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Sábado, 24 Outubro 2020

Lista Suja do trabalho escravo inclui mais um empregador do Espírito Santo

O Cadastro de Empregadores flagrados explorando mão de obra análoga à escrava foi atualizado no fim do mês de julho pelo Ministério do trabalho e Emprego (MTE) e inclui o nome de um novo empregador do Estado, o engenheiro agrônomo Marcelo Krohling, do Sítio Mundo/Araponga, localizado em Marechal Floriano, na região serrana do Estado. Atualmente a Lista Suja do trabalho escravo, nome pelo qual o cadastro é conhecido, conta com nomes de seis empregadores do Estado, sendo cinco pessoas físicas e uma empresa. Krohling foi flagrado ao explorar 19 trabalhadores na propriedade, em 2010. Eles haviam sido aliciados na Bahia e levados ao sítio para atuarem na colheita de café.    

A fiscalização do MTE flagrou os trabalhadores submetidos a condições degradantes e desumanas de trabalho. Na frente de colheita de café não havia instalações sanitárias e os trabalhadores tinham de satisfazer as necessidades fisiológicas em meio ao cafezal, sem qualquer condição de higiene. O empregador também não fornecia água potável ou abrigo para que os trabalhadores fizessem as refeições. Eles tinham de beber água do riacho que passava pela propriedade, mesmo local em que tomavam banho e lavavam vasilhas. 
 
Os alojamentos eram constituídos de instalações precárias, com duas casas de madeira que tinham frestas por onde passava a corrente fria de vento, típica da região. Os alimentos eram adquiridos em uma espécie de venda dentro da propriedade pelos trabalhadores, que usavam o sistema “fiado”, com pagamento descontado dos salários. Além disso, o empregador não fornecia equipamentos de proteção individual, somente luvas, também com valor descontado do salário. 
 
Permanecem na Lista Suja os empregadores Peris Vieira de Gouvêa, da fazenda Jerusalém, na zona rural de Alegre, no sul do Estado; Antônio Carlos Martin, o Toninho Mamão, da fazenda Nova Fronteira, localizada na zona rural de São Mateus, no norte do Estado; Luiz Carlos Brioschi, da Fazenda Barra Seca, localizada em Jaguaré, e Osmar Brioschi, na mesma fazenda. Além disso a empresa Bell Construções, que explorava trabalhadores em área urbana, em Vila Velha, permanece na Lista Suja.
 
Toninho Mamão
 
Antônio Carlos Martin, conhecido como Toninho Mamão, empregador de mão de obra análoga à de escravo, com nome incluído na Lista Suja, foi homenageado pela prefeitura de São Mateus, no norte do Estado, que inaugurou uma Unidade de Saúde “batizada” com o nome do produtor rural. Ele morreu no dia 21 de junho deste ano e foi o doador dos lotes em que a unidade foi construída. Toninho Mamão foi denunciado pelo Ministério Público Federal no Estado (MPF-ES) em 2009, junto com o lavrador Nelson Pinheiro dos Santos, por aliciar trabalhadores e submeter 77 deles a condição análoga à de escravos numa lavoura de café na fazenda Nova Fronteira, em São Mateus. O nome do produtor rural permanece na atualização da Lista Suja. 

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Domingo, 25 Outubro 2020

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