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Junho/2001 nº16


Esporte por esporte
Álvaro José Silva conta histórias dos 79 anos de vida de Nilo Etienne Duarte, dos quais 60 foram dedicados ao esporte e principalmente à sua maior paixão, o futsal
A praça é nossa
Um pequeno beco e um barzinho em Cachoeiro acabaram ficando conhecidos como Praça Vermelha, reduto histórico de liberdade para debates políticos
Agricultura capixaba
Negros de Ibiraçu
Há um século, um grupo de negros enfrentou os desafios da mata densa e subiu a montanha para fundar, em Ibiraçu, uma comunidade onde, isolados e vivendo da terra, encontram no congo sua mais importante expressão cultural
As cidades e sua gente
Há vários motivos para justificar o nome de Alegre. A beleza da região,
a vida universitária, o maior festival de música do Estado, e agora o título de campeã no futebol são alguns deles
Capixabas de sucesso
Rommel Rubin Dias investe toda a sua jovialidade na produção do maior carnaval fora de época do país, o Vital, que traz para a cidade 500 mil turistas todos os anos





  PALAVRA DE MULHER

Receita contra as dores do mundo (final)

Os livros também são eternos

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Texto: Jeanne Bilich
Fotos: Ricardo Medeiros
VIA E-MAIL
Para: Denise Zandonadi
Denise, cara mia :

Perdoe-me o silêncio. Sepulcral mesmo, admito! Quase trinta dias... ou terá sido um mês? Sacros Numes! O tempo passa, sem que o sinta a gente. Tal qual escreveu Dante - Vassene il tempo, e l’uom non se n’avvede – na Divina Comédia, no idioma que lhes é comum. Mi scusi, amica mia! A delicada e sutil cobrança, tão a seu estilo, sobre o andamento das minhas pesquisas - promessa feita no e-mail anterior - resgatou-me das profundezas em que mergulhara. Absorta no trabalho, totalmente esquecida do calendário. Não minto. Enfurnada nas livrarias – oh! delícia! – a folhear livros, adquirir novos, consultar reportagens e artigos na biblioteca. E, finalmente, colhendo depoimentos aqui e acolá. Tudo isso no afã de antever o futuro dos livros. E da leitura, naturalmente! Que o mundo caminha célere – quem ainda duvida? - para ser território hegemônico das imagens. Aí... tragédia máxima!

Adeus, livros, bibliotecas, livrarias, jornais impressos e revistas. Adeus, universo gráfico! Civilização de mídias visuais? Estou fora! Vade retro, Satanás! Só ao imaginar, entro em pânico. Daqueles fóbicos. O que farei, cara signorina, nesse mundo imagético? Que Descartes me perdoe a ousadia, mas seu Cogito, ergo sum transmudo para Leio, logo existo. Minhas referências existenciais repousam nos livros. Sem exceção! Quem são eles? Quem sou eu? Os livros foram a magia da minha infância, libertaram-me do ‘campo de concentração católico’ na literalmente perdida adolescência e, mais tarde, na aurora da juventude, conferiram-me a certeza de ser mentalmente sã. Não, não ria, carissima!

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O livreiro Antônio Carlos, na sua
livraria, a Dom Quixote

Esse é um fato de fundamental importância. Por quê? Porque sentia-me totalmente inadaptada aos rígidos valores da década de 60. Que ainda engessavam a mulher no destino milenar de "rainha do lar". Casamento & filhos. Tanque & fogão. Você pode conceber-me feliz e plena nesse modelo? Nem eu! Na realidade, sentia-me um pária, um estranho no ninho. Infeliz e desajustada! Aos 19 anos, deparo-me casualmente com o livro – autêntica varinha de condão – que teve o dom de resgatar-me das minhas atribulações. Encontrei-o na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. Retiro da prateleira, ao acaso, o volume II de O Segundo Sexo . Abro-o no capítulo I e leio: Ninguém nasce mulher, torna-se mulher. Como? Não compreendo. Leio de novo. Então... Shazam! Como nas histórias em quadrinhos, raio rasgando o céu plúmbeo das minhas dores. Fiat Lux - E a luz se fez.

