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Quem disse que Jovelino
tinha conhecimento de horinhas de relógio? Ora, qual!
Jovelino Cordeiro da Silva era desponteirado para ampulhetas
e outras desmedidas. Meu amigo tropeiro era quasemente tipificado
no homem citado por Robert Browning: Man has Forever.Se
não lhe plenifico ao tipo, é porque meu amigo
jovelinava em trópicos que nunca sequer haviam descoberto
notícias da Europa. Era bem ele bem, como longamente
é ressabido, vivente do noroeste capixaba, endereçado
na vila de Prata dos Baianos. |
O tempo quando
Era Jovelino um genearca do para
sempre, em linhagem que se cinzelara nos primevos longínquos
de um desde quando. Logo era meirinho-mor da niilificação
do tempo. Relógio é carência de gente
afobobada, foi o que ele me disse no dia em que lhe. Perguntei
se nunca usara. Nunquinhas tivera olhos para o maquinário.
Ao contra, desusara-o desde. A invenção não
lhe servia. Antesmente de tropeçar em vez primeira um reolho
na pressinha de ponteiros, Jovelino já se sabia que o homem
tem a Eternidade. Ou?
Tenho as luzências que
Deus criou. E embicou um louvamém aos firmamentos,
no ou que se lhe conferia as benemerências do Criador. A pois
ao fielfilho cartoriado desde o livro de Gênesis, o porvindouro
é duravelmente antigo. Tudo está escrito,
completou-me, acintoso em fustigar-me, pleno de sua sábia
analfabetia. Eu lhe. Retruquei que o tempo é autógeno
e autófago, uma chama que se incandesce e se apaga a cadátimo,
enfim, sem fim, inesgotável e insaciável recriando-se
e devorando-se infilhionesimamente para sempre. Por isso urgia contá-lo,
contabilizá-lo, conta-gotá-lo.
Está escrito. Quê? O portintim de
cada sopro. E riu-se-me. De meu pasmo. De minha perplexidade
moderna, de meus ponteiros tocados a taquicardia de pilhas. Incôngruo,
desenlacei a pulseira de meu tempo domesticado e estendi a ofensa
a Jovelino. O calmo olhar dourado de meu amigo tropeiro trotou uma
miúda perscrutação de soslaio até o
relógio. Educoso, Jovelino esticou o gesto desoblíquo
das mãos, recolheu-o. As palmas conchosas sossegavam o vai-vai
do tempo, como se embalassem um bebê ingenerado, estranhosamente
apartado da mãe. Aninhavam-se, órfão e tutor.
Conversavam-se o relógio
e o Senhor do Tempo. Ou que seja: filho do Senhor da Eternidade,
que instalou luzeiros para dias e trevas. Fiat lux e blackout e
outros idiomas do deslatinório humano. Conheciam-se na mansidão
da pausa, o pulso do homem e o tique-taque parapulso. E eu, em mim
comigo, tocaiava em espreitas. Talvez quem sabe até não
fosse de se admirar o maravilhal de um ilapso no lapso. Que o Tempo
se anunciasse à criatura, que no influxo Jovelino enfático
soprasse ânimo de alma à maquininha. Eu de mim comigo,
centrado a olhar o momento com a lente do próprio umbigo.
Que joiazinha cara, hein?
sussurrinhou a risadinha sorrateira de Jovelino. E-me-a devolveu.
Restitui-ma, intacta de vida e uso, a joiazinha. Porque para Jovelino
sua espichável fita métrica do tempo abrangia, antiquando,
em: desde que voa o pássaro, desde que a galinha bota, desde
que gambá fede, desde que árvore dá sombra.
Futurando para perto: logo que o pato cagar na alvorada; para longe:
logo que nascer o neto da solteirona. Para nunca: no dia em macaco
enjeitar banana, que madrinha de tropa não for sestrosa,
que bispo não mandar em padre.
Ou, presentemente, como me despediu:
Boa viagem, seo menino. Já deu seu quando. Confirmei
no relógio. Era mesmo quando. E foi o quando em que o vi
em vida, sem saber que lhe era extrema-unção aquele
mais um, findo, até logo. Foi meu adeus ao Senhor do Tempo,
ou Dele primogênito herdeiro. Permanece o legado de sua sempre
lembrança, que muita vez quase se perde na tropelia de minha
joiazinha cara. Em sua farsa do desde, quando, logo. Pois nem jóia
é meu dourado portintim afobobado!
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