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LIVRE PENSAR - Jace Theodoro |
APAGANDO O PATO
Essa história de apagão queimou, além das lâmpadas, os
últimos neurônios que me restavam. São tantas as economias que o governo me obriga a
fazer que daqui a pouco vou ter de racionar a energia sexual na hora do pico (no
masculino, anotem aí!), mas aí eu saberei onde vou enfiar o plug da tomada - e não
será no focinho do porco. Com o perigo do blecaute dispensei até a minha cadeira
elétrica onde eu brincava de levar choquinho nos dias de estresse e substituí a
eletricidade pela energia solar trabalhando de sol a sol - na praia e com filtro,
naturalmente. Nessa greve das chuvas, São Pedro não quer saber de choro nem vela, os
monges budistas foram proibidos de ter suas iluminações, e eu já chamei o lanterninha
porque a luz no fim do túnel acaba de ser cortada por excesso de Kilowatts.
DANÇA DAS CADEIRAS
Uma nova lei estadual garante aos gordinhos capixabas
assentos especiais em lugares públicos. O autor do projeto quis livrar os, digamos assim,
avantajados horizontalmente, de certos constrangimentos como o casal peso-pesado que ficou
entalado na poltrona de um cinema e teve de assistir a quatro sessões seguidas de
"Xuxa Popstar". Mais amargo que um daqueles chás de emagrecimento o casal tomou
um banchá de cadeira. Espera-se que também nos banheiros públicos haja novos troninhos
à altura e, principalmente, largura dos gordos, e não façam um assento como o do
príncipe Charles, que com aquele traseiro de tábua corrida vive fazendo cera pra
sentar... no trono real, é bom que se diga.
BICHOS EM ALTA
No ramo das pesquisas tem de tudo. Da influência dos
índios no crescimento da mandioca aos efeitos do merthiolate sobre as dores do mundo. O
IBAMA revela, em pesquisa realizada entre os seus fiscais, que 86 % deles tiveram o
casamento desfeito. Também, quem manda deixar o bicho solto por aí?
DE ARRAIÁS E QUADRILHAS
Conta a lenda que São João não deu conta de tantas
quadrilhas no mês de junho e resolveu espalhá-las pelo calendário anual. O caminho da
roça tomou um atalho e foi parar dentro dos cofres públicos. O avancê foi geral.
OFÍDICA
A fiscalização da Receita Federal descobriu que sogras
são usadas como "laranjas" pelos genros que sonegam imposto. Tudo indica que os
moços colocam suas sogrinhas no espremedor e engarrafam o suco para servir de pesquisa no
Instituto Butantã. Os primeiros resultados dão conta de que perto das novas concorrentes
as jararacas do lugar não passam de estagiárias do veneno.
FOI BOM, MEU BEM?
Um neurologista escocês pesquisou 3.500 homens e mulheres
entre 18 e 102 anos e constatou que os que faziam sexo com freqüência aparentavam sete
anos menos do que aqueles que viravam pro lado sem sequer dar boa noite. Uma dúvida cruel
me tira o sono: uma pessoa de 102 anos que tenha vida sexual ativa (ainda dá no couro,
é?) teria então 95 anos. Isso faz alguma diferença pra quem faz coleção de maracujá
de gaveta? O fato é que eu não penso em outra coisa que não seja naquilo. Estou de tal
forma animado com o elixir da juventude que a continuar a freqüência do rola-rola aqui
em casa, em breve estarei andando por aí com a cútis de um embrião.
TRÊS RAPIDINHAS:
- Jornalista é o cara que só fala a verdade até o momento
em que a mentira alcançar um preço mais justo.
- No país do apagão, os gatos vão descer do telhado pra
miar nos relógios da Escelsa.
- De tanto o namorado lambuzá-la com leite condensado nas
preliminares, ficou com aquele corpinho de pudim nas quartas-de-final.
DOIS PONTOS:
É como diria o Fernandinho Beira-Mar: se o início era pó
e o fim será pó, que tal batermos uma carreirinha neste meio tempo? |