A escritora Simone de Beauvoir elegi – por gratidão e justiça - minha mãe intelectual. Mestra e libertadora. Nesse encontro memorável, em uma tarde de sábado de 1969, decifrei-me. Decifra-me ou te devoro. Renasci. Adquiri confiança, ganhei certezas, revolucionei meu modus vivendi. Redirecionei a vida. Encontrara – finalmente! – a estrada mestra. Bem disse Michel Prévost, em Nouvelles lettres à françoise: o feliz achado de apenas um bom livro pode mudar a sorte de um espírito.

Sabe, amica mia, talvez agora você possa ter a noção da fundamental importância dos livros em minha vida. Aliados & Mestres. Super-heróis prontos para "salvar a mocinha" em situações de perigo. Fiéis e confiáveis. Sábios. Disponíveis a qualquer hora. Companheiros em todas as fases – vinhos & vinagres - da minha existência. Que já ultrapassa a marca de meio século: 52 anos de leituras. Assim, contabilizo minha idade. Se talento tivesse representar-me-ia plasticamente na forma de um livro. Talvez, essa a razão da estranheza ao observar mulheres transmudando-se com plásticas, lipos, bótox e silicone. Perverso hedonismo! Como poderia – pergunto-me, perplexa – cortar e/ou rasurar capítulos inteiros do livro que sou eu?

Aplicar bótox nas linhas da face que narram as lutas grafadas no texto do rosto? Enxertar páginas siliconizadas no corpo, violando a autenticidade do livro? Não, caríssima! Melhor destino teria sido arder, por inteiro, nas fogueiras medievais ou nas acesas pelos regimes totalitários que varreram – e ainda varrem! - o planeta carbonizando milhares de livros. A História registra. Come dice? Ah...sim! Voltar à placidez e relatar-lhe as pesquisas? Con piacere! Mi scusi, carissima! É que appassionata por livros sempre me inflamo quando trato do assunto. Pois bem... adianto-lhe que amealhei farto material. Não sei precisar, entretanto, se conclusivo. É que o universo gráfico passa por mutações violentas. Metamorfose profunda sob o impacto das novas tecnologias. Grau de efervescência máxima!

Ah... sim. Acabei, inclusive, tragada pelo vórtice de ferrenha contenda. De um lado, os defensores ardorosos do livro tradicional – de papel, na forma que se apresenta nos últimos cinco séculos - e do outro, os ansiosos pelo advento definitivo do e-book, o livro eletrônico. Mas não é esse, parece-me, o âmago da questão. O fundamental é descobrir se os livros - melhor dizendo, a literatura - sobreviverá em um mundo que não lê. Será que os escritores terão motivação para escrever para si mesmos? E os filósofos e pensadores irão grafar suas reflexões? Para quem ler?! Oh! Numes! O futuro projeta-se visual. E oral. Como nas culturas primitivas.

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Denise Zandonadi em sua leitura diária

Garimpando informações, aqui e acolá, esbarrei com gente bastante preocupada com a questão: a esguia nesga de pensantes – Sapiens, sapiens como gosto de chamá-los – composta por escritores, filósofos, historiadores, sociólogos, antropólogos, professores e educadores. Intelectuais de um modo geral. Numericamente acanhados, é bem verdade, se pensarmos nos 7 bilhões que povoam a Terra. Mas... indiscutivelmente presentes, a iluminarem - com o brilho da inteligência - todas as civilizações que afloraram no planeta. Das antigas à contemporânea.

Que tal agora um caleidoscópio de opiniões? Gire-o bem devagar, para analisar acuradamente cada uma:

Alberto Manguel, escritor, autor de Uma história da leitura: "A atual cultura de imagens é superficialíssima. Pense nas imagens veiculadas pela publicidade. Elas captam a nossa atenção por apenas poucos segundos, sem nos dar chance de pensar. Essa é a tendência geral em todos os meios visivos. Assim, a palavra escrita é, mais do que nunca, a nossa principal ferramenta para compreender o mundo. A grandeza do texto consiste em nos dar a possibilidade de refletir e interpretar".

Harold Bloom, professor e crítico literário, autor de Como e por que ler: "Nos dias de hoje, a informação é facilmente encontrada, mas onde está a sabedoria? Esse é o tipo mais precioso de conhecimento e só pode ser achado nos grandes autores da literatura. O segundo motivo para ler é que todo pensamento, como já diziam os filósofos e os psicólogos, depende da memória. Não é possível pensar sem lembrar – e são os livros que ainda preservam a maior parte de nossa herança cultural. Por último, eu diria que uma democracia depende de pessoas capazes de pensar por si próprias. E ninguém faz isso sem ler".

