Líder sindical será enterrado nesta quarta-feira (13), no Parque da Paz, em Cariacica
Faleceu na tarde desta terça-feira (13), aos 86 anos, José Lopes, um dos fundadores da Pastoral Operária no Espírito Santo. O sepultamento será no cemitério Parque da Paz, em Cariacica, às 16h, nesta quarta-feira (14). José Lopes tinha Mal de Parkinson e já havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no decorrer do tratamento.

Além de ser um dos fundadores da Pastoral Operária no Espírito Santo, ele também foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e uma das lideranças do movimento de oposição sindical da categoria da construção civil durante a ditadura militar, sendo um dos protagonistas da greve da categoria, ocorrida na década de 1970, juntamente com lideranças como Waldemar Lyrio. A greve foi uma das maiores do período ditatorial no Espírito Santo e teve grande apoio da Pastoral Operária.
José Lopes saiu de Barra de São Francisco, norte do Espírito Santo, e chegou na Grande Vitória, assim como tantos outros trabalhadores do interior e de outros estados, atraído pela possibilidade de emprego diante da ascensão dos grandes empreendimentos industriais. Contudo, a tão prometida geração de empregos não era da forma como propagada. Além disso, essa massa de trabalhadores acabou tendo que habitar locais sem infraestrutura, formando bolsões de pobreza.
Toda essa realidade demandou mobilização, motivando a criação da Pastoral Operária, da qual José Lopes foi um dos fundadores junto a nomes como Maurício Amorim e José Machado. Casado com a pedagoga Carlinda Januária, com quem teve 10 filhos, compartilhou de sua militância com a família. Carlinda recorda que foi na Igreja Católica que José Lopes teve contato com os movimentos sociais e destaca a importância dos padres franceses Bernard e Gabriel Félix Roger Maire – esse último, assassinado em 1989 – na formação política do marido. “Ele entendia que o Evangelho de Jesus Cristo deveria ser vivido na prática”, diz.
Essa prática, no entanto, veio acompanhada de retaliações. Carlinda recorda que José Lopes carregava uma bolsa com diversos materiais de mobilização popular, por isso, em uma das empresas nas quais trabalhou, chegou a ser isolado dos demais trabalhadores para “não propagar mentiras”. O agente de pastoral também foi um dos comunicadores populares do jornal Ferramenta, da Pastoral Operária, instrumento de mobilização e formação política.
Para a superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Penha Lopes, filha de José Lopes, seu pai foi “uma liderança que lutou por direitos, organizou os trabalhadores, cuidou, celebrou, acolheu as pessoas que o procuravam”. Penha acredita que José Lopes estará vivo nas lutas que travou, como na Marcha pela Vida e Cidadania, que acontece todo dia 1º de maio, em Cariacica, e da qual é um dos idealizadores. Marlene Lopes, também filha de José Lopes, afirma que os propósitos de seu pai sempre foram “a conversa animada, a visita a um amigo, o compromisso de fé na vida, na luta do povo trabalhador e nos ensinamentos aos seus sobre a vocação cristã”.

