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Segunda, 26 Outubro 2020

''Desafios'' da Jurong foram criados pela própria empresa

''Desafios'' da Jurong foram criados pela própria empresa
Apesar de a mídia corporativa desta sexta-feira (29) afirmar, em matérias, que a greve dos trabalhadores e as ações judiciais de "entidades locais" foram "desafios vencidos" pelo Estaleiro Jurong de Aracruz (EJA) durante a sua instalação, é importante lembrar que todos esses "desafios" foram criados pela própria empresa, que insistiu em não cumprir as condicionantes ambientais impostas em seu licenciamento ambiental.
 
A consideração é do presidente da Associação dos Pescadores da Barra do Riacho e Barra do Sahy, Vicente Buteri, um dos maiores opositores à empresa, justamente porque a comunidade de pesca perdeu grande extensão de sua área pesqueira com a chegada do empreendimento. Buteri ainda afirma que, ao contrário do que afirma a empresa na imprensa, não acredita que, pelo andamento das obras, o estaleiro entre em plena operação já no final deste ano. O que, até mesmo, não deveria acontecer, devido à falta de cumprimento das condicionantes.
 
Em abril deste ano, a mídia corporativa iniciou uma ofensiva destinada a criminalizar o movimento dos trabalhadores que lutam por melhores condições de trabalho, quando a Jurong anunciou que as ações do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil do Estado (Sintraconst-ES) inviabilizaram o término da construção, iniciada em Cingapura, do primeiro navio-sonda de nome Arpoador.
 
A comunidade de pesca conseguiu, em março deste ano, uma indenização no valor de R$ 1,5 milhão a ser paga pela Jurong, para o desenvolvimento de projetos que serão planejados e posteriormente aprovados pelo Ministério Público Estadual (MPES). No entanto, a empresa tenta adiar o processo. No começo deste mês, a associação de pescadores acionou o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) para providências em relação à degradação que o lamaçal de pesca em Barra do Riacho está sofrendo devido à dragagem do Estaleiro. A dragagem começou há mais de dois meses e, desde então, há dificuldades para a realização da pesca no local. Os pescadores ainda não obtiveram retorno do Iema.
 
Nesta sexta-feira, a imprensa se dedicou a deleitar-se especialmente sobre as supostas oportunidades de emprego oferecidas pelo Estaleiro Jurong de Aracruz (EJA). O jornal A Tribuna destacou que o Arpoador, o primeiro navio-sonda do estaleiro, deve ser entregue em junho de 2015, e o superguindaste começaria a operar em outubro. Além disso, que 400 trabalhadores diretos serão contratados até o final do ano, e que "mais de 70% da mão de obra direta e indireta é do entorno do empreendimento".
 
Como bem lembrou o líder pescador, esse percentual é estabelecido nas condicionantes impostas para o licenciamento da empresa, mas não é cumprido. O descaso na contratação de trabalhadores locais, inclusive, motivou uma das greves trabalhistas que parou as operações do Estaleiro. Vicente retrata que a Jurong chegou a ministrar oficinas para capacitação dos trabalhadores, mas posteriormente exigiu experiência no ramo e não absorveu os próprios alunos.
 
A Gazeta chegou ao extremo de evidenciar a "importância" de egressos do curso de Técnico em Mecânica do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) terem passado um ano em Cingapura, onde "conheceram e incorporaram hábitos". Como evidencia a reportagem, tais hábitos são: a interpretação da hora extra como "dedicação", o desgosto pelas férias e  "acordar antes do sol nascer e parar de trabalhar depois que o sol se por". Muitos desses "hábitos" apresentados pela empresa aos trabalhadores vão na contramão da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

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