Roger Chartier, historiador, autor de A aventura do livro : "Em toda parte do mundo, e creio que o Brasil não é exceção, tem sido observada uma redução na compra de livros. Essa gradativa diminuição é verificada com mais ênfase no meio intelectual, que tradicionalmente adquiria muitos. Está ocorrendo uma transferência dos gastos dessa parcela da sociedade para outras atividades culturais como a música, o cinema, o teatro, o turismo e a internet. A única forma de reverter esse quadro é uma política efetiva de incentivo à leitura".

Hélio Jaguaribe, cientista político, no ensaio que consta do livro A cultura do papel: "A grande literatura certamente não é substituível pela novela da televisão. O que ocorre é que os que acompanham, sistematicamente, novelas de televisão, não eram leitores da grande literatura, mas sim da novela de almanaque e seus equivalentes. O livro, por diversas de suas características, continua sendo um veículo insubstituível para o estudo sério, e o texto impresso continua imbatível para mensagens de caráter mais permanente. A cultura da imagem eletrônica conduz a proposta de vida fundadas na mistificação e na alienação".

Por fim, cara mia, não poderia omitir a opinião de Ray Bradbury, autor do genial Fahrenheit 45l. Que, ao lado de Admirável mundo novo e 1984, anteciparam - em mais de meio século - a realidade que estamos a viver. Bradbury, Aldous Huxley e George Orwell provaram ser verazes pítias.... profecias realizadas! Como nem Nostradamus logrou ter. Dessa trilogia de "iluminados", apenas Bradbury, nascido em 1920, está vivo. Medite sobre a gravidade do que diz: "Quando você começa a ler, começa a ficar curioso e passa a pensar em muitas coisas. Tudo isso está faltando. Temos um monte de gente crescendo incapaz de ler ou de escrever. Estamos criando uma geração de estúpidos. Espero que se dê importância ao livro, pois se temos milhões de pessoas que não lêem, corremos o risco de criar uma elite que nos controle".

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Flávio em sua banca, mais conhecida como Banca do Japonês

Uau! Nefastos prognósticos! Com a cabeça obliterada por tais oráculos, obedeço ao impulso que me impele à livraria Dom Quixote. A luz do sol, nessa manhã de sábado, não se revela suficiente para espantar os maus presságios. Antônio Carlos Braga, com carinho e simpatia, saúda-me efusivamente. É meu livreiro, sacerdote-mór da religião livresca. A Dom Quixote – claro! - um templo. As nuvens de apreensão volatizam-se. Inefável sensação de bem-aventurança começa a invadir-me, enquanto observo a presença de outros "fiéis": o professor do Cefet José Inácio Serafim, o amigo e mestre em literatura Francisco Grijó e, por último, o empresário José Roberto Gobbi. Freqüentadores habituais. Os ditos "ratos" de bibliotecas e livrarias. Revelo, então, a Antônio Carlos, o objetivo da visita: saber a quantas anda o mundo dos livros e, claro, o dos leitores. De quebra, um pouco da sua biografia. Conta-me ser um carioca "acapixabado" que descobriu, ainda na infância, passada na década de 50, o prazer da leitura. "A Monteiro Lobato devo minha carreira de livreiro, ali descobri Dom Quixote", segreda-me. Aos 12, acompanhando a família, parte para a Europa - precisamente Genebra, na Suíça – onde permanece até os 18 anos. Adolescente, aprende, com facilidade, o francês, o inglês e o espanhol, enquanto vai consolidando o hábito da leitura. "Na Europa, ler é costume, exigência mesmo. Lêem jornais e revistas, em todas as casas há estantes com livros".

O projeto de ser livreiro desabrocha em Vitória, em maio de 1983, quando da inauguração da Dom Quixote. Concilia, assim, o prazer da leitura – saboreando os livros da sua própria livraria - com o de relacionar-se com outros "viciados" do gênero. Clientes. Com eles bate papo, troca idéias sobre livros & autores, orienta na escolha de obras, sugere títulos para presentear, informa os últimos lançamentos editoriais, garimpa "preciosidades" literárias, descobre edições esgotadas e - ufa! – emite opiniões. Seguras e francas... portanto, confiáveis! Como só um autêntico livreiro, por inequívoca vocação, pode dar. Quantas vezes, na contramão da crítica! Tem lá também suas peculiaridades: não vende e, menos ainda, recomenda livros que não leu. Outros, leva para casa para não serem vendidos.

