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Junho/2001 nº16


Esporte por esporte
Álvaro José Silva conta histórias dos 79 anos de vida de Nilo Etienne Duarte, dos quais 60 foram dedicados ao esporte e principalmente à sua maior paixão, o futsal
A praça é nossa
Um pequeno beco e um barzinho em Cachoeiro acabaram ficando conhecidos como Praça Vermelha, reduto histórico de liberdade para debates políticos
Agricultura capixaba
Negros de Ibiraçu
Há um século, um grupo de negros enfrentou os desafios da mata densa e subiu a montanha para fundar, em Ibiraçu, uma comunidade onde, isolados e vivendo da terra, encontram no congo sua mais importante expressão cultural
As cidades e sua gente
Há vários motivos para justificar o nome de Alegre. A beleza da região,
a vida universitária, o maior festival de música do Estado, e agora o título de campeã no futebol são alguns deles
Capixabas de sucesso
Rommel Rubin Dias investe toda a sua jovialidade na produção do maior carnaval fora de época do país, o Vital, que traz para a cidade 500 mil turistas todos os anos





  CAPIXABAS DE SUCESSO

Rommel Rubim Dias, o Rominho, vitalidade a serviço da folia

Ele orienta o carnaval

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Quatro amigos, gente alegre e cheia de disposição, que apostou numa idéia, e não apenas correu atrás, mas estudou, analisou, se preparou, se organizou, criando até uma empresa produtora de eventos, a Ondaluz, para fazer a maior festa do Espírito Santo, a micareta mais conhecida do país, o Vital, que traz a Vitória meio milhão de pessoas a cada novembro. A jovialidade é a marca deles – Rommel Rubim Dias, Rominho; Américo Menezes, Abner Romano, Biné, e Luiz Roberto Câmara Gomes, Beto: todos à beira dos quarenta, com corpinho de trinta e coração de 16. E haja coração para trazer com sucesso tantas bandas em apenas três dias de folia, com cinco blocos de animação, no maior carnaval fora de época do país – rivalizando com o CarNatal – de onde afinal a idéia se originou.

A animação de Rominho é que começou tudo. Capixaba orgulhoso das belezas de sua terra, e principalmente de Vitória, aliás como os outros três amigos, Rominho achava muito chato ouvir das pessoas: "Carnaval, só no Rio ou na Bahia". Ele até que concordava, mas achava que também Vitória tinha potencial para trazer muita gente para cá, curtir nossas praias e belezas naturais do Estado. "Sempre adorei carnaval, e ia a Salvador desde 81, quando fui ver a micareta – carnaval fora de época – da capital do Rio Grande do Norte, uma cidade linda, cheia de recursos, como é também Vitória – e Vila Velha, nossa vizinha lindíssima. Foi ao ver o CarNatal que, ao voltar, comecei a discutir essa idéia de fazer uma micareta aqui, com muitos amigos", conta.

A coisa foi evoluindo, a vontade de fazer alguma coisa era grande, e Rominho, inspirado, em 94, disse: "Vamos imitar os baianos, eles pra tudo fazem uma lavagem, vamos fazer a Lavagem do Triângulo. Foi o maior barato, várias turmas que se encontram sempre à noite no Triângulo das Bermudas – a área de bares mais freqüentada de Vitória – aderiram à idéia. A Lavagem, em maio, acabou sendo o embrião do primeiro Vital, realizado em novembro. "É, o pessoal queria mesmo era uma farra!", diz.

O nome Vital surgiu por acaso, quando Rominho ouviu uma música dos Paralamas do Sucesso, que dizia "...Vital e sua moto...", e a palavra ficou ecoando na cabeça dele: vital, vital, Vitória, Carnaval... O nome pegou, desde o primeiro evento, que teve duas bandas, a Furta-cor – que tinha participado da Lavagem – e a Asa de Águia, no segundo dia. O sucesso, apesar de alguns problemas de segurança em uma ou outra ocasião, foi crescendo a cada ano. "E Vitória toda adotou o Vital logo de saída. O cidadão da ilha, que adora uma festa, viu aí uma oportunidade de se divertir, e trazer muita gente do Brasil inteiro para se divertir também – e de quebra fazer turismo por aqui. Poucas festas desse tipo ganharam tal unanimidade. O Carnabelô, de Belo Horizonte, por exemplo, tem sempre problemas com a população. Mas o povo capixaba adorou e adotou o Vital", resume Rominho.

