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Terça, 27 Outubro 2020

‘Dificilmente teremos medidas mais restritivas semana que vem’

tyago_hoffmann_ademir_ribeiro_secom Ademir Ribeiro/Secom
Ademir Ribeiro/Secom

 de"Pra semana que vem, dificilmente teremos medidas mais restritivas. A sociedade capixaba pode ficar tranquila, o governo do Estado não vai surpreender com medidas desse tipo". A declaração foi feita em vídeo na noite desta quinta-feira (28) pelo secretário de Estado de Governo (SEG), Tyago Hoffmann, com objetivo de desmentir o que ele chama de fake news sobre um possível lockdown que estaria sendo cogitado pelo governo do Estado para a primeira semana de junho. 

"As medidas aqui no Estado são tomadas com base na técnica, na Matriz de Risco", afirmou. "Nós estamos nesta semana abrindo 60 novos leitos de UTI, com respiradores que chegaram da Itália. Nas próximas semanas chegarão ainda mais equipamentos e nós abriremos mais leitos de UTI, e isso vai dando pra nós uma capacidade de olhar com calma sobre as medidas que precisamos adotar", anunciou.

A Matriz de Risco adotada pelo Estado, no entanto, carece de uma variável fundamental para a tomada de decisões de forma mais realista, que é a Taxa de Transmissão (Rt). Sua inclusão já foi recomendada pelo Ministério Público Federal (MPF), que deu prazo até essa quarta-feira (27) para resposta do governo do Estado sobre o cumprimento ou não da sugestão, com as devidas justificativas. 

A recomendação do MPF se baseou na Nota Técnica 02/2020 do Núcleo Institucionais de Estudos Epidemiológicos (NIEE), em que os especialistas narram a evolução da Rt desde o início da pandemia.

A nota descreve que, na semana do dia 16 de março, quando as primeiras medidas de restrição de interação social começaram a ser decretadas pelo governador Renato Casagrande (PSB), a taxa estava próxima de 3. Passadas sete semanas de medidas de controle, a taxa baixou quase pela metade, chegando a 1,57.

Os dados, enfatiza o MPF, "demonstram que as medidas de distanciamento social implementadas inicialmente foram eficazes, ocasionando desaceleração do número de internados e de pessoas que poderiam ir a óbito".

No entanto, a taxa continuou aumentado e, segundo a nota técnica, saltou rapidamente de 1,64, para 1,84 nos últimos dias. "O que demonstra que o distanciamento social mais flexível adotado recentemente não possui a mesma eficácia do modelo anterior", acentua o MPF.

Integrante do Núcleo, a epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel explica que é somente abaixo de 1,0 que a Rt indica a redução da velocidade de transmissão do vírus e que é preciso alcançá-la urgentemente.

"Chega um momento em que que não se consegue mais retroceder. Quando o vírus começa a circular numa velocidade muito alta, não tem como voltar. É o que aconteceu nos EUA, na Itália, na Espanha. Se você perde o momento de romper essa cadeia de transmissão, não consegue mais voltar", alerta.

Sinal vermelho

No mapa de Gestão de Risco em vigor desde domingo (24), nenhum município capixaba está com risco extremo, doze estão com risco alto, 48 com risco moderado e 18 com risco baixo. A inclusão da Rt pintaria todo o interior do Estado de vermelho (risco alto) e a Grande Vitória de roxo (extremo), afirma Ethel.

O Painel Covid-19 desta quinta-feira (28) confirmou 891 casos e 27 óbitos pelo novo coronavírus, totalizando 12.375 e 538, respectivamente, até o momento. A ocupação de leitos de UTI atingiu 77,12% na média estadual e 86,28% na região metropolitana.

A taxa de letalidade, crescente, está em 4,35%, sendo mais elevada, na Grande Vitória, em bairros da periferia como Maria Ortiz/Vitória, Nova Rosa da Penha/Cariacica e José de Anchieta/Serra.

Na comparação entre as etnias, a população preta (6,17%), segundo o último painel, é 75% maior que a registrada entre a população declarada branca (3,52%).

Fila única

A agressividade maior do vírus contra as pessoas mais pobres e pretas mostra a necessidade de adoção da fila única para leitos de UTI, campanha empreendida nacionalmente por dezenas de entidades e objeto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 671, impetrada pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol) no Supremo Tribunal Federal (STF), além de diversos parlamentares no Congresso Nacional.

"O setor privado tem que fazer a cessão dos leitos, que devem ser administrados diretamente pelo governo do Estado", adverte a doutora em Política Social e professora de Economia da Saúde do Programa de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Adriana Ilha.

Sem isso, explica, "pode acontecer de a população mais vulnerável e que ao mesmo tempo vai estar num estado mais grave, precisando de atendimento mais imediato e com mais especialização, não consiga vagas para internação, pois muitos leitos podem estar sendo ocupados por pacientes menos graves, mas que são pagante de planos de saúde", adverte, lembrando que a letalidade pela Covid-19 é muito maior nos bairros mais periféricos das cidades e entre a população negra, o que mostra que a morte pela pandemia tem cor e endereço.

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