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Rommel Rubim
Dias, o Rominho, vitalidade a serviço da folia
Ele orienta o
carnaval
Quatro amigos, gente alegre e cheia de
disposição, que apostou numa idéia, e não apenas correu atrás, mas estudou, analisou,
se preparou, se organizou, criando até uma empresa produtora de eventos, a Ondaluz, para
fazer a maior festa do Espírito Santo, a micareta mais conhecida do país, o Vital, que
traz a Vitória meio milhão de pessoas a cada novembro. A jovialidade é a marca deles
Rommel Rubim Dias, Rominho; Américo Menezes, Abner Romano, Biné,
e Luiz Roberto Câmara Gomes, Beto: todos à beira dos quarenta, com corpinho de
trinta e coração de 16. E haja coração para trazer com sucesso tantas bandas em apenas
três dias de folia, com cinco blocos de animação, no maior carnaval fora de época do
país rivalizando com o CarNatal de onde afinal a idéia se originou.
A animação de Rominho é que
começou tudo. Capixaba orgulhoso das belezas de sua terra, e principalmente de Vitória,
aliás como os outros três amigos, Rominho achava muito chato ouvir das pessoas:
"Carnaval, só no Rio ou na Bahia". Ele até que concordava, mas achava que
também Vitória tinha potencial para trazer muita gente para cá, curtir nossas praias e
belezas naturais do Estado. "Sempre adorei carnaval, e ia a Salvador desde 81, quando
fui ver a micareta carnaval fora de época da capital do Rio Grande do
Norte, uma cidade linda, cheia de recursos, como é também Vitória e Vila Velha,
nossa vizinha lindíssima. Foi ao ver o CarNatal que, ao voltar, comecei a discutir essa
idéia de fazer uma micareta aqui, com muitos amigos", conta.
A coisa foi evoluindo, a vontade de fazer
alguma coisa era grande, e Rominho, inspirado, em 94, disse: "Vamos imitar os
baianos, eles pra tudo fazem uma lavagem, vamos fazer a Lavagem do Triângulo. Foi o maior
barato, várias turmas que se encontram sempre à noite no Triângulo das Bermudas
a área de bares mais freqüentada de Vitória aderiram à idéia. A Lavagem, em
maio, acabou sendo o embrião do primeiro Vital, realizado em novembro. "É, o
pessoal queria mesmo era uma farra!", diz.
O nome Vital surgiu por acaso, quando Rominho
ouviu uma música dos Paralamas do Sucesso, que dizia "...Vital e sua moto...",
e a palavra ficou ecoando na cabeça dele: vital, vital, Vitória, Carnaval... O nome
pegou, desde o primeiro evento, que teve duas bandas, a Furta-cor que tinha
participado da Lavagem e a Asa de Águia, no segundo dia. O sucesso, apesar de
alguns problemas de segurança em uma ou outra ocasião, foi crescendo a cada ano. "E
Vitória toda adotou o Vital logo de saída. O cidadão da ilha, que adora uma festa, viu
aí uma oportunidade de se divertir, e trazer muita gente do Brasil inteiro para se
divertir também e de quebra fazer turismo por aqui. Poucas festas desse tipo
ganharam tal unanimidade. O Carnabelô, de Belo Horizonte, por exemplo, tem sempre
problemas com a população. Mas o povo capixaba adorou e adotou o Vital", resume Rominho.
O Vital tem base também no Fortal, de
Fortaleza, lembra Rominho, que lá esteve em 93 com Américo. Mas o que esses amigos
queriam era fazer uma coisa que ninguém viesse a criticar por falta de organização.
Queriam uma festa liberada, muita alegria, descompromisso, descontração, mas sabiam que
teriam de resolver diversos tipos de problemas, entre eles o mais sério seria o da
segurança. "Fizemos parcerias, de início logo com a prefeitura, depois com a
Polícia Militar, e também criamos nosso próprio esquema, com uma firma particular, que
coloca agentes da folia, como nós chamamos, no meio dos blocos, para detectar
qualquer anormalidade logo de saída", diz. "Além disso, temos câmaras de
vídeo em circuito fechado. Vencemos qualquer possível resistência do povo da cidade
qualquer receio eventual de gente que vem de fora mostrando que há
segurança e organização, que o local é adequado e que a festa não iria atrapalhar
ninguém", conclui.
Distribuição de renda
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A banda Chiclete com Banana é uma das atrações mais
tradicionais do festival |
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Atrapalhar? O Vital trouxe para Vitória,
só no ano passado o melhor de todos, segundo os organizadores meio milhão
de pessoas, que fizeram circular 15 milhões de reais. A festa da juventude tornou-se
também um dos momentos de maior circulação de moeda na cidade. A festança promove uma
importante distribuição de renda, pois não são apenas as empresas estabelecidas
de transportes, táxi, restaurantes, hotéis etc. que lucram com a demanda de tanta
gente invadindo Vitória: são também os ambulantes, os flanelinhas, o lavador de carros,
a desfiadeira de siri, a moquequeira, os quiosques da orla, tanto de Vitória como de Vila
Velha. De dia, os jovens vão para a Barra do Jucu ou a Ponta da Fruta, ou Jacaraípe e
Manguinhos, e movimentam a economia de toda a Grande Vitória. Todos saem lucrando, sejam
catadores de lixo, ambulantes, pequenos fabricantes de camisas e de bijuterias,
costureiras, taxistas, donos de vans e microônibus de passeio...