O Vital tem base também no Fortal, de Fortaleza, lembra Rominho, que lá esteve em 93 com Américo. Mas o que esses amigos queriam era fazer uma coisa que ninguém viesse a criticar por falta de organização. Queriam uma festa liberada, muita alegria, descompromisso, descontração, mas sabiam que teriam de resolver diversos tipos de problemas, entre eles o mais sério seria o da segurança. "Fizemos parcerias, de início logo com a prefeitura, depois com a Polícia Militar, e também criamos nosso próprio esquema, com uma firma particular, que coloca ‘agentes da folia’, como nós chamamos, no meio dos blocos, para detectar qualquer anormalidade logo de saída", diz. "Além disso, temos câmaras de vídeo em circuito fechado. Vencemos qualquer possível resistência do povo da cidade – qualquer receio eventual de gente que vem de fora – mostrando que há segurança e organização, que o local é adequado e que a festa não iria atrapalhar ninguém", conclui.

Distribuição de renda

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A banda Chiclete com Banana é uma das atrações mais tradicionais do festival

Atrapalhar? O Vital trouxe para Vitória, só no ano passado – o melhor de todos, segundo os organizadores – meio milhão de pessoas, que fizeram circular 15 milhões de reais. A festa da juventude tornou-se também um dos momentos de maior circulação de moeda na cidade. A festança promove uma importante distribuição de renda, pois não são apenas as empresas estabelecidas – de transportes, táxi, restaurantes, hotéis etc. – que lucram com a demanda de tanta gente invadindo Vitória: são também os ambulantes, os flanelinhas, o lavador de carros, a desfiadeira de siri, a moquequeira, os quiosques da orla, tanto de Vitória como de Vila Velha. De dia, os jovens vão para a Barra do Jucu ou a Ponta da Fruta, ou Jacaraípe e Manguinhos, e movimentam a economia de toda a Grande Vitória. Todos saem lucrando, sejam catadores de lixo, ambulantes, pequenos fabricantes de camisas e de bijuterias, costureiras, taxistas, donos de vans e microônibus de passeio...

"É a festa mais democrática que já vi", diz Rominho. E ele não fala só da circulação de dinheiro. "É uma farra só, que envolve em sua maioria jovens de 16 a 35 anos, mas que também agita a vida de gente mais idosa, que vem para os camarotes dançar até o sol raiar, mostrando grande disposição". Os camarotes geralmente são alugados por empresas ou associações, de modo que dá para trazer para a estrutura montada na praia de Camburi até mesmo os maiores de 60 – que vêm aliás em grande número, mostrando que animação não tem idade. Gente conhecida da população da ilha, gente de destaque nacional, estão sempre no Vital – e recebem cobertura nacional, já que uma das associadas no apoio ao evento é a Rede Gazeta. "Mas nossas instalações, os bastidores e a festa estão totalmente abertos a todas as emissoras de televisão, aos jornais e revistas, democraticamente", garante Rominho.

E quem vem ao Vital? Gente de todas as raças, gente de fora do país – argentinos, americanos, suecos, italianos – mas, sobretudo, jovens do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Salvador. Vêm aos bandos, atraídos pela folia, pela oportunidade de conhecer, namorar, dançar com outros jovens de todo o país, numa boa, sem limites (a não ser os da boa educação e da lei). Chegam de ônibus, de carro, espalhafatosamente alegres, enchendo hotéis e pousadas, fazendo de Vitória, por três dias, a capital do Brasil – em animação, claro. Este ano, o Vital vai de 16 a 18 de novembro, como mostra a Revista Oficial do Vital – criada pela Ondaluz como uma necessidade, para informação de quem veio e de quem ainda não se aventurou nesse espetáculo de pura alegria.

