domingo, agosto 31, 2025
22.9 C
Vitória
domingo, agosto 31, 2025
domingo, agosto 31, 2025

Leia Também:

Tabajara: um santuário de Umbanda que deu origem a um bairro

Primeira escola da região funcionou no santuário, que fica na rodovia José Sette

Quem passa pela Fraternidade Tabajara, um santuário de Umbanda que fica na rodovia José Sette, em Cariacica, percebe que ele chama atenção por uma certa suntuosidade. Mas nem sempre foi assim. Criado em 1940, o templo começou com uma cabana de sapê, foi crescendo e ao redor dele foi nascendo um novo bairro de Cariacica. Com sua história diretamente ligada ao Centro, a comunidade foi batizada de Tabajara.

Elaine Dal Gobbo

Mas quem é Tabajara? O médium chefe da Fraternidade, Luiz Augusto Labuto, explica que é o nome de um dos mentores chefes do centro, que reencarnou várias vezes no Brasil como chefe da tribo Tabajara, em especial nas regiões Norte e Nordeste. Há, ainda, outros mentores: Pae José de Aruanda, Tia Maria, Cabocla Rosa de Jurema e Caboclo Rosa.

A Fraternidade nasceu no dia 2 de fevereiro, uma alusão à Iemanjá. Luiz Augusto relata que seu fundador, Octávio Paes, “primeiro fotógrafo oficial de Vitória”, foi a um terreiro no Rio de Janeiro e o comando espiritual orientou que fizesse um centro de Umbanda em frente ao monte Moxuara. “O Moxuara é um vulcão extinto. Tem força energética”, explica o médium chefe. De acordo com ele, quando o Tabajara iniciou suas atividades, em 1940, nem ao menos existia a rodovia José Sette.

Luiz Augusto é filho de Maria de Lourdes Poyares Labuto, que em 1945, por direcionamento dos comandos espirituais, passou a ser médium chefe do Tabajara, função que exerceu até 1975, quando faleceu. Ela foi a primeira professora da região e teve papel fundamental no desenvolvimento educacional do bairro. Labuto recorda que sua mãe procurou a Secretaria Estadual de Educação (Sedu) falando do desejo de que os moradores da região tivessem a possibilidade de estudar.

A partir dessa conversa, foi criada uma escola multisseriada dentro da Fraternidade Tabajara, sendo, portanto, o primeiro colégio do local. Com sua morte, Labuto tornou-se médium chefe e a escola foi se expandindo com a construção de novas salas. Como a Fraternidade queria aumentar suas atividades, com a criação de bazar e do Serviço Social Tabajara, Labuto resolveu acionar a Sedu, que acolheu seu pedido para a construção de uma escola fora da Fraternidade, que existe ainda hoje e se chama Maria de Lourdes Poiares Labuto.

Evolução arquitetônica

De 1940, quando a Fraternidade Tabajara foi criada, pra cá, a estrutura física do templo mudou muito. De cabana de sapê em uma região sem muitos moradores, passou a ser uma grande construção amarela com a estátua de um indígena no alto, em uma localidade que foi tendo um crescimento populacional ao redor do centro. Nos arredores do templo, há hoje uma cabana que representa aquela na qual a Fraternidade iniciou seus trabalhos.

Elaine Dal Gobbo

O templo, aponta Labuto, tem uma arquitetura oriental, é em formato de cruz, com cúpulas. No alto, a estátua do indígena, de concreto, criada em 1976, saúda o Moxuara. Ela foi idealizada pelo médium chefe, que por meio de sua mediunidade via a imagem do indígena, por isso, solicitou a produção de um igual. No interior, na cúpula, há orixás desenhados, também fruto de sua mediunidade. De acordo com labuto, ele via no papel o desenho dos orixás.

Trabalho social

Com o passar do tempo, a Fraternidade também foi desenvolvendo atividades sociais na região. Uma delas é a Juventude Tabajara, com orientações de evangelização e oficinas de artes, dança e artesanato para crianças e jovens desde 1952. Há, ainda, um departamento de artesanato, que funciona aos sábados, com oficinas, das 9h às 14h.

Também são oferecidos atendimento médico com clínico geral e homeopata e distribuição de cestas básicas para famílias cadastradas por meio do Serviço Social Tabajara. Uma das iniciativas que trazem recurso para essa última é o bazar de roupas usadas, que funciona na Fraternidade. Uma das ações que anualmente mobiliza bastante a comunidade para ir ao Tabajara é a Festa de São Cosme e Damião, na qual, anualmente, são distribuídos mil sacos de doces, totalizando uma tonelada.

“O significado maior é pôr em prática o lema da Casa, que é, primeiro, fé. Depois, esperança, esperar coisas melhores para mim e para as pessoas que estão na Casa como trabalhadoras e fiéis. E o principal, que é a caridade, a prática do amor. Jesus colocou a lei do amor como a lei maior”, ressalta Labuto.

Mais Lidas