"É a festa mais democrática que já
vi", diz Rominho. E ele não fala só da circulação de dinheiro. "É
uma farra só, que envolve em sua maioria jovens de 16 a 35 anos, mas que também agita a
vida de gente mais idosa, que vem para os camarotes dançar até o sol raiar, mostrando
grande disposição". Os camarotes geralmente são alugados por empresas ou
associações, de modo que dá para trazer para a estrutura montada na praia de Camburi
até mesmo os maiores de 60 que vêm aliás em grande número, mostrando que
animação não tem idade. Gente conhecida da população da ilha, gente de destaque
nacional, estão sempre no Vital e recebem cobertura nacional, já que uma das
associadas no apoio ao evento é a Rede Gazeta. "Mas nossas instalações, os
bastidores e a festa estão totalmente abertos a todas as emissoras de televisão, aos
jornais e revistas, democraticamente", garante Rominho.
E quem vem ao Vital? Gente de todas as
raças, gente de fora do país argentinos, americanos, suecos, italianos
mas, sobretudo, jovens do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal,
Salvador. Vêm aos bandos, atraídos pela folia, pela oportunidade de conhecer, namorar,
dançar com outros jovens de todo o país, numa boa, sem limites (a não ser os da boa
educação e da lei). Chegam de ônibus, de carro, espalhafatosamente alegres, enchendo
hotéis e pousadas, fazendo de Vitória, por três dias, a capital do Brasil em
animação, claro. Este ano, o Vital vai de 16 a 18 de novembro, como mostra a Revista
Oficial do Vital criada pela Ondaluz como uma necessidade, para informação de
quem veio e de quem ainda não se aventurou nesse espetáculo de pura alegria.
Quem faz a festa
A empresa Ondaluz foi criada em 94, para
fazer o primeiro Vital, e permanece até hoje com os mesmos sócios. É empresa de
produção de eventos, e já fez a festa da cidade de Colatina, o evento Na Ilha do Sol,
no verão da capital capixaba, e no início deste mês de junho produziu a festa dos 59
anos da Companhia Vale do Rio Doce. "Estamos diversificando, aliás sempre fizemos
muitas produções durante o ano, mas nosso carro-chefe é mesmo o Vital", diz Rominho.
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O vital atrai mulheres bonita de todo o país e famosas
como a globeleza |
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A banda Asa de Águia participa do evento
desde a primeira edição, em 94. Muitas bandas capixabas apareceram ou tiveram grande
oportunidade em suas carreiras com o Vital. "A Furta-cor apareceu já na Lavagem do
Triângulo. Também habitual é a presença do Chiclete com Banana, e já estiveram por
aqui Netinho, Ricardo Chaves, Jamil, Terra Samba, Cheiro de Amor. Esta última volta este
ano. A programação para o Vital 2001 é de endoidar. O bloco Mukeka Coco Bambu vai sair
no primeiro dia, sexta-feira, com Araketu, e no sábado e domingo, com Asa de Águia. É o
bloco mais antigo do Vital. O bloco Nana Banana vem, como sempre, com o Chiclete com
Banana os três dias. O bloco Picapau vem de Banda Beijo na sexta e de Ivete Sangalo nos
outros dois dias. O bloco mais novo, Siri na Lata, sai com Cheiro de Amor na sexta,
Harmonia do Samba, com o fabuloso Xandy, no sábado, e Pimenta Nativa no domingo. É no
domingo, também, que o bloco Mukekinha, para menores de 15 anos, cai na folia, a partir
das 16 horas. É a oportunidade dos baixinhos darem um show de alegria.
Mas ninguém deixa de se divertir com o
Vital. Quem não está com a carteira lá muito bem fornida, ou seja, está mesmo duro,
pode ficar na turma da Pipoca, o pessoal que fica nas imediações do desfile, por
fora, e que dança do mesmo jeito, ao som dos seus artistas preferidos, na rua ou na areia
da praia de Camburi.
"É uma festa contagiante", diz Rominho.
"Não dá para ficar parado, até mesmo o pai mais sisudo, que só vem para trazer os
filhos, acaba mexendo o corpo, batendo o pezinho, e, claro, tomando muita cerveja".
As fotos dos outros anos contam tudo: nos camarotes, famílias inteiras se divertem, e a
presença de gente da sociedade capixaba é constante. "Há muitos casais que
preferem a época do Vital para casar, e ter uma lua-de-mel muito louca, dentro do mais
puro carnaval", diz Rominho. Ele acha que esse estilo musical, que vai da axé
music ao pagode, incluindo forró e samba, tudo misturado, é o estilo que "caiu como
uma luva para o jovem, porque dá oportunidade do rapaz, da moça, se liberarem, dançarem
sem ter que saber dançar, participar ativamente da festa e não apenas assistir,
como é o carnaval do Rio de Janeiro e ainda por cima aderir à brincadeira que
tomou conta do público no último Vital: beijar muuuuuuuito!!
Em total segurança
Esse negócio do beijo começou devagar,
mas acabou se alastrando e ganhou até um nome: zignow. Pra fazer um zignow
é preciso apenas ser jovem, ser alegre, ser liberado. Dar um zignow é beijar sem
compromisso, e o maior número de parceiros possível e a coisa pegou de tal modo
que virou uma das principais atrações do Vital, com muita menina saindo da pista em
transe, gritando aos quatro ventos que beijou 12, 15, 20...
"Para manter uma festança dessas
sempre em alto nível, sem baixarias, sem que saiam brigas ou que haja aproveitadores por
perto, é preciso muita organização e muita segurança. Em primeiro lugar, tem que ser
uma estrutura que suporte o peso de uma multidão calculada, em cada dia, em cerca de 200
mil pessoas", diz Rominho. É aí que entra o trabalho da M4 Estruturas
Tubulares.
A questão da segurança foi resolvida
desde os primeiros eventos, através de uma parceira com a Polícia Militar e Polícia
Federal, e também com a prefeitura de Vitória. |