Quem faz a festa

A empresa Ondaluz foi criada em 94, para fazer o primeiro Vital, e permanece até hoje com os mesmos sócios. É empresa de produção de eventos, e já fez a festa da cidade de Colatina, o evento Na Ilha do Sol, no verão da capital capixaba, e no início deste mês de junho produziu a festa dos 59 anos da Companhia Vale do Rio Doce. "Estamos diversificando, aliás sempre fizemos muitas produções durante o ano, mas nosso carro-chefe é mesmo o Vital", diz Rominho.

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O vital atrai mulheres bonita de todo o país e famosas como a globeleza

A banda Asa de Águia participa do evento desde a primeira edição, em 94. Muitas bandas capixabas apareceram ou tiveram grande oportunidade em suas carreiras com o Vital. "A Furta-cor apareceu já na Lavagem do Triângulo. Também habitual é a presença do Chiclete com Banana, e já estiveram por aqui Netinho, Ricardo Chaves, Jamil, Terra Samba, Cheiro de Amor. Esta última volta este ano. A programação para o Vital 2001 é de endoidar. O bloco Mukeka Coco Bambu vai sair no primeiro dia, sexta-feira, com Araketu, e no sábado e domingo, com Asa de Águia. É o bloco mais antigo do Vital. O bloco Nana Banana vem, como sempre, com o Chiclete com Banana os três dias. O bloco Picapau vem de Banda Beijo na sexta e de Ivete Sangalo nos outros dois dias. O bloco mais novo, Siri na Lata, sai com Cheiro de Amor na sexta, Harmonia do Samba, com o fabuloso Xandy, no sábado, e Pimenta Nativa no domingo. É no domingo, também, que o bloco Mukekinha, para menores de 15 anos, cai na folia, a partir das 16 horas. É a oportunidade dos baixinhos darem um show de alegria.

Mas ninguém deixa de se divertir com o Vital. Quem não está com a carteira lá muito bem fornida, ou seja, está mesmo duro, pode ficar na turma da Pipoca, o pessoal que fica nas imediações do desfile, por fora, e que dança do mesmo jeito, ao som dos seus artistas preferidos, na rua ou na areia da praia de Camburi.

"É uma festa contagiante", diz Rominho. "Não dá para ficar parado, até mesmo o pai mais sisudo, que só vem para trazer os filhos, acaba mexendo o corpo, batendo o pezinho, e, claro, tomando muita cerveja". As fotos dos outros anos contam tudo: nos camarotes, famílias inteiras se divertem, e a presença de gente da sociedade capixaba é constante. "Há muitos casais que preferem a época do Vital para casar, e ter uma lua-de-mel muito louca, dentro do mais puro carnaval", diz Rominho. Ele acha que esse estilo musical, que vai da axé music ao pagode, incluindo forró e samba, tudo misturado, é o estilo que "caiu como uma luva para o jovem, porque dá oportunidade do rapaz, da moça, se liberarem, dançarem sem ter que saber dançar, participar ativamente da festa – e não apenas assistir, como é o carnaval do Rio de Janeiro – e ainda por cima aderir à brincadeira que tomou conta do público no último Vital: beijar muuuuuuuito!!

Em total segurança

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Esse negócio do beijo começou devagar, mas acabou se alastrando e ganhou até um nome: zignow. Pra fazer um zignow é preciso apenas ser jovem, ser alegre, ser liberado. Dar um zignow é beijar sem compromisso, e o maior número de parceiros possível – e a coisa pegou de tal modo que virou uma das principais atrações do Vital, com muita menina saindo da pista em transe, gritando aos quatro ventos que beijou 12, 15, 20...

"Para manter uma festança dessas sempre em alto nível, sem baixarias, sem que saiam brigas ou que haja aproveitadores por perto, é preciso muita organização e muita segurança. Em primeiro lugar, tem que ser uma estrutura que suporte o peso de uma multidão calculada, em cada dia, em cerca de 200 mil pessoas", diz Rominho. É aí que entra o trabalho da M4 Estruturas Tubulares.

A questão da segurança foi resolvida desde os primeiros eventos, através de uma parceira com a Polícia Militar e Polícia Federal, e também com a prefeitura de Vitória.

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