Quinta, 26 Mai 2022

Arquitetos se posicionam contra mudanças no Cais das Artes

cais_das_artes_leonardo_sa-13 Leonardo Sá
O Instituto dos Arquitetos do Brasil no Espírito Santo (IAB-ES) se posicionou publicamente contra a possibilidade de mudanças na proposta de construção e uso do Cais das Artes, na Enseada do Suá, cujas obras estão paralisadas há mais de seis anos.

A entidade se manifestou por conta da possibilidade levantada pelo governador Renato Casagrande (PSB) de fazer uma concessão do espaço à iniciativa privada para conclusão das obras, que já levam mais de 10 anos por conta de imbróglios jurídicos entre o Estado e empresas de construção. Em troca, o local abrigaria um hub de start ups, sem perder a finalidade cultural, segundo o governador.
Leonardo Sá

O IAB-ES listou três motivos para se opor a essa possibilidade, apontada como alternativa caso o processo para retorno das obras da construtora contratada não siga adiante. Segundo o grupo de arquitetos, uma das razões é que a alteração do uso do projeto minimizaria a utilização do grande museu e do teatro para o transformar em espaço destinado à inovação e negócios, que atenderia a apenas alguns setores da sociedade.

O segundo motivo alegado é que essa modificação, que envolveria alterar a estrutura concebida para o Cais das Artes, poderia limitar as atrações do espaço, afetando o turismo e a arrecadação em torno deste setor e da arte e cultura. Por último, a entidade pontua que a modificação do uso exclusivo para museu, teatro e atividades culturais impactaria na criação e desenvolvimento de grandes espetáculos e produções por parte de artistas locais.

Depois da construção não ter sido retomada no prazo prometido pelo governo, em outubro de 2021 o IAB-ES lançou uma campanha pelo retorno das obras no Cais das Artes, com um ato em frente ao local, no qual a entidade fixou uma mensagem nos tapumes da construção. Como parte da campanha, o órgão de arquitetos também lançou um vídeo nesta quarta-feira (19) que faz parte da campanha pelo retorno das obras no Cais das Artes. Além do impacto para o setor cultural, o projeto é considerado também de grande valor arquitetônico, tendo sido desenvolvido pelo arquiteto capixaba de renome mundial Paulo Mendes da Rocha, falecido em 2021, aos 92 anos, sem ter visto a obra finalizada.

Angela Gomes
"O que eu defendo é que o Cais das Artes é uma oportunidade para Vitória ter um espaço que de fato seja uma âncora cultural do Estado e um destino turístico, para receber pessoas não só do Espírito Santo, mas do país e até de fora. É uma oportunidade ímpar de se ter algo que pode ser reconhecido internacionalmente", diz o arquiteto Eduardo Pasquinelli, membro do IAB-ES, para quem o projeto precisa manter a "origem, a genialidade da concepção projetual".

Com grandes construções em concreto e um amplo vão central à beira da Baía de Vitória, ele considera que a obra, por sua localização, porte e concepção arquitetônica, é de fazer inveja a projetos de outras grandes cidades do Brasil e do mundo. Vitória, é certo, não possui outro espaço tão privilegiado, por sua centralidade geográfica, paisagem, com vistas para o Convento da Penha e Terceira Ponte, ícones do Estado e um entorno que possui a Praça do Papa, o Projeto Tamar, o Instituto Baleia Jubarte, restaurantes e outros locais, reforçando a possibilidade de fortalecimento de um eixo com base no turismo, cultura e meio ambiente. Para o arquiteto, o Cais das Artes poderia ser âncora de um projeto que inclua boa parte da orla da capital, desde Jardim Camburi até a Ilha das Caieiras.

Eduardo conta que teve oportunidade de conversar algumas vezes com Paulo Mendes das Rocha e aponta que o projeto arquitetônico está repleto de conceitos que foram pensados para o tipo de uso para o qual foi contratado. Além disso, teme que a nova proposta estudada pelo governo para a finalização das obras e formação de um polo tecnológico possa desfigurar a proposta original de uso público do espaço.

Para o arquiteto, o local deve servir para mostrar, aos capixabas e visitantes, a identidade, a representatividade e a diversidade que compõem a formação do Espírito Santo e seu povo. Também aponta a necessidade de criação de um comitê gestor para definir melhor o projeto de uso para o Cais das Artes.

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Comentários: 2

alcineu em Quinta, 20 Janeiro 2022 12:29

Só um questionamento: precisava gastar tanto cimento e aglomerados nessa obra? Quando vi de perto me assustei. Dava pra fazer uma barragem no rio Jucu.

Só um questionamento: precisava gastar tanto cimento e aglomerados nessa obra? Quando vi de perto me assustei. Dava pra fazer uma barragem no rio Jucu.
Messias em Quarta, 26 Janeiro 2022 08:09

Eu apoio o projeto original.

Eu apoio o projeto original.
Visitante
Quinta, 26 Mai 2022

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