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Sexta, 04 Dezembro 2020

Arquitetos criticam abandono das obras do Cais das Artes

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Leonardo Sá

Lá se vão 12 anos desde o anúncio do projeto do Cais das Artes pelo então governador Paulo Hartung, para criar um grande espaço cultural na Enseada do Suá, em Vitória. Diversos problemas contratuais levaram à paralisação da obra, que teve início em 2010, e está há cinco anos sem avançar após abandono da empresa vencedora da licitação. Os impactos da grande construção inutilizada para a cidade preocupam arquitetos e urbanistas, que se manifestaram por meio de uma carta aberta assinada pelo Instituto de Arquitetos do Brasil no Espírito Santo (IAB-ES).

Eles apontam que paralisações de obras desse porte ocasionam problemas urbanos relacionados com a paisagem do local e questões socioambientais. "Com a obra do Cais das Artes parada, temos uma situação preocupante, pois uma obra inativa traz isolamento e ocupação indevida, delineando-se numa paisagem violenta e opressora para os que utilizam o entorno do prédio. E reverbera como inoperância e descaso do poder público. Um lugar que deveria ter a premissa de geração de renda, ao contrário, fica fechado e impactando economicamente a cidade e o Estado, por conta do seu custo altíssimo", afirma a carta aberta.

Paulo Mendes da Rocha, arquiteto que projetou o Cais das Artes. Foto: Leonardo Sá
O abandono também gera problemas estruturais, que podem encarecer ainda mais o curso final da obra. A queda recente de uma marquise que feriu uma pessoa no Centro de Vitória, onde um edifício abandonado também desabou no ano passado, indica a gravidade de edifícios inutilizados no espaço urbano.

O Cais das Artes, projetado pelo arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha, reconhecido internacionalmente, havia sido pensado para compor um complexo de visitação para a cidade, junto à Praça do Papa, Projeto Tamar, Hortomercado e outros espaços do entorno. Hoje, porém, a magnitude da obra inutilizada gera justamente o contrário, desocupação e insegurança para quem circula pelo entorno, segundo o IAB-ES, que alerta para a necessidade de retomada urgente da obras, assim como da fiscalização do Centro Histórico.

Leonardo Sá

Os lugares onde não há circulação e permanência de pessoas acabam se tornando espaços de insegurança. "O entorno do Cais das Artes, na Enseada do Suá, por exemplo, só tem uso e funcionamento de dia, ficando deserto durante a noite. Com um espaço como esse, funcionando à noite, programado para eventos culturais, a situação se transformará radicalmente. Tanto é que, quando acontecem eventos noturnos na Praça do Papa, a região é extremamente aprazível para a circulação de pessoas. É um local fresco, espaçoso, com infraestrutura urbana, propício para confraternizações sociais. Enfim, são inúmeros os benefícios e qualidades que esse tipo de intervenção bem feita poderá trazer à cidade", apontaram os arquitetos e urbanistas na nota.

"Reivindicamos dos órgãos governamentais competentes uma resposta quanto à continuidade das obras do Cais das Artes e ao funcionamento desses processos de requalificação urbana e de proteção dos nossos bens construídos, para a proteção da paisagem e mais segurança à população", diz o IAB-ES.

No final do ano passado, o governador Renato Casagrande (PSB) havia afirmado em entrevista que a meta era resolver as questões jurídicas e retomar as obras em 2020, o que ainda não ocorreu.

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Comentários: 1

Antonio Carlos Vianna Braga em Sábado, 31 Outubro 2020 11:18

Dinamitem esse monstrengo cuja manutenção, ao lado de água salgada e à mercê do vento sul, será astronômica.

Dinamitem esse monstrengo cuja manutenção, ao lado de água salgada e à mercê do vento sul, será astronômica.
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