Domingo, 14 Julho 2024

'Assinatura da ordem de serviço do Mergulhão foi monólogo da prefeitura'

pazolini_mergulhao_redessociais Redes Sociais
Ao contrário do que esperavam os moradores de Jardim Camburi, a assinatura da ordem de serviço do Mergulhão não contou com apresentação do projeto nem com a escuta da comunidade para sanar suas dúvidas. A Associação Comunitária de Jardim Camburi (ACJAC) aponta que os espaços de fala foram para o prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), o secretário municipal de Obras, Gustavo Perin, e algumas pessoas apontadas pela gestão como lideranças comunitárias, mas nenhuma delas integra a entidade, que não foi convidada para falar. 

A obra do Mergulhão, de acordo com a Prefeitura de Vitória, vai eliminar a retenção de veículos no cruzamento da rodovia Norte-Sul com a avenida Dante Michelini. A obra será executada pela Zurich Airport Brasil e teve sua ordem de serviço assinada nesta sexta-feira (2), na Praça da Bocha. A obra custará até R$ 92,2 milhões, com duração de 30 meses.
Divulgação/PMV

"A assinatura da ordem de serviço foi um monólogo da prefeitura, não houve debate público", constata o presidente da Associação, Bruno Malias. A comunidade esperava a apresentação do projeto, com "dados, motivações, evidências, obras que complementam a do Mergulhão", acrescentou. "A gente não conseguiu se aprofundar, debater, pois a prefeitura não nos deu essa oportunidade", queixa-se.

Bruno aponta que a falta de apresentação de um projeto pode ser pelo fato de a prefeitura "não ter argumento para dizer que é bom". "Por que não apresentam? Por que não trazem as informações? Precisamos da apresentação e do debate público, para termos clareza do que vai acontecer", reitera. Devido à falta de diálogo por parte da prefeitura, a ACJAC já havia oficiado o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para solicitar uma audiência pública sobre o Mergulhão de Camburi.

Questionamentos

No documento, a entidade recorda que, em agosto último, por meio do Ofício 051/2023, trouxe à tona questionamentos da comunidade sobre as obras de asfaltamento das vias do bairro e da construção do Mergulhão de Camburi. Também encaminhou, um mês depois, o Ofício 055/2023, "referente à urgência para as explicações da Prefeitura de Vitória sobre o tema". Bruno Malias explica que o asfalto diz respeito ao projeto Asfalto Vix e que os moradores se queixaram que algumas ruas foram asfaltadas sem necessidade. Os ofícios culminaram em reuniões com o MPES, quando a comunidade reivindicou que a gestão municipal dialogasse sobre toda e qualquer obra que possa impactar o seu cotidiano.

Naquele momento, recorda, não havia tido ainda a contratação da empresa responsável pela obra do Mergulhão, por isso, o assunto não chegou a ser debatido, somente o asfaltamento. Como a prefeitura se comprometeu a dialogar, houve o arquivamento da Notícia de Fato nº 2023.0021.3529-80, instaurada a partir do recebimento do expediente Ofício nº 055/2023.

A ACJAC, no atual pedido, se baseia nesse descumprimento do compromisso para, novamente, pedir abertura de diálogo por parte da prefeitura. Considera também o fato de que o secretário municipal de Obras, Gustavo Perin, declarou à imprensa que "o município sempre manteve e mantém diálogo com os moradores e que o projeto foi apresentado à comunidade". Além disso, aponta que há "ausência de informações sobre os dados obtidos e dos resultados das análises destes dados, bem como a falta de informações para a população em geral".

A associação evidencia algumas dúvidas sobre a obra, como se há algum estudo técnico apresentado e que justifique a intervenção. "Por que não há interesse em comunicá-lo com a comunidade que será impactada e não possui o mínimo de informação necessária para fazer juízo de valor sobre uma obra milionária que mudará a característica de entrada do bairro de Jardim Camburi para sempre?", indaga.

Outra questão foi gerada por notícia veiculada na imprensa de que haverá apenas duas faixas para a saída do bairro de Jardim Camburi pela Avenida Dante Michelini. "Atualmente, o trânsito com três faixas já está saturado, duas faixas e a retirada do semáforo resolvem?". Consta no documento ainda o questionamento sobre se, diante da predominância de veículos que utilizam a Norte Sul com origem ou destino à cidade da Serra, não seria melhor privilegiar o tráfego pela Rodovia das Paneleiras.

Mais um ponto é em relação à intervenção proposta para a "suposta fluidez da Norte Sul", que pode reter as saídas do bairro, mais precisamente na rua Carlos Gomes Lucas e nas avenidas Armando Duarte Rabelo e Raul de Oliveira Neves para a Norte Sul. "Em um raciocínio lógico, quanto mais carros na Norte Sul, mais necessidade de fluidez no trânsito nesta via, dificultando, dessa forma, a saída do bairro de Jardim Camburi", destaca.

Para a associação, "seguindo a mesma linha de raciocínio, com o trânsito fluindo melhor no cruzamento das Avenidas Dante Michelini com Norte Sul, o ficará retido nos próximos cruzamentos, entre as Avenidas Dante Michelini e Av. Adalberto Simão Nader, bem como no entroncamento da Rua Carlos Gomes Lucas e Avenida Norte Sul?". A ACJAC também quer saber quais foram e onde podem ser encontrados os resultados do Plano de Mobilidade de Vitória, denominado Vix Mob. "Para além da publicidade legal, deveriam ter primado pela intenção de comunicar", cobra.

Veja mais notícias sobre Cidades.

Veja também:

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Visitante
Segunda, 15 Julho 2024

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://www.seculodiario.com.br/