Sábado, 04 Dezembro 2021

Venda de seguradora é entregar patrimônio 'a preço de banana'

manifestacao_banestes_seguros_FotoSergioCardoso Sérgio Cardoso

Em manifestação contra a venda da Banestes Seguros (Banseg) na manhã desta sexta-feira (5), a coordenadora geral do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Espírito Santo (Sindibancários), Rita Lima, afirmou que vender a seguradora é uma "vontade infame de entregar a preço de banana o patrimônio do povo capixaba". O protesto, realizado pelo Comitê em Defesa do Banestes Público Estadual, aconteceu na entrada do edifício Palas Center, no Centro de Vitória, onde funciona a administração central da instituição financeira.

Foto: Sérgio Cardoso

"Precisamos mobilizar a população e todos trabalhadores do Sistema Banestes para resistir mais uma vez. O Banestes é importante para o desenvolvimento social e econômico do Espírito Santo. Ele está em todos municípios e traz crédito para os pequenos agricultores, pequenos comerciantes e pequenas empresas", aponta Rita.

Compareceram ao ato, além dos trabalhadores bancários, representantes de movimentos sociais como o Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que enviou pessoas do acampamento Índio Galdino, em Aracruz, no norte do Estado. Também estiveram presentes representantes Central Única dos Trabalhadores (CUT), Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, CSP Conlutas e mandatos da deputada estadual Iriny Lopes (PT) e da vereadora de Vitória Camila Valadão (Psol).

O Comitê, coordenado pelo Sindibancários-ES), é contrário à venda da Banseg pelo fato de a seguradora contribuir com 10% do lucro do Banestes, além de, nos últimos cinco anos, ter repassado cerca de R$ 300 milhões para o governo estadual. Por meio da privatização, a proposta é que o Estado, que hoje detém 92% das ações, venda 51%, tornando-se acionista minoritário.

A presidente da CUT/ES, Clemilde Cortes, fez críticas ao governo Renato Casagrande (PSB). "É inadmissível que um governo que se diz progressista queira privatizar a seguradora, um banco público. Parece que nesse país o que é público não presta, mas o que é público que atende a população mais carente, é com o público que a gente pode contar para defender a vida", ressalta.

O Comitê em Defesa do Banestes Público Estadual se reuniu em 25 de agosto com o presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, quando foi informado que caberia ao Banco Genial a incumbência de indicar, entre as candidatas para assumir a seguradora, qual a empresa mais qualificada para a operação. Desde então, afirma o secretário geral do Sindibancários, Jonas Freire, o banco não tem divulgado nenhuma novidade sobre o assunto.

Nessa mesma reunião, o presidente da instituição financeira se comprometeu a fazer a interlocução entre o Comitê em Defesa do Banestes e o governador Renato Casagrande (PSB), mas não houve retorno. O Comitê já havia encaminhado ofício solicitando uma conversa com o gestor, mas sem sucesso.

A tentativa de privatização do Sistema Banestes é registrada há anos. O banco quase passou por esse processo na gestão do ex-governador José Ignácio Ferreira e no primeiro mandato do ex-governador Paulo Hartung, que tentou vender o banco em uma negociação com o Banco do Brasil. O negócio somente não se concretizou porque o banco se recusou a pagar R$ 1,7 bilhão, oferecendo somente R$ 800 milhões.

Nas eleições de 2018, o assunto foi tema de uma carta-compromisso assinada pelos candidatos ao governo do Estado, incluindo Casagrande, que garantia o controle acionário do Banestes, mantendo-o como patrimônio público e vinculado ao governo estadual. A privatização da seguradora, para a categoria, contradiz o documento e se consolida como manobra e "privatização disfarçada" do banco.

Veja mais notícias sobre Cidades.

Veja também:

 

Comentários: 1

Eduardo Radinz Marquardt em Quarta, 24 Novembro 2021 08:21

Que privatize tudo! Empresas estatais são ineficientes, caras, burocráticas, prestam um péssimo serviço, servem de moeda de troca nas mãos dos politicos, esbanjam benefícios para os funcionários públicos de seu alto escalão e o melhor de tudo: quando dão prejuízo, o tesouro (nosso bolso) é chamado para pagar a conta.

Que privatize tudo! Empresas estatais são ineficientes, caras, burocráticas, prestam um péssimo serviço, servem de moeda de troca nas mãos dos politicos, esbanjam benefícios para os funcionários públicos de seu alto escalão e o melhor de tudo: quando dão prejuízo, o tesouro (nosso bolso) é chamado para pagar a conta.
Visitante
Sábado, 04 Dezembro 2021

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://www.seculodiario.com.br/