fechar. De domingo a domingo. Faz entrega domiciliar na Praia do Canto, caso
seja essa a opção preferencial do cliente/leitor. Antecipou-se até mesmo ao advento do e-book
- pasmem os céus! - e já vende um tipo de jornal segmentado.
- Como? - pergunto, perplexa.
Ele explica:
- Cliente só quer caderno de Informática? Tudo bem, mando
entregar, né? Outro prefere o JB aos sábados, O Globo aos domingos
e a Folha às quartas e sextas? Sem problemas, né?! Mando entregar. Cliente
vai viajar? Liga para 325-1936 e entrega é suspensa. Só quer assinatura jornal 7 dias?
Tudo bem, né...japonês faz!
O cliente pode manifestar os desejos mais
mirabolantes que Flávio Shogo Ishii - com certeza! - encontrará um jeito de atendê-lo.
Pode apostar, Denise! Tal eficiência, rapidez e confiabilidade só deparei-me em Tokyo,
quando lá vivi. Mas a simpatia e afabilidade marcantes, sei não... já devem ser reflexo
da Terra Brasilis. Orgulho mesmo seu Flávio só demonstra quando uma
criança lhe diz: "Japonês, tirei nota boa!" Ele pára, a emoção transparece
no relampejar de um semi-sorriso oriental, enquanto os olhos amendoados marejam-se. Os
pequenos estão sempre a recorrer a ele, à cata de figuras e/ou informações para
pesquisas escolares. Finalmente, pergunto-lhe sobre o número de leitores de jornais e
revistas. Cresceu ou declinou? A resposta é imediata:
- Valía
com economia blasilela, né? Época
boa, cliente aumenta... época ruim, cliente pouco, né?
Evidenciado está o interesse pela leitura.
Sujeito às oscilações do poder aquisitivo da população. E a despeito da marcante
preferência pelas revistas e publicações voltadas para as áreas técnicas e a
informática. Traduzindo o hipnótico fascínio do homem do século XXI pela tecnologia.
Mas, para entendê-la... é preciso ler! E isso lembra-me um dos muitos paradoxos
registrados no mundo contemporâneo. Bill Gates, presidente da poderosa Microsoft, não se
cansa de propor uma sociedade sem papel. Mas para desenvolver essa idéia Gates publicou
um livro! Não parece piada, carissima?
Aí o relato das minhas pesquisas. As
conclusões deixo para você. Quanto a mim, talvez por amor ou medo, prefiro crer que...
livros são eternos! Não importa a "embalagem", se a tradicional ou a
eletrônica. Preferencialmente, os de papel. O que há de mais ergonômico que um livro
impresso? Pode-se dobrar o canto das páginas, fazer anotações, sublinhar parágrafos.
É sólido, resistente às quedas, possui durabilidade secular. É fácil para localizar
pensamentos, trechos e citações quando impressos na página e assim arquivados - quase
fotografados! - na memória. Tem mais: até hoje nunca vi um amante da leitura reclamar do
livro tradicional. Não descarto, entretanto, a possibilidade futura de, em
circunstâncias especiais, vir a ler na pequena tela iluminada de um e-book. Como
nas viagens, quando não se deve colocar peso na mochila para palmilhar o planeta.
Fundamental é LER! Não importa onde os códigos da escrita estejam grafados.
Finalizo, deixando-lhe a opinião do
livreiro Antônio Carlos Braga. Que, como discípula fiel da religião livresca,
fervorosamente partilho: "Livro não é só texto. É volume, capa, cheiro, papel,
peso e conforto. A interação do ser humano com o livro é muito maior do que com um
computador". O que pensa você, carissima?
Un bacio e... ciao, ciao, bambina!
Ti voglio molto bene!
Jeanne Bilich |