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Terça, 22 Setembro 2020

Diversas etnias se unem pela regeneração do Rio Doce no Encontro Ancestral

Diversas etnias se unem pela regeneração do Rio Doce no Encontro Ancestral

Localizada nas proximidades da foz do Rio Doce, a comunidade de Areal, em Linhares (norte do Estado), se prepara para receber a quarta edição do Encontro de Cultura Ancestral, que reúne diversos grupos étnicos, ativistas e movimentos sociais e culturais para pensar a articulação em prol da regeneração dos afetados pelo crime do rompimento da barragem de mineração da Samarco/Vale-BHP em Mariana (MG).


O evento acontece nos dias 1, 2 e 3 de novembro e está com inscrições abertas por formulário online. Areal é uma pequena comunidade, com cerca de 60 famílias, sem restaurantes ou pousadas. O alojamento dos participantes é feito de forma solidária com camping na casa de moradores e espaços comunitários. A alimentação será coletiva e feita por voluntários.




Foto: Thamira Bastos


O espírito colaborativo é marca do encontro, que é co-realizado pela comunidade de Areal junto com grupos como Aliança Rio Doce, Regenera Rio Doce e outras coletivos e entidades. "O encontro vem acontecendo nos últimos anos como resultado da pulsão da comunidade de Areal em busca de suas origens e do resgate cultural, encontrando-se com o coletivo Aliança Rio Doce. Começamos a produzir juntos, com esse desejo de se encontrar e produzir coisas a partir do afeto e da cultura, como resposta ao que o rompimento da barragem nos impôs", conta Hauley Valim, um dos organizadores.


Os moradores de Areal, quase todos familiares, se afirmam como descendentes dos botocudos que historicamente habitaram a região do entorno do Rio Doce. Perderam boa parte do território para a pecuária e poços de petróleo. Para piorar veio o crime no rio que é fundamental no modo de vida da comunidade. No ano seguinte, surgiu a ideia do encontro, que ajuda a fortalecer a comunidade e tecer novas redes de apoio e solidariedade.


No primeiro Encontro de Cultura Ancestral, se reuniram com Tupiniquins e Guarani das aldeias de Aracruz. No segundo, somaram-se os krenaks, de Minas Gerais, e pataxós, vindos da Bahia. E no último com comunidades quilombolas e do manguezal, também afetados pela lama de rejeitos. Neste ano, somam-se a indígenas da etnia pancararu. Grupos, coletivos e etnias chegam de vários lugares do Brasil para se encontrar neste local antes esquecido e agora epicentro de um movimento silencioso mas potente para pensar as resistência de quem foi atacado repentina e violentamente por um dos maiores crimes socioambientais da história do país.




Foto: Divulgação


Para o quarto encontro, as atividades se dividem entre oficinas, rodas de conversa e celebrações. Entre as oficinas, ensino de como fazer cocar, artesanato com sementes, cerâmica indígena, homeopatia e florais, pintura corporal indígena. Na parte cultural haverá maculelê, forró, congo, jongo e outras manifestações vindas das comunidades e artistas colaboradores. Outro ponto forte é a tenda de saúde, com atendimentos e atividades terapêuticas como reiki, massagem, práticas corporais, plantas medicinais e outras atividades tão importantes num local onde não só as pessoas mas a natureza necessita de cuidado e de cura.


Neste ano, outra novidade será um momento de celebração inter-religiosa, momento ecumênico em que haverá um diálogo entre os representantes e praticantes de diferentes crenças buscando criar uma atmosfera positiva e de respeito e troca, em contraposição à intolerância e hostilidades que se apresentam na sociedade.

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