  • Como? - pergunto surpresa.
  • Isso mesmo! Não posso deixá-los aqui na livraria correndo o risco de alguém comprar, sabendo que há determinadas pessoas que vão gostar muito mais de tê-los.

Esse é Antônio Carlos Braga, o livreiro. Diferença anos-luz de um atendente de livraria. Ou de um mercador de livros na busca de sucesso financeiro. Com a franqueza que o caracteriza, fala dos momentos difíceis que a livraria enfrentou: "A abertura do Shopping Vitória carregou entre 70% e 80 % da clientela, aquela que só quer o livro e não o atendimento. O segundo fato grave foi o advento da Internet, com as livrarias on-line vendendo livros quase a preço de custo. Defendi-me reduzindo funcionários e limitando as editoras com que trabalhava. Sobrevivi".

Na sua opinião, o número de livrarias existente em Vitória é equilibrado. E jura que o livro é mesmo caro no Brasil! A essa altura, os professores José Inácio Serafim e Francisco Grijó, além de José Roberto Gobbi, já estão participando da entrevista. Opinam, lembram detalhes, fazem sugestões. Aproveito para dirigir uma pergunta a todos:

  • Como estimular o hábito da leitura?
  • A formação familiar é o mais importante - destaca o professor de literatura Francisco Grijó. A leitura de revistas em quadrinhos é um bom começo. E, a seguir, um professor que saiba despertar no aluno o desejo de ler. Até mesmo o cinema é um veículo muito bom para se chegar à literatura.
  • Quem não lê fica com o cérebro embotado, parado, complementa José Roberto Gobbi. Mas é muito importante não fazer pressão sobre os filhos para que eles não criem resistência à leitura. Pode ser também – quem sabe? - uma inclinação natural, uma espécie de "mola interior"...

A conversa escorrega para o livro eletrônico, o e-book. Será o livro do futuro? O professor do Cefet José Luiz Serafim, um expert em informática, afirma que sim. Mas vai logo adiantando: "O livro eletrônico não eliminará o livro tradicional, de papel. Vai haver uma acomodação entre eles". O e-book vem se revelando ideal para alguns tipos de livros: os didáticos, as enciclopédias e os dicionários. Pode ser atualizado a cada seis meses ou quando se julgar necessário. É só recarregá-lo e... aí está um novo livro! Também promete firmar-se como ótimo instrumento para a leitura de jornais e revistas. Por quê? - pergunto, curiosa. "O leitor poderá selecionar livremente os assuntos que o interessam. Cadernos, colunas e artigos", explica o professor.

Um jornal segmentado, com perfil individual e personalístico? Uau! Idealizo logo o meu, cara mia. Sem caderno de esportes, automóveis, classificados e polícia. Va bene...

Minha próxima parada é a banca de revistas do seu Flávio. A "minha banca". Cuja razão social é Banca do Japonês. Por razões explícitas, você verá! Simpático e eficiente, Flávio Shogo Ishii vai conversando comigo, enquanto atende solícito a um e outro cliente. Que parecem em número infinito... movimento intenso! Relata-me que chegou ao Brasil em 1959, fugindo da crise econômica do seu país. Radicou-se inicialmente no interior de São Paulo, onde arranjou emprego em uma gráfica. Dezenove anos mais tarde, atraído pela implantação dos grandes projetos industriais - Tubarão e CST - resolveu tentar a sorte no Espírito Santo. A expectativa frustou-se. Constatou que havia uma enorme diferença salarial entre os candidatos selecionados no Rio e São Paulo e os que aqui estavam sendo escolhidos. Assim, idealizou a banca de revistas. Que, ainda, apresentava uma vantagem adicional: a esposa, Lurdes Kioko Yyama Ishii, poderia com ele trabalhar.

