 |
| de história e folclore - Renato Pacheco |
|
A caravana capixaba
Em maio de 1936 a Estrada de Ferro Vitória
a Minas, em convênio com a Central do Brasil, completou a ligação Vitória a Belo
Horizonte. A Associação Comercial de Vitória, animada com as perspectivas comerciais do
evento, através de seu presidente, sr. Oswald Guimarães, logo organizou uma caravana
para entrar em entendimento com os colegas mineiros.
Pelo pitoresco, e por falta de registro em outra fonte,
transcrevo o percurso feito.
No dia 19 de maio, terça-feira, às 6h da manhã, houve a
partida da Estação de Pedro Nolasco. Almoço em Colatina às 11h. Chegada a Figueira do
Rio Doce (Hoje Governador Valadares) às 18h. Pernoite.
No dia 20 de maio, partida de Figueira, às 6h20. Almoço
em Callado às 15h30. Pernoite.
21 de maio Partida de São José de Lagoa, às 6h50.
Chegada a Belo Horizonte às 15h20.
Os caravaneiros ficaram na bela capital mineira três dias.
A volta teve como variação uma ida a Itabira, pelo ramal
de EFVM, com visitas pela cidade, que ainda não era grande centro do minério de ferro.
No terceiro dia, 27 de maio, como na ida, com almoço em Aimorés, os visitantes chegaram
a Vitória às 18h.
Os efeitos econômicos de tão longa viagem não foram
muito visíveis, ainda mais que três anos depois começou a 2ª Guerra Mundial, com
racionamento de quase tudo, e mudança da vocação da ferrovia, para priorizar o
transporte do minério de ferro, com a criação da Companhia Vale do Rio Doce, em 1942, e
a reforma total da linha, pela companhia canadense Raymond Norrison Knundsen.
Faz uns três anos a linha Vitória Belo Horizonte
foi restabelecida, e até hoje, aproveitando os carros com ar refrigerado, e a beleza do
vale que se descortina durante o dia, ainda estou sonhando em reunir um grupo de amigos
para fazer esta viagem, comemorando agora a primeira que foi feita nos idos de maio de
1936. |