A primeira não diferiu das demais. Mas, pouco depois, seu Flávio resolveu inovar. Transferiu-se para uma loja, localizada à rua Aleixo Neto, 1054. Precisamente a de número 7. Onde permanece até hoje. À época, uma lojinha vendendo jornais, revistas e livros era novidade em Vitória. Despertou a curiosidade e acabou alvo de chacota. "O japonês vai quebrar", profetizavam os concorrentes. Quatro anos mais tarde, a Banca do Japonês ocupava o 1º lugar em vendas na Grande Vitória. O segredo do sucesso, seu Flávio não esconde. Atribui à clientela fiel que só aumenta ao longo dos anos. O primeiro mandamento é: "Aprimorar o atendimento ao cliente". Norma criada por ele, que a segue com extremo rigor e fidelidade. No estilo nipônico! É o primeiro a abrir e o último a fechar. De domingo a domingo. Faz entrega domiciliar na Praia do Canto, caso seja essa a opção preferencial do cliente/leitor. Antecipou-se até mesmo ao advento do e-book - pasmem os céus! - e já vende um tipo de jornal segmentado.

  • Como? - pergunto, perplexa.

Ele explica:

  • Cliente só quer caderno de Informática? Tudo bem, mando entregar, ? Outro prefere o JB aos sábados, O Globo aos domingos e a Folha às quartas e sextas? Sem problemas, né?! Mando entregar. Cliente vai viajar? Liga para 325-1936 e entrega é suspensa. Só quer assinatura jornal 7 dias? Tudo bem, ...japonês faz!

O cliente pode manifestar os desejos mais mirabolantes que Flávio Shogo Ishii - com certeza! - encontrará um jeito de atendê-lo. Pode apostar, Denise! Tal eficiência, rapidez e confiabilidade só deparei-me em Tokyo, quando lá vivi. Mas a simpatia e afabilidade marcantes, sei não... já devem ser reflexo da Terra Brasilis. Orgulho mesmo seu Flávio só demonstra quando uma criança lhe diz: "Japonês, tirei nota boa!" Ele pára, a emoção transparece no relampejar de um semi-sorriso oriental, enquanto os olhos amendoados marejam-se. Os pequenos estão sempre a recorrer a ele, à cata de figuras e/ou informações para pesquisas escolares. Finalmente, pergunto-lhe sobre o número de leitores de jornais e revistas. Cresceu ou declinou? A resposta é imediata:

  • Valía com economia blasilela, ? Época boa, cliente aumenta... época ruim, cliente pouco, né?

Evidenciado está o interesse pela leitura. Sujeito às oscilações do poder aquisitivo da população. E a despeito da marcante preferência pelas revistas e publicações voltadas para as áreas técnicas e a informática. Traduzindo o hipnótico fascínio do homem do século XXI pela tecnologia. Mas, para entendê-la... é preciso ler! E isso lembra-me um dos muitos paradoxos registrados no mundo contemporâneo. Bill Gates, presidente da poderosa Microsoft, não se cansa de propor uma sociedade sem papel. Mas para desenvolver essa idéia Gates publicou um livro! Não parece piada, carissima?

Aí o relato das minhas pesquisas. As conclusões deixo para você. Quanto a mim, talvez por amor ou medo, prefiro crer que... livros são eternos! Não importa a "embalagem", se a tradicional ou a eletrônica. Preferencialmente, os de papel. O que há de mais ergonômico que um livro impresso? Pode-se dobrar o canto das páginas, fazer anotações, sublinhar parágrafos. É sólido, resistente às quedas, possui durabilidade secular. É fácil para localizar pensamentos, trechos e citações quando impressos na página e assim arquivados - quase fotografados! - na memória. Tem mais: até hoje nunca vi um amante da leitura reclamar do livro tradicional. Não descarto, entretanto, a possibilidade futura de, em circunstâncias especiais, vir a ler na pequena tela iluminada de um e-book. Como nas viagens, quando não se deve colocar peso na mochila para palmilhar o planeta. Fundamental é LER! Não importa onde os códigos da escrita estejam grafados.

Finalizo, deixando-lhe a opinião do livreiro Antônio Carlos Braga. Que, como discípula fiel da religião livresca, fervorosamente partilho: "Livro não é só texto. É volume, capa, cheiro, papel, peso e conforto. A interação do ser humano com o livro é muito maior do que com um computador". O que pensa você, carissima?

Un bacio e... ciao, ciao, bambina! Ti voglio molto bene!

Jeanne Bilich

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